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Por Victor Alcaíde Teixeira; Por TechTudo

TechTudo

Dying Light, o mais novo game da Techland, foi disponibilizado no dia 27 de janeiro para PlayStation 4, Xbox One e PC. Considerado o primeiro grande lançamento do ano, o título promete uma jogabilidade inovadora, além de um aguardado ciclo entre dia e noite. Confira o review completo!

O mercado já demonstrou que a temática de zumbis faz sucesso. O fato é que, com tantos títulos de sobrevivência, como DayZ, Dead Rising, H1Z1, Resident Evil e State of Decay, será que ainda há espaço para mais uma franquia com seres infectados?

Dying Light Review (Foto: Reprodução/Victor Teixeira) — Foto: TechTudo

Em Dying Light, o jogador assume o papel de Kyle Crane, vulgo 31. Ele é agente especial da GRE, uma organização responsável por cuidar dos sobreviventes em uma zona de quarentena. As pessoas que vivem na Torre, uma das principais localidades, não são conhecidas pelos nomes reais.

A região é Harran, uma cidade da Turquia, conhecida por ser o único local do mundo afetado por um misterioso vírus. O objetivo do destemido protagonista é aparentemente simples: localizar e recuperar um documento sigiloso que acabou caindo em mãos erradas. Se as informações forem divulgadas, uma catástrofe poderá acontecer.

O início da aventura pós-apocalíptica (Foto: Reprodução/Victor Teixeira) — Foto: TechTudo

No decorrer da aventura, Crane precisa cumprir certos favores para conseguir se aproximar de Suleiman (conhecido em Harran como “Rais”), o déspota que supostamente está com o arquivo em mãos. Durante a primeira cena protagonizada pelo agente infiltrado, ele acaba sendo atingido por um dos mortos-vivos.

Assim como os outros sobreviventes que foram infectados, Crane precisa da vacina Antizina, capaz de inibir a propagação dos efeitos do vírus. Aliás, diversas missões principais e secundárias giram em torno da incessante busca pela valiosa cura temporária. Em consequência, há atividades bastante repetitivas, cuja dinâmica consiste em ir do ponto A até o ponto B para buscar ou levar algo.

Além de decapitar zumbis e pisoteá-los até as tripas deixarem os corpos, o herói também precisa lidar com membros de grupos locais que, cá entre nós, são mais perigosos e ágeis do que qualquer morto-vivo.

Harran está infestada de criaturas grotescas (Foto: Reprodução/Victor Teixeira) — Foto: TechTudo

Não pense que, logo nos primeiros minutos de jogatina, será possível explorar a cidade de Harran. O início da jornada pós-apocalíptica é morno e pouco impactante, já que o título apresenta com detalhes todas as mecânicas que integram o gameplay.

Na verdade, o tutorial ajuda muito. Afinal, ele introduz os principais elementos do jogo, como a dinâmica de missões, a inédita movimentação de parkour, o sistema de upgrades e, é claro, o arsenal de itens e armas.

Ao longo dos primeiros minutos, o jogador também poderá lidar com o excelente sistema de criação de itens herdado de Dead Island. A grande novidade é, sem dúvida, o parkour. Sob uma perspectiva em primeira pessoa, Crane é capaz de alcançar qualquer plataforma vertical, independentemente da altura.

Os movimentos de parkour vão ajudá-lo a alcançar locais importantes (Foto: Reprodução/Victor Teixeira) — Foto: TechTudo

A última vez que o parkour esteve presente em um jogo de primeira pessoa foi em Mirror’s Edge, lançado em 2008. Assim como na vida real, a arte do deslocamento é difícil de ser dominada em Dying Light.

Durante as primeiras horas de jogatina, será comum cair ou errar a execução dos movimentos. Isso porque que o personagem ainda não terá desbloqueado novas habilidades, e o jogador ainda não estará tão familiarizado com a mecânica de direcionar o herói para o local desejado.

Diferentemente de Assassin’s Creed, cujo parkour é executado através de um único botão, em Dying Light, você precisará mirar com precisão para não despencar de um prédio, por exemplo. Isso significa que cada movimento - por mais simples que seja - precisa ser estudado com cautela antes de ser executado.

Além disso, após diversas horas acumuladas durante a campanha, Crane será capaz de usar um arpéu para se locomover com mais velocidade. O acessório não é novidade, já que também fez sucesso em Far Cry 4 e Just Cause 2. Além disso, ele funciona muito bem com o parkour, garantindo mais fluidez na jogabilidade.

Há diversas classes de zumbis em Dying Light (Foto: Reprodução/Victor Teixeira) — Foto: TechTudo

O combate foi influenciado por Dead Island, porém, está mais técnico. Assim, o jogador deverá analisar friamente a movimentação dos inimigos antes de atacar, uma vez que cada investida consome uma grande quantidade de energia. Dessa forma, não adianta sair batendo em todos os zumbis de forma desenfreada com um pé de cabra, pois você certamente ficará exposto e incapaz de se esquivar e contra-atacar.

Diferentemente de Dead Island, as armas duram muito mais tempo e também podem ser reparadas diversas vezes. É claro que tudo vai depender da qualidade do item e, obviamente, das características individuais. A variedade de armamentos é grande, assim como as insanas combinações. Quanto mais você se dedicar à exploração, maiores serão as suas chances de ampliar o arsenal com facas elétricas e espadas raras.

Não se espante com a quantidade de itens e acessórios espalhados por Harran. Um dos pontos mais positivos é a variedade de combinações que Crane pode realizar. Vasculhar os ambientes de forma minuciosa é uma necessidade (quase uma obrigação) para quem pretende passar um bom tempo ao lado da população infectada.

Vasculhe todos os ambientes do game (Foto: Reprodução/Victor Teixeira) — Foto: TechTudo

O mapa de Harran não é imenso, mas é extremamente detalhado, com inúmeras construções e objetos. Um dos aspectos mais bacanas de Dying Light é a possibilidade de entrar em qualquer residência no melhor estilo RPG. Algumas localidades estão trancadas. Mas, independente das poucas casas restritas, ainda existem diversas construções abertas e prontas para serem exploradas.

Durante o período de testes, em pouco mais de 25 horas de jogo, passamos cerca de oito horas perambulando esconderijos, vasculhando cabines telefônicas e veículos abandonados, abrindo baús e empilhando corpos despedaçados.

O sistema de upgrades também merece elogios. A partir do momento em que novas habilidades são desbloqueadas, a dinâmica muda totalmente, dando uma sensação maior de liberdade. No total, temos três árvores de skills: sobrevivência, força e agilidade.

O medidor de força aumenta gradualmente durante os embates contra os zumbis. Execuções pouco comuns, como atirar um morto-vivo em uma armadilha mortal, por exemplo, concedem uma quantidade de pontos maior.

Aprimore habilidades específicas (Foto: Reprodução/Victor Teixeira) — Foto: TechTudo

No caso da agilidade, para que novos movimentos de parkour sejam desbloqueados, será preciso dominar a arte do deslocamento, com saltos precisos e sequências de manobras perfeitas. Por fim, o medidor de sobrevivência sobe de acordo com as missões concluídas.

Em um determinado momento da jogatina, o personagem estava desproporcionalmente evoluído em agilidade, pois sempre fugíamos dos mortos-vivos. Logo, tivemos que estripar alguns zumbis para desbloquear habilidades inéditas de combate, visando balancear ambas especialidades.

Enquanto de dia os zumbis estão mais “zen” e em bandos menores, o período da noite abriga as mais diversas aberrações, incluindo a aterrorizante criatura conhecida como Volátil.

De noite, o número de infectados aumenta, assim como o nível de dificuldade. Por esse motivo, os pontos de experiência conquistados são duplicados para incentivá-lo a sobreviver à esse aterrorizante período.

O jogador pode usar um dos locais seguros para dormir. Com isso, você ainda acelera o ciclo entre dia e noite. Assim que o relógio marcar nove horas, sobreviver será a sua principal preocupação.

À noite, a coisa fica séria (Foto: Reprodução/ Victor Teixeira) — Foto: TechTudo

Durante o período noturno, o jogo é outro. Há diversos momentos realmente tensos que só acontecem a noite, e a mísera lanterna não dará conta da exorbitante quantidade de aberrações sedentas por sangue.

Os movimentos de parkour não são suficientes para fazê-lo escapar das numerosas hordas de inimigos e, por isso, é necessário adotar táticas de stealth para alcançar certas localidades.

Com exceção dos zumbis mais poderosos, a inteligência artificial é de chorar: muita vezes passamos ao lado dos zumbis sem a menor preocupação. Durante a noite, quando os mortos-vivos estão em maior número, o problema de IA acaba sendo ofuscado pelo volume de inimigos.

Dying Light sabe fazer o sangue jorrar na tela (Foto: Reprodução/Victor Teixeira) — Foto: TechTudo

Dying Light surpreende pela qualidade visual e pela quantidade de detalhes que preenchem Harran. Cada região da cidade turca possui uma identidade visual única, o que poucos games conseguem proporcionar.

Você pode perambular favelas, pontes destruídas, belíssimas praias, vilarejos, túneis e complexas áreas industriais. A diversidade é de cair o queixo, assim como os impressionantes efeitos de iluminação, que conseguem dar muito mais vida ao vasto mundo aberto.

Até o presente momento, Dying Light é, sem dúvida, um dos jogos mais bonitos da atual geração. Não é à toa que a Techland abandonou as versões de Xbox 360 e PlayStation 3 para se dedicar exclusivamente ao projeto “next-gen”.

A versão de PlayStation 4 roda em 1080p e 30 fps, enquanto o Xbox One roda em 900p e 30 fps. Já no PC, como de costume, os jogadores podem desfrutar da melhor qualidade possível.

Visual exibe detalhes minuciosos (Foto: Reprodução/Victor Teixeira) — Foto: TechTudo

Na parte sonora, a atmosfera é intensificada por grunhidos, crepitações e barulhos vindos do além, especialmente no período noturno. A trilha sonora também apresenta faixas bem compostas, conduzidas por densas melodias de sintetizadores.

O modo multiplayer “Be the Zombie” foi incorporado de última hora ao conteúdo do game original. Inclusive, ele foi anunciado como um DLC. A modalidade possibilita que o jogador assuma o papel de um zumbi superpoderoso, capaz de percorrer os cenários com movimentos rápidos parecidos com os de parkour. Ainda que seja uma grande novidade, a dinâmica se torna repetitiva depois de partidas consecutivas.

Já o modo cooperativo proporciona uma experiência mais imersiva, possibilitando a inclusão de três jogadores no esquadrão. Você pode finalizar a campanha ao lado dos amigos, assim como concluir todas as atividades secundárias. No decorrer da jogatina, o game ainda promove alguns desafios competitivos interessantes, como, por exemplo, quem consegue matar o maior número de zumbis em menos tempo.

Apesar disso, faltou originalidade no momento de transportar outros players para a partida dos amigos. Afinal, todos os coleguinhas possuem o mesmo personagem no cooperativo. Isso mesmo, o que você verá na tela são outros Cranes idênticos ao seu.

Aniquile zumbis ao lado de amigos (Foto: Reprodução/Victor Teixeira) — Foto: TechTudo

Durante os testes, depois de um longo tempo de jogatina, nos deparamos com um bug bizarro e extremamente frustrante. Nosso personagem nasceu em um local seguro, com a porta trancada pelo lado de fora, ou seja, ficamos sem saída. Reiniciamos o game e, para a nossa surpresa, todas as skills que havíamos desbloqueado foram perdidas, juntamente com todos os itens, acessórios e dólares.

Independente do problema, o progresso na história não foi afetado, o que deixou a situação ainda mais escabrosa. Enfim, o erro frustrou a nossa experiência e, infelizmente, não conseguimos contornar o ocorrido. Esperamos que a Techland resolva os sérios problemas de salvamento automático, já que não é possível criar saves manualmente.

Com um visual que transcende os limites dos jogos de mundo aberto da atualidade, Dying Light consegue proporcionar momentos inesquecíveis, mesmo explorando uma temática onipresente. Embora apresente vacilos pontuais, como missões repetitivas e personagens absolutamente desprezíveis, a experiência como um todo é gratificante.

Qual é seu jogo favorito com zumbis? Comente no Fórum do TechTudo!

8

Gráficos
9
Jogabilidade
8
Diversão
7
Som
8

Prós

  • Cenários extremamente detalhados
  • Movimentação
  • Combate dinâmico
  • Ciclo entre dia e noite
  • Árvores de habilidades
  • Grande variedade de itens e acessórios
  • Cooperativo intenso
  • Evolução natural do personagem

Contras

  • Missões repetitivas
  • Inteligência Artificial deixa a desejar
  • Pouca variedade de zumbis
  • Coadjuvantes desprezíveis

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