Jogos de aventura

NOTA tt
9.0

Review Back to the Future Episode 1: It's About Time

Desde o fim da era 16 bits, jogos baseados em filmes são, a priori, produtos de má qualidade finalizados às pressas para coincidir com a estreia nos cinemas. Mas quando a Telltale anunciou que faria um game baseado na cinessérie De Volta Para O Futuro, produzida por Steven Spielberg e dirigida por Robert Zemeckis entre 1985 e 1990, houve grande expectativa para que fossem, ao menos, bons títulos.

Bruno do Amaral
por
em

Nome: Back to the Future Ep 1 
Gênero: Aventura
Distribuidora: Telltale
Plataformas: PS3, PC, iOS 

Back to the Future Ep 1 (Foto: Divulgação)Back to the Future Ep 1 (Foto: Divulgação)

Desde o fim da era 16 bits, jogos baseados em filmes são, a priori, produtos de má qualidade finalizados às pressas para coincidir com a estreia nos cinemas. Mas quando a Telltale anunciou que faria um game baseado na cinessérie De Volta Para O Futuro, produzida por Steven Spielberg e dirigida por Robert Zemeckis entre 1985 e 1990, houve grande expectativa para que fossem, ao menos, bons títulos. 

Claro, afinal não haveria necessidade de atender à agenda de Hollywood sem sequer saber detalhes do roteiro do filme no qual se baseia. É uma história que todos conhecem e está bem fundamentada no inconsciente coletivo. Mas a produtora é conhecida por adventures point-and-click como Sam & Max, então veio a preocupação sobre atuação na dublagem dos personagens vividos por Michael J. Fox e Christopher Lloyd. 

Felizmente, passado tanto receio, a Telltale entregou Back to the Future Ep 1 – primeiro para PCs e Macs em dezembro de 2010, depois para Playstation 3 e iPad em fevereiro. E o game surpreendeu não por ser uma adaptação do roteiro original do filme vencedor do Oscar em 1986, mas por tomar rumos próprios a partir do mesmo universo, embora mantendo uma fidelidade ao espírito da série, incluindo a atuação na dublagem. 

A versão testada pelo TechTudo foi justamente no tablet da Apple, a plataforma menos convencional, mas uma das mais prolíficas atualmente no gênero pont-and-click. Saiba se o primeiro episódio da série de games, que conta com cinco capítulos no total, vale a pena. O jogo pode ser baixado na App Store argentina ou norte-americana (as mais utilizadas pelos brasileiros que fogem da restrição a games da loja nacional) por US$ 6,99, ou no Steam e na PSN.

Doc Brown e Marty estão de volta em Back to the Future: The Game (Foto: Divulgação)Doc Brown e Marty estão de volta em Back to the Future: The Game (Foto: Divulgação)

Enredo 

BTTF Ep 1 começa quase da mesma forma que o primeiro filme da série, em 1985, quando o cientista Emmet Brown leva o amigo adolescente Marty McFly a uma demonstração de sua máquina do tempo construída em um DeLorean equipado com um capacitor de fluxo alimentado por plutônio. A primeira tentativa será realizada com o simpático cachorro de Brown, Einstein. Tudo documentado pela câmera VHS do jovem. 

Mas daí em diante a história toma um rumo diferente do filme. Einstein não reaparece com o DeLorean e, por conta disso, Doc Brown começa a sumir em frente a McFly, como se estivesse deixando de existir. 

Back to the Future: The Game - Episode 1: It's About Time (Foto: Divulgação)Back to the Future Ep 1 (Foto: Divulgação)

O sumiço de Brown leva a prefeitura de Hill Valley a realizar um leilão com seus pertences, para o desespero de Marty. No levantamento dos itens, o pai dele, George McFly, e o sempre bufão Biff Tanney aparecem em suas versões como no final do primeiro filme. Aliás, citações e easter-eggs referentes aos episódios para o cinema são frequentes. 

Até que o DeLorean reaparece com Einsten e Marty viaja no tempo de volta aos anos 30 atrás de Brown, enfrentando mafiosos que trabalham no comércio ilegal de álcool durante a Lei Seca. Daí em diante, há uma série de acontecimentos em cadeia que geram progressivamente mais confusões e situações que parecem sem saída – exatamente como nos filmes. 

Todas as ações têm consequências no futuro – ou presente, dependendo do ponto de vista. E não vamos contar mais para não estragar as surpresas, mas há uma boa homenagem a Carl Sagan, famoso astrônomo dos anos 70 e 80 que dedicou a vida a disseminar a ciência, principalmente com a série de TV Cosmos. 

De fato, a história é intricadamente boa. Pudera: o roteiro contou com Bob Gale, cocriador da cinessérie junto com Zemeckis. Aliás, grande parte dessas ideias do game seriam utilizadas na segunda parte de De Volta Para O Futuro, como a questão de abordar a Lei Seca nos anos 30. O conceito acabou sendo rejeitado para a série do cinema, mas felizmente foi reaproveitado para o game. 

Back to the Future Ep 1 (Foto: Divulgação)Back to the Future Ep 1 (Foto: Divulgação)

Gráficos 

Seguindo o jeitão de desenho animado, o game possui bonitos gráficos. Mesmo no iPad, com menor capacidade de processamento, o visual não faz feio e funciona de maneira muito bacana para o estilo do jogo, com cutscenes utilizando a mesma engine. Por demandar tanto, há alguns engasgos no tablet, mas nada que estrague a diversão. 

A direção de arte em si é algo de extraordinária eficácia. Os personagens são facilmente reconhecíveis por serem bem parecidos com os atores do filme – visual bem melhor do que a abominável série animada que chegou a passar na TV brasileira na década de 90. 

Áudio 

É uma área impecável. Além da trilha sonora memorável de John Williams (também vencedora do Oscar), as dublagens são um dos melhores trabalhos do ano, se não o melhor. A voz de Doc Brown é realmente dublada por Christopher Lloyd, mas Michael J. Fox foi substituído, provavelmente pelos problemas de saúde do astro. 

Mas A.J. LoCascio, o ator que faz o papel de Marty McFly não tem somente uma voz idêntica a de Fox, mas sua atuação é excelente e passa uma sensação real de estar presenciando mais um episódio do filme. A música e os efeitos sonoros característicos da série ajudam também a criar esse clima. 

Back to the Future Ep 1 (Foto: Divulgação)Back to the Future Ep 1 (Foto: Divulgação)

Jogabilidade 

Aqui é onde as versões do game realmente se diferenciam. No iPad há um joystick virtual, comandado pelo deslizar do dedo em qualquer parte da tela, e o clique em objetos e em comandos da história. Em teoria, isso funcionaria da melhor forma possível. Mas não é o que acontece. 

O problema é que BTTF é um game pesado para o tablet, mesmo na última versão do hardware, com processador mais potente. Por isso, as respostas aos comandos são precárias na maioria das vezes, ocasionando alguns travamentos rápidos, além de ações erradas e diferentes da vontade do jogador. Ainda assim, é possível jogar bem e se divertir. Só é preciso ter paciência para responder frases erradas por conta de uma interface falha, como é comum acontecer. 

Ruim é a falta de opção de legendas em português. Para quem desconhece o idioma inglês, é bem difícil entender o que deverá ser feito em seguida. Isso pode ser particularmente difícil em uma cena em que é preciso entender sinônimos e palavras semelhantes às de componentes de uma máquina que McFly tenta fazer funcionar. 

Back to the Future Ep 1 (Foto: Divulgação)Back to the Future Ep 1 (Foto: Divulgação)

Conclusão 

Mesmo com defeitos na jogabilidade por conta dos comandos touchscreen, Back to the Future Ep 1 é um jogo imperdível para os fanáticos por um dos clássicos cinematográficos de ficção científica, ícone dos anos 80. Para quem aprecia uma boa história e gosta de jogospoint-and-click, também é uma ótima pedida. Mas é bom estar afiado no inglês: a menos que entenda a língua estrangeira, a compreensão do roteiro (no qual está grande parte da graça do game) poderá ser bastante comprometida. 

 

Nota TechTudo

NOTA tt
9.0
Gráficos
9
Jogabilidade
8
Diversão
10
Som
10

Prós

  • - Enredo fiel ao espírito do filme
  • - Originalidade
  • - Atuação dos dubladores

Contras

  • - Interface touchscreen falha
  • - Sem tradução para o português
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