Jogos de RPG

NOTA tt
7.0

Review Dungeonland

DungeonLand é um jogo de ação e estratégia, no qual três jogadores devem entrar em elaboradas masmorras de um parque de diversões e sobreviver aos desafios criados pelo Dungeon Maestro, que também é controlado por um player.

Felipe Velloso
por
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DungeonLand é um jogo de ação e estratégia, no qual três jogadores devem entrar em elaboradas masmorras de um parque de diversões e sobreviver aos desafios criados pelo Dungeon Maestro, que também é controlado por um player. É como se Diablo se encontrasse com Dungeon Keeper, em uma roupagem bem mais colorida e casual.

Dungeonland (Foto: Divulgação)Dungeonland (Foto: Divulgação)

O jogo é o primeiro trabalho da Critical Studios, uma desenvolvedora carioca de games, e foi publicado pela renomada Paradox Interactive da Europa Universalis. DungeonLand também foi o primeiro título brasileiro a figurar entre os dez jogos mais vendidos do Steam, durante a semana de seu lançamento.

A jogabilidade no Parque de Diversões

Com uma visão isométrica, comum a todos os jogos do estilo, você poderá escolher entre o Guerreiro, o Ladrão e o Mago, todos com três subclasses diferentes. Cada um destes possui 3 ações/ataques únicos, da barreira de Fogo do Mago piromante até o escudo protetor do Guerreiro, assinalados aos dois botões do mouse e a tecla Q. O movimento se baseia no tradicional WASD, com a tecla de espaço para desvios e o F para uso de poções.

Infelizmente, DungeonLand não tem um bom modelo de progressão. Você pode comprar novos Perks com o dinheiro que ganha nas fases, pequenas habilidade que aumentam o dano ou te curam ao longo do tempo, mas estará sempre limitado a “equipar” apenas dois deles ao mesmo tempo (algo bem comum a FPSs). Os itens também seguem a mesma tendência de não progressão, por mais que eles sejam bacanas visualmente, os chapéus, armas e armaduras se resumem a modificar a estética de seu personagem e não acrescentam nenhum atributo.

Tela de escolha de personagens e equipamentos (Foto: Dad's Gaming Addiction)Tela de escolha de personagens e equipamentos (Foto: Dad's Gaming Addiction)

Entendemos que a idéia da desenvolvedora era criar uma experiência de jogo onde qualquer jogador, seja ele iniciante ou avançado, pudesse entrar em uma fase de DungeonLand e jogar junto sem sentir diferença de dificuldade, ou ficar em desvantagem um em relação ao outro. Ao mesmo tempo, essa situação faz com que haja pouco incentivo para continuar jogando, fazendo com que você acabe deixando o belo parque de diversões de lado em pouco tempo.

A coisa mais bacana mesmo é ser o Dungeon Maestro, vulgo DM, e antagonizar os heróis. Antes de começar uma partida, você poderá comprar cartas e montar um baralho de recursos contra os outros jogadores. Armadilhas, monstros, itens falsos, chefões e feitiços, são apenas algumas das opções disponíveis na mão do antagonista.

Uma batalha em DungeonLand (Foto: Dad's Gaming Addiction)Uma batalha em DungeonLand (Foto: Dad's Gaming Addiction)

Durante o jogo, você poderá usar suas cartas e controlar os seus servos na busca pela aniquilação dos heróis, usando Mana como recurso para seus poderes, o que limita um pouco as habilidades absolutas do GM. Mesmo assim, é extremamente fácil vencer os outros jogadores, basta apelar para o uso das ameaças mais poderosas ao mesmo tempo ou controlar determinadas criaturas demasiadamente fortes (como os Patos. Sim, os Patos).

Para o jogo ter graça você precisa de um bom jogador controlando o Dungeon Maestro, alguém que saiba que seu papel não é necessariamente vencer, mas se divertir junto com os demais. Infelizmente, não existe nenhum incentivo mecânico para se jogar apropriadamente. Seria ideal que o jogo recompensasse o DM que mantivesse os jogadores “sofrendo” por mais tempo, ou se ele ganhasse o dobro ou o triplo de pontos se o chefe final fosse responsável pela morte dos heróis.

A melhor parte do jogo: ser o GM e ferrar com os jogadores (Foto: Dad's Gaming Addiction)A melhor parte do jogo: ser o GM e ferrar com os jogadores (Foto: Dad's Gaming Addiction)

Em muitos sentidos o modo GM baseado em cartas, somado ao formato de “quebra-cabeça” no chão dos cenários, faz com que DungeonLand se pareça muito com o famoso jogo de tabuleiro Descent: Journey in the Dark. O que parece ser uma influência importante ou uma grande coincidência.

O cenário, a falta de uma história e problemas no Single-Player

DungeonLand se passa inteiramente dentro de um Parque de Diversões, com três atrações diferentes para se escolher que consistem sempre de duas fases mais um chefão. Não existe uma história no jogo, não sabemos quem são os personagens, e nem tão pouco quem é este GM vestido de Bobo da corte. Dado que o design e o estilo do jogo são excelentes, só podemos lamentar e pensar que teria sido muito legal saber mais sobre este trio esquisito e seu antagonista louco.

Mesmo sabendo que DungeonLand é um jogo completamente voltado para o modo multiplayer, a ausência de qualquer história incomoda, até para dar variedade ao jogo. Em Diablo 3, quase todas as Dungeons aleatórias que aparecem nos mapas têm uma pequena história diferente que ajuda a materializar mais um pouco o game e seu universo. Magicka, também da Paradox, é outro que faz isto de maneira excelente e que mantém um clima e jogabilidade bem similares a DungeonLand.

Eventualmente as batalhas de DungeonLand se tornam repetitivas (Foto: Dad's Gaming Addiction)Eventualmente as batalhas de DungeonLand se tornam repetitivas (Foto: Dad's Gaming Addiction)

Com um mínimo de história, ao invés de, em todas as fases o objetivo ser matar hordas infinitas de inimigos e chegar ao final, ocasionalmente poderíamos ter variações básicas como defender um NPC ou um lugar, recuperar um item mágico ou até mesmo pequenas missões um pouquinho mais elaboradas.

A dificuldade do jogo é bem acentuada, e se você jogar o modo Single-Player ela já começará automaticamente no hard. O que é ainda mais complicado, já que os bots que te acompanham são sempre muito ruins e incapazes de usar uma poção de cura para se manterem vivos. No fim, jogar sozinho só serve mesmo para aprender o bê-á-bá de DungeonLand e entrar de vez no modo multiplayer.

Apresentação

Nos quesitos estéticos, DungeonLand supera as expectativas. O design dos personagens é muito bom e caricato, tornando-os clássicos instantâneos. Os inimigos também são bem pensados e divertidos, desde a Fênix gorda até as versões degeneradas de mascotes da Disney.

O excelente design de heróis em DungeonLand (Foto: Divulgação)O excelente design de heróis em DungeonLand (Foto: Divulgação)

O cenário, meio tabuleiro, meio parque de diversões, também é igualmente interessante. Infelizmente, com apenas três atrações, falta muita variedade ao jogo, contribuindo mais uma vez para que você deixe de jogá-lo rapidamente. Ainda que o estúdio prometa que logo haverá mais opções neste quesito, um jogo só deveria ser lançado quando ele está pronto e a falta de mais conteúdo é injustificada.

A música também é bem bacana e combina muito bem com o cenário do jogo, em um misto estranho de medieval com realejo circense. As vozes dos personagens são um pouco cansativas e, depois de algumas horas de jogo, as falas “espertinhas” perdem a sua graça.

Visual bonito e vibrante, mas muito sangrento (Foto: Divulgação)Visual bonito e vibrante, mas muito sangrento (Foto: Divulgação)

Os gráficos são bonitos e vibrantes, bem estilizados e fogem do realismo, o que é ainda melhor para a proposta de DungeonLand. Praticamente qualquer máquina conseguirá rodar o jogo sem muita dificuldade, ainda que os Bugs ocasionais (como um pouco de memory leak) possam interromper as partidas no meio.

Um destaque positivo, mas que era praticamente obrigatório no caso deste jogo, é dizer que ele pode ser jogado inteiramente em Português. Basta mudar a língua no menu de opções de DungeonLand.

Conclusão

Apesar de extremamente divertido, DungeonLand é um jogo curto que ainda precisa se desenvolver muito em termos de conteúdo. O modo multiplayer jogado de maneira “ideal”, isto é, com um GM humano e três amigos controlando os heróis, transforma o título em uma experiência única de diversão casual no seu PC, mas jogar sozinho, ou ao lado de bots acaba denegrindo demais a proposta do jogo.

Claro que é necessário levar em conta que o título custa mais ou menos 1/6 do preço de um game normal para PCs e videogame, e que garante horas de diversão por um custo menor do que uma ida ao cinema.

Nota TechTudo

NOTA tt
7.0
Gráficos
8
Jogabilidade
7
Diversão
7
Som
8

Prós

  • - Ótimo design
  • - Modo DM divertido
  • - Multiplayer empolgante
  • - Preço acessível
  • - Jogo em português

Contras

  • - Sistema de progressão
  • - Pouca variedade
  • - Sem história
  • - Péssimo single player
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  • Jonathas Santos
    2013-02-09T14:42:03

    se o multiplayer ta nos pros então ja vale a pena comprar na minha opnião quase comprando ele

  • Carlos Gomes
    2013-06-05T20:48:32  

    SE O JOGO É BRASILEIRO PORQUE NÃO USARAM UM VERSÃO NO NOSSO IDIOMA.

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    • Carlos Gomes
      2013-06-05T20:48:32  

      Provavelmente porque eles querem um público maior.