Jogos de estratégia

NOTA tt
7.3

Review Civilization VI

Civilization VI decepciona com bugs e inteligência artificial, mas melhora nos gráficos e traz novidades

Caio Fagundes
por
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Civilization VI é o novo jogo da série de estratégia do lendário game designer Sid Meier e desenvolvido pela Firaxis Games. Lançado para PC (Windows e Mac), a edição da 2K Games traz novidades e se mantém fiel à tradição que o primeiro Civilization começou há 25 anos: explorar, expandir e exterminar. Entretanto, o jogo traz uma quantidade grande de problemas em seu lançamento que podem ofuscar as boas mudanças.

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Ambiente familiar

O game traz alguns conceitos novos para a série, embora não sejam suficientes para deixar os fãs da franquia perdidos. Se você jogou a quinta edição, a adaptação será bem rápida, pois há uma função específica para facilitar o processo, chamada a “conselheira”. Ela pode ser habilitada no menu de opções, com dois modos, sendo um para jogadores familiarizados com a série e outro para fãs de jogos de estratégia como um todo.

Civilization VI é familiar para fãs da série e didático com novatos (Foto: Reprodução / Caio Fagundes)Civilization VI é familiar para fãs da série e didático com novatos (Foto: Reprodução/Caio Fagundes)

Se você não se encaixa em nenhum dos dois perfis a recomendação é jogar o tutorial, que consegue ser didático e divertido ao mesmo tempo. Nele você aprenderá a premissa principal do título: desenvolver a sua civilização desde a Era Antiga. É possível obter uma vitória Científica, Religiosa, Cultural ou por Dominação, e cada uma tem as suas peculiaridades. Até então, nada de novo.

Ar fresco

A principal mudança ficou para o sistema de distritos especializados. Eles são criados para aumentar bônus específicos em sua cidade – como produção e cultura – e adicionam uma camada de estratégia nova ao jogo. Cada um deles possui melhorias internas que potencializam seus efeitos – distritos de entretenimento possuem estádios de futebol como melhorias, por exemplo.

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Outra mudança ficou na área de pesquisas, que foi dividida pelas árvores de tecnologia e cívica. Na prática, as tecnologias trazem avanços científicos e as cívicas liberam novas políticas. O novo recurso é bem vindo, mas vem com uma interface péssima e pouco intuitiva. Isso porque algumas melhorias passivas importantíssimas – como permitir que suas unidades terrestres entrem no mar – não possuem ícones dentro da árvore, o que dificulta bastante a visualização e o planejamento futuro.

Interface de pesquisas em Civilization VI é pouco intuitiva e dificulta planejamento (Foto: Reprodução / Caio Fagundes)Interface de pesquisas em Civilization VI é pouco intuitiva e dificulta planejamento (Foto: Reprodução/Caio Fagundes)

Há mais uma novidade que também afeta as pesquisas, mas de uma maneira muito mais interessante. Os momentos “eureca” trazem avanços em pesquisas ao completar objetivos específicos. Assim como os distritos, isso adiciona uma nova camada de estratégia em que, para desbloquear tecnologias rapidamente, o jogador precisa cumprir esses momentos na ordem correta.

Botando "o dedo na ferida"

As novidades possuem falhas, embora sejam facilmente solucionáveis. Já os problemas antigos da série, continuam sem solução e nunca incomodaram tanto. A inteligência artificial é absolutamente estúpida, e não há uma maneira sutil de dizer isso. O problema é tão grave que é melhor deixar as negociações diplomáticas de lado para não se irritar.

Nem Dom Pedro II tem interesse pelo sistema de negociações em Civilization VI (Foto: Reprodução / Caio Fagundes)Nem Dom Pedro II tem interesse pelo sistema de negociações em Civilization VI (Foto: Reprodução/Caio Fagundes)

Com a adição de novas camadas estratégicas – principalmente a mecânica de distritos – , é fundamental que a inteligência artificial seja capaz de interpretar essas camadas para tentar aproveitá-las ao máximo. Não é o caso de Civilization VI. É comum ver seus inimigos fundando cidades em áreas com pouca capacidade de exploração. Pior do que isso é quando eles constroem distritos em áreas com melhorias naturais, que são perdidas nesse processo. Parece que as decisões são completamente aleatórias, e isso vai na direção contrária da proposta do jogo.

O comportamento em batalhas também é um ponto negativo, fazendo com que, muitas vezes, os inimigos fiquem andando de um lado para o outro sem rumo, esquecendo-se de atacar inimigos adjacentes. A capacidade de decisão do computador é tão ruim que, ao jogar nas dificuldades Imperador, Imortal e Divindade, os povos inimigos começam com um colonizador a mais. Em Civilization V isso só acontecia na dificuldade Divindade, a mais alta de todas. Parece uma tentativa preguiçosa de tentar deixar o jogo mais desafiador, e que mesmo assim não surte efeito.

Não é difícil abrir vantagens gigantescas em Civilization VI (Foto: Reprodução / Caio Fagundes)Não é difícil abrir vantagens gigantescas em Civilization VI (Foto: Reprodução/Caio Fagundes)

A única melhoria na inteligência artificial fica por conta dos bárbaros, que agora são um pouco mais agressivos e podem oferecer um desafio interessante, no início do jogo. As conversas entre representantes de outras nações também ficaram um pouco mais naturais, mas é uma pena que seja quase impossível estabelecer qualquer relação diplomática diferente de entrar em guerra. A mecânica de negociações é tão frustrante que a melhor solução parece ser ignorá-la por completo.

Aspectos técnicos

Mais uma vez, Civilization não consegue resolver os problemas de performance do jogo. É totalmente compreensível, já que um game com uma escala gigantesca, como a desse, realmente exige bastante memória e processamento, embora, ainda assim, a impressão que se passa é a de que ainda há espaço para otimizações. Isso porque o jogo conta com muitos bugs e erros absolutamente grosseiros de tradução para o português. Sendo assim, é possível que mais alguns meses de teste ajudassem a entregar um produto final mais polido e eficiente. Felizmente, o modo visão estratégica ajuda na performance e é bem bonito.

Visão estratégica de Civilization VI é bonita e ajuda na performance (Foto: Reprodução/Caio Fagundes)Visão estratégica de Civilization VI é bonita e ajuda na performance (Foto: Reprodução/Caio Fagundes)

Na parte gráfica, as melhorias são bastante claras. Ficou tudo mais limpo e bonito. O destaque fica para os monumentos que, assim como os distritos, preenchem bem o espaço da cidade e dão uma noção de complexidade maior para o seu império. Os governantes também receberam uma bela repaginada, e, agora, tem um estilo estético que mistura o realismo com características cartunescas, com ótimos resultados.

A trilha sonora, como de costume, é maravilhosa. Há variações específicas para cada povo em diferentes eras, o que tenta deixar a experiência mais imersiva. A tentativa é o mais próximo possível de tornar uma música de fundo agradável em um jogo com partidas tão demoradas quanto Civilization. Mesmo assim, é provável que na segunda partida você já enjoe desligue de vez o som.

Cidades ficaram bonitas e complexas em Civilization VI (Foto: Reprodução / Caio Fagundes)Cidades ficaram bonitas e complexas em Civilization VI (Foto: Reprodução/Caio Fagundes)

Conclusão

Civilization VI tinha tudo para ser um game perfeito, caso mantivesse o que deu certo e melhorasse os problemas do seu antecessor. Se assim ocorresse, o jogo se configuraria como absolutamente irretocável. Entretanto, o resultado é o contrário: a inteligência artificial saiu do ruim para o péssimo e os problemas de performance persistem. Os bugs e a falta de clareza na interface só servem para acentuar os erros do game, e as boas novidades não são o suficiente para esconder suas falhas. Ainda é um bom jogo, mas, por enquanto, Civilization V é uma opção mais completa, ainda que lançado em 2010.

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Nota TechTudo

NOTA tt
7.3
Gráficos
9
Jogabilidade
4
Diversão
7
Som
9

Prós

  • Belos gráficos
  • Ótima trilha sonora
  • Mecânica de distritos
  • Fiel às raízes da série

Contras

  • Inteligência artificial estúpida
  • Interface pouco intuitiva
  • Problemas de performance
  • Muitos bugs
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  • Comentador Franco
    2016-10-25T17:53:25

    Pra mim um dos maiores defeitos do Civilization em geral era a inteligência artificial muito rígida, que sempre conseguia colocar as cidades nos pontos mais vantajosos e com poucos turnos de jogo já tinha um exército enorme, além das negociações que SEMPRE eram frustradas, quase que aparecia escrito na tela: nós somos os NPCs e vamos nos unir contra vc, player! Parece que o primeiro problema veio ao contrário, e o segundo continua lá intocado.