Por Victor Alcaíde Teixeira; Por TechTudo

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The Evil Within é uma obra desenvolvida pelo Tango Gameworks, o novíssimo estúdio de Shinji Mikami, criador da série Resident Evil. Distribuído pela Bethesda Softworks, a jornada sobrenatural de Sebastian Castellanos é um verdadeiro presente aos fãs de terror que, desde Resident Evil 4, não sabem o significado da palavra tensão. Para descobrir se o consagrado diretor ainda sabe o que faz, confira a nossa análise completa.

Esperado jogo de terror, The Evil Within será lançado essa semana (Foto: Moviepilot) (Foto: Esperado jogo de terror, The Evil Within será lançado essa semana (Foto: Moviepilot)) — Foto: TechTudo


Tripas, sangue e corpos decapitados
Em The Evil Within, você assume o papel de Sebastian Castellanos, um dos melhores detetives de Krimson City, cujo objetivo é investigar uma série de homicídios na cabalística clínica psiquiátrica, conhecida como Beacon Mental Hospital.

Não pense que você ficará o jogo inteiro trancafiado com bizarras criaturas em apenas um local. Aqui, Castellanos tentará escapar através de florestas escuras, vilarejos e, é claro, uma sala de tortura habitada por um previsível açougueiro que afia seus instrumentos em tripas humanas.

Aliás, o game usa e abusa dos principais clichês vistos em jogos e filmes de terror, como seres infectados e desfigurados, manequins à la Silent Hill e inúmeros corpos suspensos banhados de sangue.

No quesito jogabilidade, o título incorpora e melhora a mecânica de Resident Evil 4 e ainda acrescenta alguns elementos de sobrevivência e stealth semelhantes aos que fizeram sucesso em The Last of Us. Se o último grande sucesso de Mikami era generoso ao oferecer munições e armamentos, aqui, Castellanos tem que conviver com a escassez de suprimentos.

Alguns itens, como munições, fósforos (que servem para atear fogo nos inimigos, evitando que eles voltem à vida) e seringas, estão muito bem escondidos nos ambientes lineares, portanto, é necessário explorá-los minuciosamente.

Não se engane: Castellanos é um detetive comum, sem superpoderes ou habilidades especiais e, por isso, não consegue trocar socos com criaturas sobrenaturais sem levar a pior. Todos os confrontos são intensos, desafiadores e usar a cabeça é realmente uma necessidade para ficar vivo. O detetive também pode posicionar algumas armadilhas estrategicamente, capazes de finalizar hordas de seres grotescos de uma só vez.

Em The Evil Within, não há lugar para heróis (Foto: Reprodução/Victor Teixeira) (Foto: Em The Evil Within, não há lugar para heróis (Foto: Reprodução/Victor Teixeira)) — Foto: TechTudo

Como de praxe, Mikami não pôde deixar de lado os puzzles que consagraram suas franquias. Você terá que localizar diversas chaves e acessórios para progredir e descobrir compartimentos secretos – tudo que você já deve ter visto em seus outros trabalhos.

Caso você queira aprimorar as habilidades de seu personagem, basta encontrar um espelho para que ele possa transportá-lo para uma outra dimensão – na verdade, ele vai direcioná-lo para o macabro hospital. Lá, Castellanos se acomoda em uma espécie de cadeira elétrica para ter acesso a lista de melhorias.

Através de um componente intitulado de “Green gel”, que pode ser encontrado em lugares estratégicos dos cenários, é possível melhorar armas, características de combate e ainda aumentar a capacidade de armazenar itens. Todos os upgrades podem ser realizados facilmente, graças ao intuitivo menu.

The Evil Within traz o medo para ambas as gerações de consoles (Foto: Moviepilot) (Foto: The Evil Within traz o medo para ambas as gerações de consoles (Foto: Moviepilot)) — Foto: TechTudo

Artisticamente falando, The Evil Within é sem dúvida um dos games mais caprichados e ambiciosos da geração. Manter o personagem estático apenas para apreciar a detalhada cidade de Krimson City será uma de suas atividades mais comuns no decorrer da jogatina.

Se você não tem estômago forte, é melhor passar longe da nova investida de Shinji. Sim, você verá sangue, muito sangue escorrendo pela tela. Além disso, corpos com órgãos expostos e inimigos difíceis de serem encarados também estão presentes para atormentar os seus sonhos.

Acredite se quiser: durante as cutscenes, o jogo perde bastante qualidade. Mesmo no PC e nos consoles da oitava geração, a modelagem dos personagens misteriosamente se torna ultrapassada – especialmente de coadjuvantes, como Leslie, Jimenez e Julie Kidman. Como se não bastasse, Castellanos demonstra não ter sentimentos, já que ao ver sangue e corpos decapitados, o herói age naturalmente, como se as atrocidades fossem algo bem comum.

The Evil Within: Cheats permitem aumentar a taxa de quadros por segundo e ficar imortal. (Foto: Divulgação) (Foto: The Evil Within: Cheats permitem aumentar a taxa de quadros por segundo e ficar imortal. (Foto: Divulgação)) — Foto: TechTudo

Outro ponto negativo fica por conta das duas tarjas pretas presentes nas extremidades da tela, o que diminui consideravelmente o campo de visão do jogador, causando sérios problemas em uma câmera já imprecisa por natureza. Se as faixas horizontais foram inseridas com o intuito de intensificar ainda mais o clima de terror, é bom que os desenvolvedores saibam que elas só servem para atrapalhar a jogatina.

Com relação aos efeitos sonoros, realmente não há do que reclamar. Aliás, a densa e claustrofóbica atmosfera vai prendê-lo do começo ao fim, graças aos grunhidos e crepitações. Ao mesmo tempo em que os barulhos assustam, eles também vão deixá-lo extremamente apreensivo. Prepare-se para se deparar com aquela velha sensação de estar sempre sendo perseguido por algo ou alguém.

The Evil Within é sem dúvida o jogo mais aterrorizante e desafiador do ano – pelo menos até agora. Ainda que a primorosa obra de Mikami possua elementos que estacionaram no passado, ela é uma daquelas experiências que conseguem manter o jogador grudado na tela durante horas (jogando com a luz acesa, é claro); seja pela sua atmosfera claustrofóbica ou simplesmente pela oportunidade de relembrar a mecânica que consagrou o gênero survival horror.

  Review The Evil Within

8.8

Gráficos
8
Jogabilidade
8
Diversão
9
Som
10

Prós

  • Direção de arte impecável
  • Variedade de criaturas grotescas
  • Desafiador até na dificuldade casual
  • Atmosfera claustrofóbica e aterrorizante
  • Mecânica old-school aprimorada
  • Sistema de upgrades simplificado

Contras

  • Câmera imprecisa
  • Tarjas horizontais desnecessárias
  • Visual ultrapassado
  • O protagonista parece não sentir medo

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