Jogos de aventura

Por Yuri Hildebrand

Reprodução/Yuri Hildebrand

Far Cry 6 é o novo jogo da aclamada franquia da Ubisoft. Trazendo uma proposta de gameplay fiel e conhecida pelos fãs, o título chega nesta quinta-feira (7) por a partir de R$ 279,95 para PlayStation 5 (PS5) e Xbox Series X/S, além de Xbox One, PlayStation 4 (PS4) e PC, saindo a, pelo menos, R$ 249,99. O game traz Yara, uma versão alternativa de Cuba que é comandada pelo fascista Antón Castillo (Giancarlo Esposito). Você vive a pele de Dani Rojas (que pode ser ele ou ela), lutando junto à guerrilha Libertad, liderada por Clara García, para matar Castillo e tirar seu governo autoritário do poder.

Com história cativante, o game mistura aventura e FPS, dando bastante liberdade para o jogador explorar e seguir a trama como quiser. Também chamam atenção os lindos cenários, que sofrem um pouco com gráficos abaixo do esperado para a nova geração de consoles, e muitos bugs que aparecem durante a gameplay. O TechTudo testou Far Cry 6 e traz a análise completa a seguir.

Castillo é vilão de Far Cry 6; veja análise completa do jogo — Foto: Reprodução/Xbox & Bethesda Games Showcase

História que prende

Far Cry costuma trazer histórias cativantes, e com o sexto game da franquia, isso não é diferente. Logo na primeira hora de jogo, é possível entender o contexto de uma forma geral. Yara é uma versão alternativa de Cuba (apesar de a Ubisfot jurar que possíveis semelhanças são coincidências), mas com um diferencial importante.

Após a revolução de 1967, que, no jogo, levou Santos Espinosa ao poder, um grande bloqueio comercial afetou a economia da ilha por anos. Com sua morte, houve uma eleição presidencial, onde Antón Castillo, filho do líder deposto por Espinosa, foi eleito.

Antón Castillo é o líder fascista de Yara, que tenta a todo custo treinar seu filho Diego para se tornar Presidente no futuro — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

O vilão vivido por Giancarlo Esposito traz uma personalidade que parece misturar líderes autoritários da América Latina e um quê de Poderoso Chefão, o que fica bem claro nas cenas envolvendo ele e seu filho, Diego Castillo. Apesar de ter só 13 anos, ele é constantemente pressionado por Antón a seguir seus passos para, no futuro, também virar presidente de Yara.

O jogador vive a Yara de Castillo, totalmente tomada pelo militarismo e com diversas práticas nacionalistas. Além disso, há claras características fascistas, como o discurso falando aos "verdadeiros yaranos", uso de argumentos anticomunistas rasos para pôr medo na população e falsas vitórias proclamadas pelas comunicações oficiais.

Por trás de tudo, há um "novo petróleo": a cura para o câncer, Viviro, que é a principal fonte econômica do país. O remédio é feito a partir de uma mutação artificial da folha de tabaco, da qual se tira uma toxina que atua sobre outras áreas de plantio, modificando as outras mudas. Esse agrotóxico é letal para quem tem contato direto, e o governo Castillo utiliza trabalho forçado para isso, escravizando os "falsos yaranos" (ou seja, todos que discordam de seu regime).

Castillo tem sua imagem adorada pelo mapa; governo tem características nacionalistas e diz superar a "pobreza socialista" — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Com isso, muitos são sequestrados, torturados e mortos, e a situação leva ao crescimento de revolucionários que pretendem derrubar Castillo e dar fim ao regime fascista. Em Far Cry 6 você vive a pele de Dani Rojas, que se torna um guerrilheiro (ou guerrilheira, já que pode ser ele ou ela) após ver seu plano de tentar a vida nos EUA dar errado.

O jogador então esbarra com Clara García, líder do grupo de guerrilha Libertad. A partir disso, Dani conhece personagens como Juan Cortez, guerrilheiro antigo que escreveu um livro sobre o tema, e outros revolucionários que precisam ser convencidos a juntarem forças com o grupo de Clara.

Clara García é líder de Libertad, grupo guerrilheiro que tem como objetivo derrubar El Presidente Castillo — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

O game te permite escolher qual caminho traçar na jornada, e diferentes áreas podem ser exploradas. Você decide se quer conhecer uma por ver ou todas ao mesmo tempo, dividindo seu tempo entre missões principais de diferentes grupos de guerrilheiros e quests secundárias com histórias yaranas, corridas e mesmo brigas de galo.

Gameplay tradicional

O jogo segue o mesmo padrão de gameplay de outros títulos da franquia: uma mistura de FPS com aventura e mundo aberto para explorar, comprar novos itens e decidir seus próprios caminhos para matar Castillo. Sempre em primeira pessoa, a experiência é bastante imersiva nos combates, assim como ao dirigir diferentes veículos e ao caminhar pela mata.

Gameplay tradicional de Far Cry não sofre modificações — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Para quem não está acostumado com a série, pode levar um tempo para se acostumar. Também é possível convocar companheiros, animais que ajudam Dani a distrair ou derrotar seus adversários. Isso vai desde um crocodillo com roupas de jogador de beisebol até Chorizo, um simpático cachorrinho Basset que não tem as pernas de trás e utiliza uma espécie de cadeira de rodas.

Vale ressaltar ainda que o teste foi feito no PS5, que oferece respostas hápticas no controle DualSense. Esse aspecto fez total diferença na gameplay, que ganhou bastante ao permitir sensações de impacto, peso dos pedais de um carro mais velho, diferenças entre gatilhos de armas, entre outros exemplos.

São vários itens espalhados pelo mapa. O usuário pode conseguir suprimentos para reforçar suas armas, construir diferentes tendas em acampamentos revolucionários ou mesmo vender peças para conseguir pesos yaranos. Também é possível pescar e caçar, o que não acontece de forma tão realista quanto em Red Dead Redemption 2, por exemplo: basta passar próximo ao corpo do animal que Dani recolhe sua carne. O mesmo acontece com munições e dinheiro dos soldados da FND abatidos pelo chão.

Companheiros ajudam bastante na hora de enfrentar muitos inimigos de uma só vez — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

A força de Dani vai evoluir de acordo com o progresso do jogo. Você pode editar as armas liberadas, utilizar outras especiais, que podem ser desbloqueadas em missões e side quests. Há bastante improviso, como um silenciador feito de materiais caseiros, uma mira de plástico, entre outros exemplos. Também é possível customizar a cor do armamento e até adicionar enfeites.

Dani tem diversas opções de roupas, e cada uma vai dar uma vantagem específico na jornada, seja para marcar inimigos, melhorar seu tiro, reforçar suas defesas ou ter habilidades de caça aprimoradas. Também é possível personalizar seu Supremo, uma mochila que dispara explosivos e outros objetos contra os adversários. Essa arma exige um alto tempo de recarga, que pode ser acelerado ao derrubar muitos inimigos pelo mapa. É um diferencial importante em combates mais difíceis ou contra veículos fortes.

Uma sugestão é escolher bem as armas, tipo de Supremo e roupas antes de ir para missões de combate. Os adversários podem ter armas que perfurem armaduras, por exemplo, e um cosmético que dê vantagem nesse sentido vai ajudar bastante, assim como vestimentas que protegem Dani de explosões ou facilitem uma jogabilidade stealth.

Esse estilo de jogo, inclusive, funciona bastante em Far Cry 6, apesar das animações escandalosas ao matar o adversário com um facão ou seu companheiro passando pelos pés dos soldados da FND.

Supremo é uma arma interessante e que pode mudar a sorte de Dani durante o combate — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Para quem quer desafios, esse pode ser um problema: dificilmente seus inimigos vão "ouvir" alguma coisa, a não ser que você fique parado em frente a um deles. Nesse caso, nem sempre adianta correr, já que Dani morre após poucos tiros. Vale lembrar que os testes do TechTudo foram no Modo Ação, que promete maior intensidade nas batalhas. Há ainda o Modo História, que vai diminuir a intensidade das batalhas.

Muitas opções de missão

Após as primeiras missões, o jogador fica mais livre para seguir a história como preferir, seja nas fazendas de Tabaco ou nos laboratórios que produzem o veneno de Viviro. O jogo sugere, por meio de Clara García, que se comece em Madrugada, para encontrar a família Montero e convencê-los a juntarem forças com Libertad. Mas, isso fica a critério de quem está no comando. Se quiser começar por El Este, região do outro lado do mapa onde você precisa encontrar El Tigre, também é possível.

Missões principais são diversas pelo mapa; usuário precisa convencer guerrilhas locais a juntar forças e derrotar um "chefão" da região — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Já as side quests disponíveis envolvem histórias yaranas, onde Dani precisa pegar suprimentos, armas, entre outros itens específicos, corridas espalhadas pelo mapa e partidas co-op, para se aventurar com outros jogadores. Há ainda brigas de galo, que simulam jogos de luta com barra de vida, golpes especiais e três rounds para definir o vencedor. Os animais, por sua vez, podem ser capturados pelo mapa e participar dos duelos.

Há ainda caças ao tesouro, missões relativamente fáceis e que dão recompensas interessantes para customizar Dani a seu gosto. Também é possível conquistar postos de controle, fazendas de tabaco e mesmo uma plataforma petrolífera, saquear comboios militares, entre outros trabalhos para reforçar Libertad e seus guerrilheiros. Apesar de muitas opções, essas quests secundárias podem acabar sendo um pouco repetitivas.

Brigas de galo também ficam disponíveis; modo remete a clássicos jogos de luta — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Cenário lindo, mas…

A ambientação de Far Cry 6 é muito boa. São muitos elementos interativos, diferentes animais pelo mapa e cenários fantásticos de uma Yara com muitas áreas verdes e um centro que remete muito à capital da Cuba da vida real, Havana. Os carros disponíveis incluem desde modelos clássicos da década de 60 até alguns um pouco mais novos, mas sempre militares.

É possível utilizar uma espécie de piloto automático em alguns veículos, permitindo ao usuário aproveitar a paisagem e descansar um pouco até chegar ao destino. Isso deve ficar melhor ao tomar conta de todos os postos de comando do exército de Castillo, por onde o usuário passa e tem seus pneus furados, além de ser atacado por todos os lados.

Ambientação é outro ponto interessante de Far Cry 6 — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Voltando às cenas de natureza e cultura caribenha, os gráficos não são ruins, mas parecem pouco para o que promete a atual geração de consoles. A iluminação é um diferencial interessante, já que aumenta a sensação de imersão em horários de nascer ou pôr do sol, por exemplo, marcando bem a mudança de incidência de luz.

Ainda assim, itens animados pelo mapa, como os próprios personagens ou animais, têm movimentos um tanto robóticos, além de textura muito marcada. Isso faz os avatares se destacarem de forma estranha na cena. Portanto, nesse sentido, não há tanta evolução em relação a Far Cry 5, último game da franquia.

Outro problema é a constância de bugs na tela. Dani não coloca os pés no chão de fato em algumas situações, e fica claramente "flutuando". Em outras situações, os corpos de adversários ficam jogados como bonecos, algo comum em alguns jogos de aventura, mas que já poderia ser corrigido na nova geração de consoles.

Gráficos deixam um pouco a desejar em Far Cry 6; alguns bugs também aparecem — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Em uma situação durante os testes do TechTudo, Dani caiu em um limbo abaixo do mapa, viajando para outro local totalmente diferente. Por sinal, o mesmo em que se começa o game, no centro de Esperanza, capital de Yara.

Conclusão

Far Cry 6 é um prato cheio para quem gosta de FPS e jogos de aventura, já que mistura dois mundos. Traz uma história que remete bastante à vida real, com um país latino-americano em crise, sofrendo com um governo tirano que usa o anticomunismo para mexer com o medo das pessoas e emplacar ações surreais como a produção de Viviro, levando à morte diversos "falsos yaranos". São características que fazem a Ubisoft declarar que possíveis semelhanças de personagens com personalidades da vida real são mera coincidência.

Castillo é um tirano que usa personalidades políticas fieis para garantir suas práticas fascistas por Yara — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

A gameplay também é ótima para quem já é fã da série há algum tempo. Pouco muda, com destaque para as respostas hápticas do DualSense no PS5 e algumas habilidades em jogo. Uma delas é o Supremo, arma (ou mochila?) que faz lembrar Boba Fett, famoso caçador de recompensas de Star Wars.

As opções de dificuldade também dão certa liberdade para aproveitar o jogo da melhor forma para cada um, mas o Modo ação não é tão desafiador assim. A não ser que o usuário tente missões mais difíceis que vão sendo liberadas pelo mapa.

Visual é muito bonito e efeitos de iluminação garantem boa incidência de luz sobre os objetos — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

A ambientação é bastante imersiva, tem elementos culturais bem característicos de Cuba da vida real, com Guajira e outros ritmos locais, carros característicos, entre outros exemplos. Os testes foram feitos com o áudio em espanhol como forma de reforçar a imersão no cenário. Funciona bem, apesar de os movimentos de fala serem todos em inglês. O jogo também fica disponível em português brasileiro, tanto no som quanto no texto, além de trazer diversas opções de acessibilidade para proporcionar a melhor experiência a diferentes jogadores.

9

Jogabilidade e história são pontos positivos, mas acabamento dos gráficos e bugs deixam a desejar

O novo jogo da franquia é muito divertido e dá diversas opções para explorar o mapa. As missões principais são bem distribuídas e não precisam ser seguidas à risca, enquanto as side quests estendem a experiência para outras áreas de Yara, apesar de repetitivas. Bugs e um gráfico aquém do esperado para um jogo focado na atual geração de consoles são destaques negativos.
História
10
Gameplay
9
Gráficos
7
Diversão
10
Ambientação
9
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