Impressora

NOTA tt
7.0

Review Cube 3D

Testamos a primeira impressora 3D disponível para os brasileiros. Confira o review completo da Cube 3D.

Renato Bazan
por
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Parece coisa de ficção científica, mas já existe no Brasil: desde o meio de 2013, a impressora doméstica 3D Cube já pode ser comprada em território nacional. Apesar de a tecnologia ter sido excessivamente exposta na mídia especializada, a pouca disseminação desses equipamentos nas casas e escritórios ainda gera muitas dúvidas quanto ao potencial e às limitações dessa nova modalidade de materialização digital.

Foi na intenção de esclarecer mais sobre essas pequenas maravilhas que o TechTudo buscou ter acesso ao primeiro modelo de impressora tridimensional no Brasil. Testamos a Cube de todas as formas possíveis por duas semanas. Confira o resultado abaixo.

A impressora Cube3D, da 3D Systems, tem acabamento atraente e preço acessível, comparada às concorrente (Foto: Renato Bazan/TechTudo)A impressora Cube3D, da 3D Systems, tem acabamento atraente e preço acessível, comparada às concorrente (Foto: Renato Bazan/TechTudo)

A primeira impressão que a Cube passa ao usuário é a de total estranhamento, pois sua finalidade incomum exige um formato igualmente incomum. Ocupando pouco menos de 40 cm³, ela é um item que se encaixa facilmente em qualquer lugar, e seu funcionamento exige apenas o cabo de energia e o encaixe do cartucho de plástico na lateral, tornando sua instalação física fácil. Ela vem nas cores branco, vermelho, verde, azul e prata.

Um ponto muito positivo para a Cube é que, ao contrário da enorme maioria das concorrentes no mercado hoje, ela tem um acabamento em plástico que esconde todos os seus componentes de forma bastante bela, resultando em um objeto que verdadeiramente parece um produto final. Sua interface é bem pensada, também: ao invés de ter dezenas de botões espalhados por sua superfície, a Cube concentra todos os comandos em uma touchscreen resistiva de 1,5 polegada monocromática localizada em sua base, de boa sensibilidade.

Por um bico aquecido, a Cube constrói seus modelos depositando camada por camada de plástico, da base ao topo (Foto: Renato Bazan/TechTudo)Por um bico aquecido, a Cube constrói seus modelos depositando camada por camada de plástico, da base ao topo (Foto: Renato Bazan/TechTudo)

Software

O mesmo não pode ser dito de seu software. A etapa inicial exige a instalação de um firmware que só pode ser acessado depois do registro da máquina no site Cubify da montadora 3D Systems e inserção de código na tela de toque, que então busca por conexões Wi-Fi para se atualizar. Depois disso, o usuário ainda precisa voltar no site da Cubify se quiser baixar o software de impressão 3D via computador, disponível para Windows e Mac, e os problemas de incompatibilidade de drivers nesse caso são gravíssimos. Em nossos testes, aliás, nem mesmo conseguimos fazer com que a impressora se comunicasse via cabo com os computadores.

Por mais que seja possível usar pen drives ou fazer transmissões pelo Wi-Fi para transportar arquivos entre PC e impressora, os conflitos de comunicação cabeada são inaceitáveis. Para agravar a situação, a comunicação Wi-Fi com os dispositivos próximos é muito lenta e exige a inserção da senha da rede cada vez que a máquina é ligada, usando apenas as setas para cima e para baixo na escolha de cada letra. É torturante, e força o usuário a depender do pen drive.

O software proprietário da Cubify é muito limitado em suas opções de edição, lê apenas arquivos STL e é intermediário obrigatório para a Cube (Foto: Reprodução/Cubify)O software proprietário da 3D Systems é muito limitado em suas opções de edição, lê apenas arquivos STL e é intermediário obrigatório para a Cube (Foto: Reprodução/Cubify)

Imprimindo 'queimando plástico'

A instalação conflituosa, contudo, perde importância no primeiro instante de funcionamento da Cube. Logo ao ligar, a máquina passa a emitir um som de ventoinha bastante característico, e seu comando de imprimir exige poucos toques. Uma vez instruída a construir um objeto, ela aquece seu bico depositor por alguns segundos e sobe a placa de vidro à altura máxima, traçando linhas de plástico ao som de uma orquestra de servomotores muito audível. Aí se revela um outro aspecto decepcionante da máquina: mesmo para objetos pequenos, como uma peça de xadrez, a Cube pode levar até duas horas na construção. Em nosso teste mais extenso, de um tanque de guerra maciço de 9 cm de altura, o tempo total bateu as 13 horas. É preciso paciência.

Depois de toda a espera, o resultado final das impressões é controverso. Feitas de plástico ABS ou PLA, as estátuas impressas são reconstruídas pelo software da Cube para economizar o máximo de material possível no enchimento, substituindo moldes maciços por linhas estruturais transversais que só são cobertas pelas últimas camadas de plástico. Isso resulta em construções que, dependendo da economia, podem ser muito frágeis, eliminando uma série de possíveis usos práticos para os objetos da Cube. A contradição é que, por toda a economia nos objetos sólidos, ela gasta material abundantemente na construção de alicerces para partes suspensas no ar, chegando a depositar mais plástico embaixo do objeto do que no corpo dele.

O preenchimento econômico das peças compromete a resistência daquelas com maior área de contato (Foto: Renato Bazan/TechTudo)O preenchimento econômico das peças compromete a resistência daquelas com maior área de contato (Foto: Renato Bazan/TechTudo)

Além disso, a impressora parece demonstrar certa dificuldades em alguns movimentos, deixando imprecisões graves em extremidades estreitas e rebarbas abundantes em estátuas com espaços vazios horizontais. Formas muito verticais de bases estreitas, então, são praticamente impossíveis de serem impressas, pois correm grande risco de distorção total.

Isso nos leva à percepção de uma realidade que precisa ser frisada: tanto na Cube como em quase qualquer impressora 3D doméstica hoje disponível no mercado, o processo de impressão é apenas 50% da construção de qualquer coisa. Por causa da limitação no tamanho do prato (apenas 14×14 cm), do uso de um material de uma única cor e da falta de acabamento inerentes ao uso de um braço robotizado, o usuário precisará cortar, lixar, pintar e até montar o resultado de cada procedimento antes de vê-lo como imaginava. E tudo isso será caro, ainda, porque cada cartucho de 1 kg é suficiente para apenas 30 estruturas de médio porte.

Modelos verticais com bases estreitas, como essa girafa, são tarefas impossíveis para a Cube, que além de perder a linha, gasta uma enormidade de material com alicerces (Foto: Renato Bazan/TechTudo)Modelos verticais com bases estreitas, como essa girafa, são tarefas impossíveis para a Cube, que além de perder a linha, gasta uma enormidade de material com alicerces (Foto: Renato Bazan/TechTudo)

A criação digital de novos modelos 3D é outro ponto que causa disconforto. Como a maioria das pessoas tem dificuldade em criar seus próprios desenhos no Sketch-Up ou AutoCAD, se faz necessário buscá-los pela Internet, em sites como o Google Warehouse ou o Thingiverse. O problema, porém, é que o sofware de ajustes para impressão da Cube importa apenas arquivos no formato STL, exigindo outros softwares de conversão, e ainda assim precisa fazer um procedimento próprio (e bastante artesanal) para imaginar cada modelo no prato de impressão.

O formato final “.cube”, proprietário do site Cubify, é o único tipo de arquivo que pode ser impresso, e suas opções de edição nesse estágio final são limitadas a tamanho e posição. Isso faz com que cada modelo 3D que o usuário encontre pela Internet precise passar por muitos passos até chegar a uma linguagem que a Cube compreenda – e muitas vezes, para formas muito detalhadas ou com chapas 2D, o programa de impressão simplesmente trava.

A maravilha de poder criar

Todas essas limitações, quando resumidas assim, podem fazer a Cube parecer um produto de má qualidade, mas ela está longe disso. De fato, entre as impressoras 3D dedicadas ao usuário final e na mesma faixa de preço, ela está entre as opções mais atraentes. Há, de fato, uma magia indescritível na tarefa de se ver um objeto na tela do computador e, horas depois, poder tocá-lo com as mãos. Pode-se construir quaisquer formas e, por serem construídas em camadas, definir detalhes internos de complexidades que seriam impossíveis através de entalhes manuais, cujas ferramentas só trabalham o exterior dos materiais.

Apesar da precisão adequada na impressão, a Cube exige que o usuário trabalhe no acabamento final dos modelos, removendo rebarbas e estruturas de apoio (Foto: Renato Bazan/TechTudo)Apesar da precisão adequada na impressão, a Cube exige que o usuário trabalhe no acabamento final dos modelos, removendo rebarbas e estruturas de apoio (Foto: Renato Bazan/TechTudo)

Custo-benefício

A aplicação desses modelos são as mais variadas: além do usuário que busca a liberdade para materializar seus modelos 3D por diversão, profissionais que precisam de protótipos rápidos, artistas em busca de novas formas criativas e pessoas que precisem repor pequenas peças com frequência terão a vida muito facilitada pela Cube. Apesar de sua lentidão, imprimir uma peça para um jogo de tabuleiro ou um porta-papel ainda é mais fácil e rápido do que ter que se deslocar atrás de um. Com experiência, o processo de conversão de modelos 3D no computador se torna mais fácil, e a escolha entre 16 cores diferentes de material abre possibilidades, entre vibrantes, neutras, metálicas e fosforescentes.

A brincadeira, infelizmente, não saiu barato, e o preço único da Cube 3D fica em R$ 6.398 em terras brasileiras. Com cada cartucho custando R$ 280, e a promessa do uso de muitos deles, é preciso considerar com cautela a necessidade dessa tecnologia, nesse estágio de penetração de mercado.

Impressora Cube 3D (Foto: TechTudo/Arte)Impressora Cube 3D (Foto: TechTudo/Arte)

Nota TechTudo

NOTA tt
7.0
Design
9
Funcionalidades
6
Desempenho
7
Custo-benefício
4

Prós

  • * Materializar modelos 3D;
  • * Acabamento exterior esconde motores, trilhos e partes sensíveis;
  • * Interface touch de fácil navegação;
  • * Lê arquivos em entrada para pen drive;
  • * Trabalha com plásticos ABS e PLA;

Contras

  • * Instalação inicial é muito inconveniente;
  • * Cartucho é caro e dá para apenas 30 modelos médios;
  • * Incompatibilidade por cabo e lentidão pelo Wi-Fi;
  • * Processo para conversão em arquivo imprimível é complicado;
  • * Incapaz de construir modelos verticais com bases estreitas.
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  • Alexandre Lima
    2014-01-11T21:38:03

    É a típica tecnologia que mudará a cara do planeta e quem aprender primeiro, terá mais vantagens que os outros, por isso esse tipo de tecnologia deveria ter ZERO DE IMPOSTOS e o governo deveria estimular o aprendizado dessa nova tecnologia e seus programas 3D.

  • Lazaro Santos
    2014-01-07T11:54:26

    Vou comprar essa impressora é imprimir varias dessas para vender !

  • Pedro Reis
    2013-12-17T14:39:30  

    Eu iria imprimir meu currículo em 3d. Quem sabe eu arrumo um emprego e paro de ficar postando bobagens em espaços para comentários.

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    • Pedro Reis
      2013-12-17T14:39:30  

      kkkkkkkkkkkk e tem muitos por ai precisando ao menos dessa intensão! Boa ideia irmão!!!

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    • Pedro Reis
      2013-12-17T14:39:30  

      kkkkkkkkkk muito bom

  • Rafael Soares
    2013-12-17T12:31:24

    Vou comprar para imprimir PS4 e vender por apenas 1.999