Por Alexandre Silva; Por TechTudo


Depois de quase uma década de espera, finalmente Diablo 3 chegou aos PCs de todo o mundo. Neste review, mostraremos que toda essa (longa) espera valeu a pena, e mesmo sendo lançado no início de 2012, já aponta como o favorito ao prêmio de Melhor Jogo do Ano.Confira:

O retorno das forças do mal

diablo3-logo (Foto: diablo3-logo) — Foto: TechTudo

A história de Diablo 3 coloca uma conclusão na trilogia que apresenta a guerra entre o céu e o inferno, anjos e os demônios. Não é uma história ruim, mas não é algo inesquecível. Apenas conclui a história e deixa uma pequena brecha para um capítulo extra ou algo do tipo.

Vinte anos depois dos acontecimentos de Diablo 2, o mundo parece ter voltado ao normal. Até que, de repente, uma luz é vista no céu e cai na terra, onde ao mesmo tempo forças do mal começam a surgir na cidade de Nova Tristram, próximo da catedral onde tudo começou há muitos anos. Um guerreiro (dependendo da classe escolhida pelo jogador) é enviado para a cidade, com a missão de descobrir a razão do surgimento dessa estrela.

Muitos outros eventos paralelos aconteceram durante os vinte anos, e o jogador pode aprender mais sobre o lorde de Diablo 3 através de vários documentos que podem ser coletados durante as aventuras, além de muitas cutscenes que possuem uma qualidade de animação simplesmente maravilhosa. Na primeira vez que estiver jogando, vale a pena ver cada uma das animações. Assim que se termina o jogo e já se sabe toda a história, é possível pular as animações e assisti-las sempre que necessário no menu.

Diablo 3 (Foto: Divulgação) (Foto: Diablo 3 (Foto: Divulgação)) — Foto: TechTudo

A essência está presente

Aos jogadores novatos na série, e que não conhecem os jogos anteriores, entendam que o sistema de Diablo 3 é bastante simples: Avance no cenário eliminando monstros, pegue muitos itens, e repita o processo com inimigos cada vez mais fortes e itens cada vez melhores. É um sistema simples e comprovadamente viciante – igual a Diablo 2.

O sistema de combate é bem fluído e diversificado. Graças às classes e habilidades exclusivas de cada uma delas, é possível adotar formas diferentes de se jogar e matar diversos monstros. Isso tudo com uma progressão de personagem que não faz o jogador se sentir entediado, e acima de tudo frustrado – com exceção do nível de dificuldade Tormento (ou Inferno na versão americana), onde a experiência se torna um verdadeiro desafio que nem todos podem (ou precisam) apreciar.

Diablo 3 (Foto: Divulgação) (Foto: Diablo 3 (Foto: Divulgação)) — Foto: TechTudo

Ao longo da aventura, existem monstros chamados de “elite”, que são mais difíceis que o resto. Eles possuem habilidades especiais e, em certos momentos, podem representar um enorme desafio, especialmente em dificuldades além do nível normal. Isso exige um planejamento estratégico por parte do jogador e seus companheiros de grupo.

Uma coisa que se tornou bem mais justa em Diablo 3 foi a eliminação das imunidades em elementos. Seu antecessor tinha monstros que podiam ter imunidades a fogo, gelo ou raio. Se seu personagem era especializado em apenas um desses elementos, o monstro era virtualmente impossível de ser derrotado.

As imunidades não existem mais, entretanto, outros elementos bem frustrantes foram adicionados, como a capacidade dos inimigos de aprisionar o jogador, causar dano em área, deixar os monstros ao seu redor invulneráveis (é necessário matar o líder para derrotá-los), e vários outros. Mesmo que sejam extremamente difíceis em alguns momentos, dão ao jogador uma chance – mesmo que mínima – de derrotá-los.

Diablo 3 (Foto: Divulgação) (Foto: Diablo 3 (Foto: Divulgação)) — Foto: TechTudo

Nostalgia no visual

Embora os jogos de RPG da geração atual possuam belos gráficos 3D e um mundo igualmente bonito - com total liberdade da câmera - em Diablo 3 o que vemos é o mesmo estilo de seu antecessor, com uma câmera fixada na diagonal. Este é um dos pontos que causa uma certa divisão de opiniões entre os fãs, onde alguns acham o estilo visual um tanto quanto antiquado, enquanto outros consideram um fator nostálgico da série. O fato é que, mesmo com a câmera fixa, a jogabilidade não é comprometida e a visibilidade é bem clara, independente de um ambiente claro ou escuro.

A nova Interface de Usuário de Diablo 3 é simples, mas tem pontos que poderiam melhorar. A janela de habilidades, separada em seis outras janelas, deixa o processo de escolha dos poderes meio demorada, caso o jogador queira fazer uma troca rápida em meio a uma batalha séria. Contudo, essa é a única coisa realmente negativa das mudanças.

Através das opções de jogo, é possível personalizar várias informações que podem ou não ser exibidas na tela, como a barra de vida dos inimigos, a quantidade de dano dos golpes ou curas, o tempo que o nome dos itens aparece na tela, entre outros.

A parte social do jogo também melhorou muito em relação aos antecessores. Com o clicar de um botão pode-se entrar no jogo de seu amigo e vice-versa, manter contato com eles mesmo estando em outros jogos e filtrar opções de bate-papo, como em outros MMORPG.

Também vale ressaltar todo o trabalho da Blizzard em colocar o jogo totalmente em português. É divertido demais acompanhar as aventuras de seu personagem em diálogos na linguagem local, em vozes que ficaram famosas em personagens como Sr. Madruga (do seriado Chaves) e Shrek (personagem da Dreamworks).

Diablo 3 (Foto: Divulgação) (Foto: Diablo 3 (Foto: Divulgação)) — Foto: TechTudo

A Casa de Leilão e a economia do jogo

A Casa de Leilão é um lugar onde os jogadores podem comprar ou vender os itens adquiridos nas aventuras, a preços bem baratos – ou nem tanto. Atualmente, as transações podem ser feitas em ouro (a moeda do jogo), dólar dos Estados Unidos (US$) ou reais (R$). Em todas as opções, é possível que todo o valor arrecadado com as vendas seja enviado para sua conta da Battle.net, e assim ser usado em outros produtos da Blizzard. Outra alternativa é enviar o valor para uma conta do PayPal e assim resgatá-lo (por enquanto apenas para transações em US$).

Cada transação (incluindo as que são feitas em ouro do jogo) cobra uma taxa de 15% do valor do item, exceto se for feita em dólar e enviada diretamente para a conta Battle.net. Nesse caso, é cobrada uma taxa equivalente a US$ 1,00. Essa taxa também está presente nos envios de valores ao PayPal, juntamente com os 15% do valor do item.

Assim que o jogador acessa a casa de leilão, já se depara com uma lista de itens recomendados para seu personagem – que geralmente são bem melhores que os atuais equipados. Isso estimula a compra e facilita o progresso do jogador de uma forma que nem todos os fãs podem gostar: a necessidade de adquirir itens rapidamente para avançar no jogo em níveis altos de dificuldade. Se o jogador preferir não comprar absolutamente nada no leilão, pode se preparar para sofrer bastante até ganhar itens que valham a pena serem equipados.

Diablo 3 (Foto: IGN) (Foto: Diablo 3 (Foto: IGN)) — Foto: TechTudo

De uma forma geral, a Casa de Leilão pode gerar uma certa renda ao jogador e muita renda para a Blizzard, que decidiu oficializar uma prática que já era realizada desde a época de seus antecessores, por meios alternativos. De maneira alguma isso é algo errado, mas é difícil negar que o sistema econômico do jogo não favoreça mais o usuário dos leilões do que o jogador que apenas quer se aventurar nas missões.

Atualizações recentes deixaram o nível Tormento (Inferno) mais fácil e jogável, mas também alteraram um pouco a forma como a economia se desenrola. Os custos de reparos das armas e equipamentos aumentou significativamente, sendo necessário a utilização de mais ouro no jogo. Como não existem mais os pontos estratégicos para se coletá-lo com mais facilidade no jogo (uma prática conhecida como “farm”), só resta um lugar para se obter ouro com mais facilidade: a Casa de Leilão, que também realiza transações de “câmbio”, vendendo ouro virtual por dinheiro real.

Algo também relacionado à economia do jogo de certa forma, é a taxa de queda de itens raros pelos inimigos poderosos. Parece que é mais difícil conseguir bons itens em chefes principais, e itens melhores nos bandos de monstros elite. Talvez essa diferença seja para evitar os chamados “boss rush”, onde os jogadores apenas enfrentavam os chefes no modo multiplayer, afim de pegar seus itens. Dessa forma, o jogador precisa correr por todo o mapa para encontrar os monstros elite e coletar seus itens, aumentando o desafio.

Diablo 3 (Foto: Divulgação) (Foto: Diablo 3 (Foto: Divulgação)) — Foto: TechTudo

Conclusão

Em comparação com seu antecessor, Diablo 3 evoluiu muito, e compensou tantos anos em produção. Independente dos problemas técnicos que acompanharam o jogo durante seu lançamento, e que provavelmente serão consertados em atualizações futuras, é muito divertido matar centenas de monstros, em meio a um campo de batalha. Ao jogar com outros amigos, é possível perceber o quão divertido é ficar matando demônios e coletando itens, em um estilo que o próprio Diablo proporcionou. E se um jogo consegue divertir seus jogadores, logo ele cumpre sua missão como produto, e isso, Diablo 3 faz muito bem.

9

Gráficos
8
Jogabilidade
10
Diversão
10
Som
9

Prós

  • - Jogabilidade tradicional
  • - Belas animações
  • - Diversão no modo multiplayer
  • - Totalmente em português

Contras

  • - Enredo pouco envolvente
  • - interface pouco dinâmica

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