Jogos de RPG

NOTA tt
9.0

Review Deus Ex 3: Human Revolution

Em um futuro não muito distante, a tecnologia com seus avanços acelerados pode atingir um novo patamar na evolução da espécie humana. Essa evolução baseia-se na clássica mistura entre o homem e a máquina, criando assim seres com habilidades superiores. Pessoas com componentes cibernéticos poderiam correr mais depressa, pensar rapidamente, ganhar super força e levantar objetos bem pesados, entre várias outras coisas.

Alexandre Silva
por
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Nome: Deus Ex: Human Revolution
Gênero: Ação
Distribuidora: Square Enix (Distribuído no Brasil pela Arvato Games)
Plataformas: PS3, Xbox 360 e PC 

Deus Ex: Human Revolution (Foto: Divulgação)Deus Ex: Human Revolution (Foto: Divulgação)

Em um futuro não muito distante, a tecnologia com seus avanços acelerados pode atingir um novo patamar na evolução da espécie humana. Essa evolução baseia-se na clássica mistura entre o homem e a máquina, criando assim seres com habilidades superiores. Pessoas com componentes cibernéticos poderiam correr mais depressa, pensar rapidamente, ganhar super força e levantar objetos bem pesados, entre várias outras coisas. 

Tudo isso parece ser bem legal, mas tem o outro lado da história. Assim como na vida real, mudanças dessa magnitude que afetam diretamente o corpo humano geram controvérsias, polêmicas, grupos de ativistas a favor da pureza da humanidade e conflitos. Também existem as grandes corporações que dominam os interesses das pessoas, e muitas teorias conspiratórias envolvendo pessoas corruptas. 

Essa é uma boa definição do mundo de Deus Ex: Human Revolution – um lugar onde apenas os ricos se dão bem e a miséria é abundante em meio à grande tecnologia – e é um lugar que você poderia não querer viver, mas adoraria passar algumas horas por dia nele. 

Deus Ex 3: Human Revolution (Foto: Divulgação)Deus Ex : Human Revolution (Foto: Divulgação)

O retorno das cinzas 

Em Deus Ex: Human Revolution você conhece a história de Adam Jensen, que é chefe de segurança da Sarif Industries, uma companhia norte-americana especializada em biotecnologia. Mas os avanços feitos pela empresa são muito grandes, e nem todas as pessoas são favoráveis a esse progresso. A vida de Jensen muda depois de um ataque feito por um grupo de mercenários na empresa, onde ele acaba sendo ferido mortalmente. 

Mas Jensen escapa por um fio da morte, depois de ser usado como uma cobaia da própria empresa, em uma de suas últimas novidades em aperfeiçoamento, trazendo o personagem de volta à vida de uma forma, digamos, diferente. Não exatamente como ele era antes, e muito menos sob a sua vontade. Durante o jogo percebemos um personagem altamente frio, que não esboça um sorriso no rosto, mesmo quando solta uma piada ou um comentário sarcástico para alguém. Também é possível ver durante o jogo evidências de um homem perturbado com sua nova vida, e que mal consegue olhar sua própria imagem. 

Novo Deus Ex teve cenas censuradas no Japão  (Foto: Divulgação)Deus Ex : Human Revolution  (Foto: Divulgação)

Com essa nova vida, e você no controle, o jogo te leva para vários países diferentes, mostrando uma grande mistura de culturas e filosofias de vida, bem como a opinião pública a respeito do transhumanismo, a marca principal da série. É nessa hora que o novo Adam entra em ação. Ação essa que em muitos momentos lembra jogos como Metal Gear Solid, no que diz respeito à ação furtiva, mas o jogo tem a sua própria identidade, personagens marcantes e um enredo intrigante. 

A atmosfera de Deus Ex: Human Revolution tem a capacidade de tragar o jogador para dentro dela, tamanho o nível de imersão existente. Detalhes pequenos como e-mails sobre assuntos aleatórios em computadores hackeados, jornais e revistas fazem o jogador ficar cada vez mais antenado sobre o ambiente virtual ao seu redor, e a repercussão do transhumanismo ao redor do mundo. 

De fato foi um grande desafio para a Eidos Montreal colocar um nome tão aclamado quanto Deus Ex em Human Revolution, sem medo de queimar o prestígio da série. Mas uma coisa rara aconteceu, e o que temos é um jogo que consegue se manter no mais alto nível dos lançamentos mais recentes, com suas qualidades e defeitos. Sim, o jogo tem seus defeitos, mas que não conseguem ofuscar o brilho de um trabalho tão bem executado por seus criadores. 

A liberdade que o jogador tem em Human Revolution é bem grande, onde ele pode adotar um estilo de jogo e investir nesse estilo sem medo de se arrepender por suas escolhas. Esse é o primeiro ponto a favor do jogo: O seu livre arbítrio, que não te prejudicará no decorrer da história.  

Você pode ser um verdadeiro fantasma que entra em prédios sem que ninguém veja a sua sombra, ou pode ser a reencarnação da morte, e entrar pela porta da frente da base inimiga, ceifando as vidas que cruzarem seu caminho. Fica a seu critério. E todos os estilos de jogabilidade dão uma imensa sensação de prazer, literalmente. É muito bom você se sentir o todo-poderoso com seus novos poderes biônicos, impressão que é fortalecida com o visual frio do herói. 

Misturas de culturas e opiniões marcam o mundo de Deus Ex (Foto: Divulgação)Misturas de culturas e opiniões marcam o mundo de Deus Ex (Foto: Divulgação)

Mil e uma utilidades 

Comentar a respeito da jogabilidade de Deus Ex: Human Revolution de uma forma justa requer um certo cuidado, pois cada um dos aspectos do jogo merecem ser abordados separadamente. O jogador tem habilidades distintas que ao serem evoluídas, facilitam o trabalho de Jensen de várias formas. Tais habilidades são: Hacking, Combat, Stealth e Social. 

A começar pelo hacking, essa é uma das habilidades fundamentais logo no início do jogo. Por isso, a dica que damos é que não perca muito tempo e gaste alguns pontos de habilidades (Praxis) nas habilidades de hacking assim que possível, pois assim seu personagem terá maior facilidade em extrair informações de terminais, pegar itens e pontos extra de experiência a cada tentativa de hack bem sucedida, desativar câmeras, alarmes e muito mais. 

Deus Ex: Human Revolution (Foto: Divulgação)Deus Ex: Human Revolution (Foto: Divulgação)

Para hackear um terminal, o jogador precisa vencer um mini-game onde ele precisa capturar pontos em um mapa, até atingir o seu objetivo que é um ponto verde. O problema é que a cada ponto capturado pelo jogador, existe uma chance de que o sistema de segurança da rede detecte a sua invasão, e um contador começa a correr, simbolizando o rastreamento da rede sobre seu invasor (você).  

Caso o tempo se esgote, você é expulso da rede e precisa aguardar um tempo para tentar hackear de novo. Se falhar repetidas vezes, a rede é permanentemente bloqueada, e você precisa procurar outra forma de obter a informação necessária. 

Apesar de no início o mini-game de hackear terminais parecer meio confuso, em pouco tempo o jogador se acostuma e consegue invadir rapidamente as redes. Claro que as habilidades de Jensen ajudam ele a se manter oculto na rede por mais tempo, e verificar o conteúdo oculto de pontos não-capturados com itens.  

Mini-game usado para hackear terminais (Foto: Divulgação)Mini-game usado para hackear terminais (Foto: Divulgação)

Por falar nisso, existem dois itens fundamentais para quem gosta de hackear coisas: Um worm chamado “Stop”, que paralisa o tempo de rastreamento da rede por alguns segundos, e o vírus “Nuke”, que captura um ponto instantaneamente, sem correr o risco de ser detectado pelo firewall. Ambos os itens são escassos durante o jogo, e precisam ser usados com sabedoria ou em momentos perigosos. 

Um ponto que deixa a desejar no quesito Hacking é a inutilidade de algumas habilidades, como a capacidade de controlar robôs sentinelas e armamentos de segurança espalhados pelo mapa. A razão disso é porque existem poucos terminais que te dão a chance de controlar a segurança de uma determinada área, e quando isso acontece, geralmente existe outra opção mais vantajosa do que abrir fogo direto contra o inimigo. Outro problema é que para se chegar nessas salas com os terminais especiais, você normalmente precisa derrubar os inimigos que, supostamente, gostaria de matar com os robôs. Como os pontos Praxis são escassos e caros, não é muito aconselhável que se gaste nessa habilidade logo de cara. 

Deus Ex 3: Human Revolution (Foto: Divulgação)Deus Ex 3: Human Revolution (Foto: Divulgação)

Liberte o agente ou o assassino dentro de você 

O combate de Deus Ex mistura dois tipos de jogos de ação: Primeira pessoa com terceira pessoa. Dessa forma, o jogador pode se esconder com o botão de cover atrás de alguma parede ou objeto, e a visão em primeira pessoa passa para uma perspectiva em terceira, que mostra uma boa visão do cenário à sua volta. Isso é fundamental para planejar o seu avanço no território inimigo e não deixa o jogador com “pontos cegos” no mapa, o que mostra um ótimo trabalho com os ângulos das câmeras. 

Claro que, se você não tiver muita paciência, poderá sair matando todos os inimigos em sua frente, mesmo que isso pareça uma tarefa suicida. Apesar de Adam ter o corpo coberto de implantes cibernéticos, ele ainda é um ser humano, e cada tiro que atinge o jogador faz com que ele se lembre disso e pense duas vezes antes de encarar três soldados pela frente. É possível vencê-los, mas é importante falamos de outro ponto forte do jogo, que é a inteligência artificial.  

O jogador pode se esconder em dutos de ventilação, e se os soldados inimigos verem isso, jogarão granadas dentro dos espaços estreitos, bem como abrir fogo em qualquer abertura que haja entre os dutos. Ainda assim, a IA do jogo não é perfeita. Em alguns momentos, o jogador corre para o duto de ar e o inimigo fica parado na frente da entrada, em pé, sendo um alvo fácil de ser abatido. Outras vezes, porém, o soldado fica abaixado e atira dentro do duto. 

Deus Ex: Human Revolution (Foto: Divulgação)Deus Ex: Human Revolution (Foto: Divulgação)

A parte furtiva do jogo (stealth) não deixa a desejar. A qualidade da IA dos inimigos também pode ser vista durante os momentos de patrulha dos soldados. Diferente de jogos como Metal Gear Solid, onde um soldado faz uma trajetória pré-determinada, anda e olha apenas para frente, os soldados de Deus Ex agem com maior naturalidade, virando a cabeça para o lado enquanto anda em linha reta, ou virando de costas repentinamente, o que pode pegar o jogador de surpresa. Quando ficam alertados com algum barulho, ficam bem paranóicos e atentos, dificultando a vida do jogador. Como é de se imaginar, não existe um padrão de comportamento do inimigo quando eles estão desconfiados, o que aumenta ainda mais a emoção de passar por ele sem ser visto. 

Mas a combinação primeira e terceira pessoa fazem bem o seu trabalho, no que diz respeito ao planejamento tático do herói. Tomando cuidado com os ruídos (o abrir e fechar de uma porta já alerta um inimigo próximo), se escondendo sempre que não sentir que é a hora de avançar e ter paciência são os segredos do sucesso nessa hora. Você pode derrubar um inimigo com armas tranquilizantes ou letais, mas o mais importante é esconder o seu corpo antes que outros soldados vejam e todos entrem em alerta. 

Uma habilidade bem útil para Adam, independente do seu estilo agressivo ou furtivo de jogar, é o Takedown. Para acioná-la, aproxime-se do inimigo e aperte o tecla Q (na versão PC) para que a câmera mude para a terceira pessoa, vendo Jensen realizar uma bela animação de combate. Usar esse recurso pode salvar sua vida inúmeras vezes, mas não é uma forma de apelar no jogo, pois seu uso é limitado por barras de energia que são mostradas no alto da tela. Apenas a primeira barra é carregada automaticamente com o tempo, e as demais precisam ser repostas com itens que lembram barras de cereais. 

Além disso, executar um Takedown faz um certo barulho e se for uma execução letal, fará ainda mais barulho, alertando quem estiver próximo do personagem. Com isso em mente, lembre-se de tomar cuidado ao imobilizar/executar um inimigo, para que as coisas não fiquem ainda piores para o seu lado e esconda logo o seu corpo. 

Um dos inúmeros computadores que podem ser hackeados no jogo (Foto: Divulgação)Um dos inúmeros computadores que podem ser hackeados no jogo (Foto: Divulgação)

Cara fechada sim, anti-social não 

Por fim, temos a parte social do jogo, onde as palavras valerão mais do que seus punhos ou armas. Existem algumas disputas de diálogo que Jensen faz com alguns personagens, o que mostra uma grande novidade ao jogo, mas ainda assim com seu lado negativo. Vamos por partes: O lado positivo disso é que as discussões com os personagens são muito bem feitas, e o jogador precisa pensar em qual tipo de resposta dar para determinada situação. Conforme você vai falando a sua resposta, o rosto da pessoa que está ouvindo reage de acordo, o que é algo bem legal, mas não, não chega ao nível de qualidade facial de um L.A. Noire, apesar de ser aceitável. 

O lado negativo da parte social é justamente a sua escassez. São poucas as vezes que Jensen precisa convencer um personagem a mudar de idéia ou dar-lhe uma informação, o que é uma grande pena, pois essas conversas geram um grande nível de tensão entre o jogador e a próxima coisa que ele irá falar. Outro ponto negativo disso é a facilidade em se vencer um diálogo. Existe uma habilidade especial de Jensen que permite analisar a personalidade de quem está falando com ele, e caso precise forçar um pouco a barra com a pessoa, é possível liberar hormônios que forçam a pessoa a agir de uma forma que normalmente não agiria. 

O problema disso é que mesmo sem essa habilidade social instalada, as discussões sociais ainda são fáceis. Na verdade, mesmo quando tentamos falhar em uma conversa, ainda acabamos conseguindo o objetivo correto. Seria muito bom se a Eidos Montreal colocasse mais desses momentos no jogo, que dão uma sensação semelhante aos diálogos de Mass Effect

O sistema de cover do jogo funciona muito bem, e os inimigos farão uma varredura para localizá-lo (Foto: Divulgação)O sistema de cover do jogo funciona muito bem, e os inimigos farão uma varredura para localizá-lo (Foto: Divulgação)

Mil e uma utilidades, novecentas que valem a pena 

Se existe um grande problema em Deus Ex, esse problema é a falta de utilidade de certas habilidades, como por exemplo, a conhecida como Typhoon. Com essa habilidade, Jensen libera alguns explosivos de seu corpo em um raio de 360 graus, acabando com tudo que está dentro dessa área. Mas o problema dessa habilidade é justamente o curto alcance e o fato de você precisar virar um kamikaze para executá-la. Realmente não faz sentido, uma vez que é mais provável você ser alvejado até a morte do que eliminar todos os inimigos que estão de olho em você. Com isso, fica mais uma dica: Evite de início a Typhoon e seus upgrades, pois não são muito úteis e sua munição é difícil de ser encontrada. Mais uma vez, isso dependerá do seu estilo de jogo. 

As outras skills não são completamente inúteis, muito pelo contrário, elas tem maior utilidade de acordo com o seu estilo de jogo, que é bem versátil. Uma pena que algumas habilidades, como as visuais, tenham sido tão pouco exploradas pelos desenvolvedores. Jensen pode ver pessoas através da parede, rastreá-las no mapa e algumas outras coisas, mas algumas novas idéias relacionadas à visão aprimorada do herói seriam interessantes. O mesmo vale para outras habilidades legais do personagem, onde fica a leve sensação de que poderiam haver maiores níveis disponíveis e não tem. 

Deus Ex 3: Human Revolution (Foto: Divulgação)Deus Ex 3: Human Revolution (Foto: Divulgação)

No fim das contas, vale a pena? 

A parte visual do jogo, a essa altura do artigo, parece até desnecessária dizer, mas é sim muito boa. Não é inovadora, tendo em vista a qualidade visual de jogos da atual geração, mas os detalhes são bem trabalhados. Independente da plataforma em que for jogá-lo, tanto no PC, Xbox 360 ou PS3, os gráficos irão te impressionar. Com cenários bem detalhados, ótimas animações das habilidades do personagem e um lindo contraste de preto e dourado que é predominante na maior parte do jogo, é justo dizer que os gráficos são lindos. A dublagem dos personagens é decente, bem como o som das armas e explosões, que são fortes e realistas, como uma explosão deve ser. 

Dadas às circunstâncias, é evidente que Deus Ex: Human Revolution é um jogo cheio de conteúdo, garantirá algumas dezenas de horas de diversão e que tem um fator replay bem alto. Você pode começar novamente o jogo, tomar decisões diferentes, e um estilo diferente que muda completamente a sua estratégia. Se você era um fã do primeiro Deus Ex do ano 2000 ou está conhecendo a série somente agora, é bem provável que não se arrependerá de conhecer esse jogo, que traz tudo o que os antigos fãs gostariam, e acima de tudo, consegue manter a qualidade da franquia em alta, ao contrário de tantas séries que vemos por ai, em que cada sequência é um passo rumo à decadência. 

Em outras palavras, Human Revolution é um jogo que faz jus ao nome “Deus Ex” e à grandiosidade que esse nome sugere ao ser pronunciado. 

Conclusão

Se você era um fã do primeiro Deus Ex, lançado em 2000, ou está conhecendo a série somente agora, é bem provável que não se arrependerá de conhecer esse jogo, que traz tudo o que os antigos fãs gostariam, e acima de tudo, consegue manter a qualidade da franquia em alta. Em outras palavras, Human Revolution é um jogo que faz jus ao nome "Deus Ex" e a grandiosidade que esse nome sugere ao ser pronunciado. 

Nota TechTudo

NOTA tt
9.0
Gráficos
9
Jogabilidade
9
Diversão
8
Som
8

Prós

  • - Variedades no estilo de jogo.
  • - História longa e interessante.
  • - Belas animações de combate.

Contras

  • - Habilidades não muito úteis
  • - Escassez em discussões
  • - Pequenas falhas na I.A.
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  • Jessica Alves
    2016-06-13T15:55:41

    Eu ganhei pelo live gold, e é um jogo muito bom.