Jogos de aventura

NOTA tt
6.8

Review Fallout 76

Em Fallout 76 a missão é sobreviver à guerra nuclear que assola West Viriginia de forma completamente online

Murilo Tunholi
por
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Fallout 76 é a nova aposta da Bethesda para PC, PS4 e Xbox One, que, assim como em The Elders Scrolls Online, decidiu criar um jogo totalmente cooperativo e online no universo pós-apocalíptico da franquia Fallout. Ambientado em uma West Virigna desolada pela radiação, o game promete mostrar, com uma experiência totalmente multiplayer, a história que deu início às guerras nucleares de toda a série. Mas será que essa tentativa foi um sucesso ou um fracasso? Confira, na review a seguir, os motivos que tornam Fallout 76 um caso especial na indústria dos videogames:

Take me home, country roads...

Para começar, Fallout 76 é um jogo completamente online. Não há campanha single player (somente um jogador) sem estar conectado à Internet ou qualquer experiência parecida. O game tenta mirar as referências em MMORPGs de sucesso, como World of Warcraft e Final Fantasy XIV, mas acaba acertando em um multiplayer com servidores baseado em “sessões” com apenas alguns jogadores, como feito em Monster Hunter: World, porém com problemas de latência e pouca gente online.

Fallout 76 é inteiramente multiplayer (Foto: Divulgação/Bethesda)Fallout 76 é inteiramente multiplayer (Foto: Divulgação/Bethesda)




A primeira consideração dessa análise é que Fallout 76 é um título completamente diferente quando jogado com amigos do que quando jogado sozinho. O começo do game é bastante parecido com o de Fallout 4. Você é um sobrevivente de desastres nucleares que estava preso em um cofre de proteção e precisa desbravar o mundo desolado pela radiação. Seu personagem sai do abrigo de número 76 - que é de onde surge o título do jogo - somente com a roupa do corpo e um chapéu de festa, em comemoração ao Dia da Retomada, que é quando os humanos voltam a povoar a Terra. 

O personagem é único para cada jogador (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)O personagem é único para cada jogador (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)




Na parte de fora do cofre, é cada um por si. E não vale pedir por ajuda de NPCs (personagens não jogáveis), até porque não há humanos além de você e outros jogadores em West Viginia. Os NPCs com personalidades carismáticas e linhas de diálogo enriquecedoras para o enredo da obra eram uma das melhores características da franquia, e a Bethesda preferiu deixá-los de lado e os substituir por terminais eletrônicos sem vida que oferecem missões ao jogador e fitas cassete gravadas com áudios de personagens mortos. A pouca história que o jogo tenta contar se torna monótona, pois é como ouvir vozes do além dando ordens ao personagem.

Fallout 76 não tem NPCs humanos (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)Fallout 76 não tem NPCs humanos (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)




A única informação do enredo que o jogador recebe é que este é um prólogo para toda a franquia. Então, é provável que todos os personagens vistos nos jogos da série Fallout são descendentes dos sobreviventes do abrigo de número 76.

É Fallout 4 tudo de novo, só que online

Todas as mecânicas clássicas da série estão de volta. Além de buscar evoluir o personagem, há outras prioridades que precisam ser levadas em conta, como tomar cuidado com a radiação, fome, sede e doenças. Os sistemas de criação de armas e armaduras também retornaram, só que mais limitados para não afetar o balanceamento do jogo. Não é mais possível montar equipamentos diferentes e bizarros como em Fallout 4, mas ainda dá pra dizer que há algum tipo de customização.

Sobrevivência e equipamentos são mais simples que em Fallout 4 (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)Sobrevivência e equipamentos são mais simples que em Fallout 4 (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)

As power armors - armaduras super poderosas resistentes à radiação - também marcam presença no título. Elas são ainda mais importantes agora, já que em Fallout 76 foi adicionada a possibilidade de uma bomba atômica cair em sua cabeça, cortesia de outros jogadores que buscaram um dos códigos de ativação disponíveis no mapa e resolveram ‘nukar’ alguma área de West Virigia. Por que colocaram algo assim em um jogo multiplayer em que o objetivo é se manter vivo? Bom, até que é divertido ver o mundo pegar fogo de vez em quando.

A novidade da vez é o C.A.M.P., um apetrecho dado a todos os jogadores logo no início do game que permite construir e customizar um acampamento para chamar de seu, com direito a estruturas, módulos de defesa, e estações para cozinhar e montar armas e armaduras. O ponto negativo é que ele só dura enquanto você estiver online. O jogo não avisa em momento algum que tudo volta para o inventário assim que a conexão termina. Então, caso o servidor esteja instável, se prepare para precisar reconstruir seu lar-doce-acampamento.

O C.A.M.P. permite levar construções para onde quiser (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)O C.A.M.P. permite levar construções para onde quiser (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)



As missões no território de West Virginia

A experiência de completar missões em Fallout 76 pode ser divertida, se jogado em grupo com amigos ou com jogadores aleatórios que estão no mesmo servidor usando o chat por voz do game. Caso prefira se aventurar sozinho, o simples ato de completar uma quest se torna uma tarefa maçante, pois os objetivos são muito distantes um do outro e ficar correndo por um mapa relativamente grande e deserto não é algo prazeroso, nem mesmo para amantes da série.

As missões de Fallout 76 são chatas se feitas sozinho (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)As missões de Fallout 76 são chatas se feitas sozinho (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)

Sobre o mapa, a Bethesda caprichou na ambientação e na diferença entre atmosferas de cada região de West Viginia. O tamanho é razoável, mas pode ser considerado pequeno por jogadores que estão acostumados com outros jogos de mundo aberto, como GTA V. O que peca é a falta de veículos e a pouca capacidade da barra de PA, os pontos de ação - também chamados de Stamina ou Vigor - necessários para correr e atacar. Não dá para correr por mais de alguns segundos sem o personagem começar a ficar ofegante e diminuir a velocidade até a barra encher novamente.

Tanto durante a Beta quanto no jogo finalizado, levei cerca de 6 horas de jogo para chegar apenas no nível 10. Se eu ignorasse todos os objetivos secundários e seguisse somente a quest principal, talvez não demoraria tanto. Mas não teria graça seguir sempre uma linha reta e deixar de aproveitar os eventos especiais que surgem no mapa, que são missões globais disponíveis para todos os jogadores e que recompensam todos que ajudaram a completá-las, mesmo que minimamente. O sistema é bastante parecido com os Fates, de Final Fantasy XIV.

Evolução e criação de equipamentos

Um dos pontos mais decepcionantes de Fallout 76 foi o sistema de evolução e o S.P.E.C.I.A.L, os atributos do personagem sendo Strength (Força), Perception (Percepção), Endurance (Resistência), Charisma (Carisma), Intelligence (Inteligência), Agility (Rapidez) and Luck (Sorte). Na teoria é bem legal ganhar melhorias aleatórias que podem ser equipadas em cada atributo conforme o personagem evolui. Há cartas que aumentam a resistência a doenças ao comer carne de cachorro, por exemplo. Mas, ao mesmo tempo, não dá pra sentir diferença alguma após evoluir alguns níveis. Meu personagem no nível 15 parecia o mesmo do nível 1.

Evoluir no Fallout 76 não gera resultado visível (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)Evoluir no Fallout 76 não gera resultado visível (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)



Essa sensação de inércia se dá também pela falta de dificuldade dos monstros. Com um pouco de cuidado e tiros bem mirados na cabeça, é possível matar criaturas com mais de 5 níveis acima do seu facilmente. Eu morria muito mais por não estar esperando o renascimento de um monstro que acabei de matar bem do meu lado ou pelo lag causado pela latência alta nos servidores do que pelos ataques em si. A falta de desafio colabora para tornar o jogo cada vez mais entediante.

O sistema de crafting também não ajuda. As armas e armaduras são simples e não têm a mesma personalidade dos jogos anteriores. Se você acha que irá criar um rifle como os de Fallout 4, sinto decepcionar, mas a customização se limita apenas a adicionar escopos de miras e aumentar a capacidade do carregador para munições. As armaduras e roupas mais legais se limitam às vendidas na Loja Atômica, um espaço onde é possível comprar diversos itens por dinheiro real.

Gráficos reciclados

Fallout 76 utiliza a mesma engine e o mesmo motor gráficos de Fallout 4, apenas com algumas poucas melhorias em texturas e iluminação. O jogo tem paisagens bonitas, mas somente quando os cenários são renderizados por inteiro, o que é raro. No TechTudo, o jogo foi testado no Xbox One X, no PS4 e em um PC equipado com uma placa de vídeo Nvidia Geforce 1080ti, uma das mais potentes disponíveis no mercado até o momento, e foi muito comum ver árvores e outros modelos aparecendo do nada, assim como travamentos constantes.

Os gráficos não apresentam melhorias se comparados ao de Fallout 4 (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)Os gráficos não apresentam melhorias se comparados ao de Fallout 4 (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)



Como todo jogo da Bethesda, a engine é melhor otimizada no PC do que nos consoles. Se há bugs na versão para computadores, no Xbox One e no PS4 eles se multiplicam. Fora que jogar Fallout com taxa de frames a 60 quadros por segundo é uma experiência totalmente diferente do que se jogado a 30. Esse mesmo problema foi visto em The Elder Scrolls 5: Skyrim, Doom, entre outros.

Problemas nos servidores

Desde o primeiro dia após o lançamento, os servidores sofrem com instabilidades e lag. O jogo ficou offline durante várias horas porque jogadores decidiram testar o que aconteceria se três bombas atômicas fossem jogadas ao mesmo tempo no mapa. O resultado foi uma quebra instantânea nos servidores da Bethesda. A solução surgiu em um patch de correção de mais de 15GB.

Cada círculo amarelo no mapa é um jogador (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)Cada círculo amarelo no mapa é um jogador (Foto: Reprodução/Murilo Tunholi)


A latência alta é de se esperar, já que os servidores mais próximos do Brasil ficam localizados nos Estados Unidos. Porém, o lag é muito mais agressivo e prejudica mais a gameplay do que em outros MMORPGs. Isso se dá pelo jogo ser um game de tiro e precisar de mira na maioria dos casos. Se não é divertido jogar Call of Duty ou Overwatch com lag, o mesmo pode ser aplicado para Fallout 76, ainda mais por existir a possibilidade de PvP (combate de jogador contra jogador). Creio que as funcionalidades multiplayer seriam melhor aproveitadas se o game fosse funcionasse como a série Borderlands, em que um jogador cria uma sessão para alguns amigos e serve como host para o servidor, anulando qualquer tipo de latência.

Conclusão

O novo capítulo da franquia Fallout ainda precisa de polimento antes de se tornar um jogo que dure para sempre, como é o desejo de Todd Howard, produtor executivo do game. Se você tiver um grupo de dois ou mais amigos que estejam dispostos a se aventurar juntos por West Virginia ou se você é fã da série e quer saber a história por trás da guerra nuclear, vale a pena dar uma chance. Caso você queira um jogo de aventura para jogar sozinho ou aproveitar a história, é melhor esperar algumas semanas ou meses até ele ficar mais barato, ou até mesmo de graça. Fallout 76 tem ideias inovadoras e diferentes, mas a execução ainda não é ideal e acaba manchando uma franquia tão clássica no mundo dos jogos.


Nota TechTudo

NOTA tt
6.8
Gráficos
6
Jogabilidade
7
Diversão
7
Som
7

Prós

  • Experiência inédita na franquia Fallout
  • Divertido quando jogado com amigos

Contras

  • Servidores instáveis
  • Gráficos reciclados
  • Não há diferença ao evoluir de nível
  • Ausência de NPCs
  • Enredo monótono
  • Dificuldade baixa
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