Jogos de ação

NOTA tt
4.5

Review Escape Dead Island

O mais recente título da série Dead Island tenta apresentar o apocalipse zumbi sob um novo ponto de vista mas acaba falhando seriamente na execução, criando um jogo que já alerta que você deve fugir dele logo no nome.

Rafael Monteiro
por
em

Escape Dead Island traz um ponto de vista diferente para o apocalipse zumbi de Dead Island, tanto no sentido figurado quanto literal. O título é em terceira pessoa, diferente dos originais que eram FPS, e traz o repórter Cliff Calos buscando as origens do estouro dos mortos-vivos em Banoi. Infelizmente a execução desse conceito é uma das mais desajeitadas já vista em jogos nos últimos anos. Confira:

Escape Dead Island faz jogador investigar a origem do apocalipse zumbi

Escape Dead Island tem um bom conceito mas executa de maneira péssima (Foto: Dead Island Wikia)Escape Dead Island tem um bom conceito mas executa de maneira péssima (Foto: Dead Island Wikia)

De volta a Banoi

Após os eventos em Dead Island um cerco foi erguido ao redor de Banoi e desvendar os mistérios que aconteceram lá se torna a missão de Cliff Calos, um repórter que deseja provar sua competência a seu pai. Ele começa a jornada acompanhado de seus amigos, Linda e Devan, eles visitam a ilha de Narapela tentando comprovar o envolvimento de uma grande indústria farmacêutica no surto de zumbis, eventualmente tendo que lutar para escapar dessa ilha de mortos.

Por algum motivo que não fica muito claro, Cliff está perdendo a sua sanidade e começa a ter várias alucinações, as quais vão piorando durante o jogo. Então o que começa como uma reportagem investigativa logo se torna uma missão de resgate e fuga, apesar de o personagem não conseguir mais discernir o que é real do que é fantasia.

Em certos momentos você cruzará também com um antigo rosto conhecido, Xian Mei, uma das sobreviventes do Dead Island original. Apesar de familiar de início, pode ser estranho ver como ela realmente é, já que no primeiro jogo os personagens não demonstravam muito suas personalidades.

Xian Mei aparece em Escape Dead Island com sua própria agenda (Foto: Game Front)Xian Mei aparece em Escape Dead Island com sua própria agenda (Foto: Game Front)

Depois de um tempo fica difícil simpatizar pela história do protagonista pois estamos claramente seguindo os passos de um homem louco. Cliff deseja resgatar seus amigos, porém não sabemos realmente o que aconteceu com eles ou se sequer existem. Ficamos correndo atrás de pessoas que ora estão raptadas, ora em segurança, ora vivos, ora mortos, e assim por diante.

Sonífera ilha

O jogo possui apenas a campanha single player que fará você se locomover por vários locais de Narapela, múltiplas vezes. Esqueça toda a liberdade do mundo aberto do Dead Island original, o mundo dessa vez é bem linear e cheio de locais inacessíveis e paredes invisíveis. Não é nem mesmo possível entrar na água quando se está na praia.

Há uma pitada de adventure na exploração, no sentido de que você precisará de certos itens para acessar alguns lugares e terá muito backtracking, aquele vai e vem por pontos em comum e caminhos estreitos no processo. Aliado aos flashbacks de Cliff que constantemente o mandam de volta ao seu ponto de partida, o jogo repete alguns cenários quatro ou cinco vezes.

Cliff volta aos mesmos locais constantemente em Escape Dead Island (Foto: Gameguyz)Cliff volta aos mesmos locais constantemente em Escape Dead Island (Foto: Gameguyz)

Toda a progressão é bastante linear e quando você conseguir escapar um pouco de corredores apertados e uma selva com caminhos predeterminados, será apenas para pegar algum item de bônus. Há vários colecionáveis interessantes no jogo contando um pouco mais sobre a mitologia da série, mas o resto do pacote não motiva a procurá-los. Por exemplo, sempre que você morre, precisa pegá-los de novo.

Lutando como um morto-vivo

Até então a experiência estava razoavelmente sólida, mas o que realmente estraga Dead Island é a sua jogabilidade. Ele se porta como um jogo de ação comum, com um ataque fraco e um forte, alternando combates diretos e momentos em que eliminar furtivamente seus alvos pode ser a melhor opção.

Os problemas começam quando seus ataques não causam muito impacto nos inimigos, um erro clássico que dificulta o combate. Como seus inimigos não param de atacar você quando são atingidos e não há um botão de defesa, você perde muita energia ao lutar com eles. Para piorar, 4 ou 5 golpes são suficientes para morrer.

O combate de Escape Dead Island é extremamente ineficiente (Foto: Gamedoser)O combate de Escape Dead Island é extremamente ineficiente (Foto: Gamedoser)

Isso torna o jogo extremamente difícil e frustrante, pois é muito fácil para que um grupo de inimigos elimine você. Ao morrer você retorna a um checkpoint anterior, normalmente mal colocado, e precisa tentar novamente. Há uma demorada animação de Cliff segurando sua cabeça e depois se levantando, como se sua morte tivesse sido apenas uma alucinação. A animação demora tanto que às vezes você acaba sendo detectado de novo enquanto ela é realizada.

Tentar eliminá-los furtivamente é difícil, porque diferente da maioria dos jogos do gênero onde nossos alvos são soldados patrulhando, zumbis não têm nenhuma tarefa. Caso um morto-vivo decida ficar parado na frente de um corredor olhando pra frente, ele ficará ali para sempre, não há opção de como passar por ele.

É possível tentar atrair zumbis ao bater sua arma em paredes, porém isso nunca é explicado pelo jogo e não funciona bem. Para piorar, falhar em uma tentativa furtiva alerta praticamente todos os zumbis ao seu redor, fazendo ainda com que cadáveres levantem e novos zumbis caiam do teto em locais fechados. Há partes que beiram o impossível e que jogadores comuns não conseguiriam passar.

Muitas vezes você fica encurralado sem chance de sucesso em Escape Dead Island (Foto: GameSpot)Muitas vezes você fica encurralado sem chance de sucesso em Escape Dead Island (Foto: GameSpot)

Quanto às alucinações, elas são bem feitas e até interessantes, mas não possuem muito propósito. Cliff tem episódios tão fortes que seria difícil justificá-los com uma simples pancada na cabeça. O personagem parece estar sob efeito de alucinógenos poderosíssimos.

Seria mais útil se ao menos essas intervenções dos episódios fantasiosos pudessem oferecer alguma coisa a mais, como uma forma diferente de enfrentar inimigos para amenizar o defeituoso combate do jogo. Outro ponto que se destaca é o humor, apesar de um pouco raro. Algumas piadas como “Que bom! Pintaram os barris explosivos de vermelho!” prometem um tom divertido que depois acaba sendo deixado de lado.

Estilo sobre conteúdo

Os gráficos são provavelmente a melhor parte do jogo, mostrando uma aposta arriscada da franquia em um visual cel shading, com aparência de desenho animado, completo com onomatopeias voando com seus golpes e ao interagir com o cenário. A arte realmente salva a parte estética do jogo, lembrando títulos como No More Heroes ou Borderlands.

As alucinações são bonitas e poderiam ser melhor aproveitadas em Escape Dead Island (Foto: Twinfinite)As alucinações são bonitas e poderiam ser melhor aproveitadas em Escape Dead Island (Foto: Twinfinite)

Ninguém sabe fazer um paraíso tropical mais agradável aos olhos do que Dead Island, apesar de sempre deixar a desejar nos outros tipos de cenário. Para uma série que já nos agraciou com um mundo aberto, é decepcionante que haja problemas de objetos surgindo bruscamente ao fundo e grama crescendo milagrosamente em segundos.

Os efeitos apresentados durante as alucinações também são lindos, às vezes deixando o jogo todo em preto e branco, colocando tons fortes de vermelho em alguns locais ou mesmo criando toda uma iluminação dourada. É uma pena realmente que esses momentos não adicionem nada ao jogo além de um show de luzes.

No setor sonoro temos músicas bastante omissas, deixando que constantemente o jogo dê preferência a um silêncio que alimenta tensão. A dublagem está razoável e há poucos efeitos sonoros. É possível perceber que há um zumbi por perto devido ao seu barulho, mas não é muito fácil identificar seu tipo ou localização.

Escape Dead Island é um jogo claramente quebrado e frustrante (Foto: GameSpot)Escape Dead Island é um jogo claramente quebrado e frustrante (Foto: GameSpot)

Conclusão

Escape Dead Island nos dá um alerta importante logo no título, fuja dele. O Dead Island original tinha muitos defeitos de design mas também tinha muitas qualidades, enquanto Escape parece ter ficado apenas com as partes ruins do jogo, salpicadas com algumas novidades que acabam não fazendo tanto sentido. É um jogo repetitivo, frustrante e praticamente sem atrativos que deve ser deixado de lado.


Qual é seu jogo favorito com zumbis? Comente no Fórum do TechTudo!


Nota TechTudo

NOTA tt
4.5
Gráficos
6
Jogabilidade
4
Diversão
3
Som
5

Prós

  • - Gráficos estilizados
  • - Um pouco de humor

Contras

  • - Combate ineficiente
  • - Dificuldade injusta
  • - Repetição exaustiva
Seja o primeiro a comentar

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

recentes

populares