Jogos de Esporte

Por Yuri Hildebrand

Reprodução/Yuri Hildebrand

O FIFA 22 é o novo jogo da popular franquia da EA. O game chega com mudanças pontuais, como de costume, tanto na gameplay quanto em animações, além de trazer novidades nos modos carreira, FUT e, principalmente, VOLTA. O "novo FIFA Street" veio com uma proposta diferente na versão 22, focando muito mais no multiplayer online e trazendo minijogos estilo arcade nos finais de semana. No mais, a proposta segue a mesma com craques como Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo em campo, trilha sonora bastante característica com direito a lançamento de Karol Conká e uma experiência imersiva pelos diversos campeonatos licenciados.

O TechTudo testou o FIFA 22 e traz a seguir uma análise completa do game. Vale lembrar que a data de lançamento do jogo é 1º de outubro, chegando para PlayStation 5 (PS5), PlayStation 4 (PS4), Xbox One, Xbox Series X/S, Nintendo Switch e PC. Quem comprou a edição Ultimate na pré-venda, por sua vez, já pode aproveitar o título a partir desta segunda-feira (27).

FIFA 22 tem mudanças na gameplay e novidades em modos importantes — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Novidades na gameplay

A nova mecânica de FIFA 22 tem como base a tecnologia HyperMotion, que envolve desde a captura dos movimentos, feita com 22 dois jogadores em campo de fato, até o uso de Machine Learning (aprendizado de máquina, em inglês) e outros recursos de Inteligência Artificial para otimizar a interação no jogo.

Em termos práticos, isso deixa a gameplay mais realista, com toques menos robóticos na bola (salvo algumas situações, vale ressaltar), movimentos suaves em campo e animações bem interessantes.

Gameplay tem mudanças que deixam jogo mais cadenciado e marcação ganha atenção especial — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Essas novidades também trazem um contraponto interessante ao FIFA 21, que trouxe um estilo mais "agitado", com toque de bola rápido, muitos e muitos dribles, entre outros aspectos um pouco fora da realidade. Em 22, o jogo fica mais físico e brigado no meio campo, permitindo muitos contra-ataques, por exemplo. Um jogo de muita posse de bola precisa ser bem pensado e bastante estratégico, além de funcionar muito melhor com atletas mais completos.

Marcação

O FIFA traz um sistema de marcação bem mais complexo que seu principal rival, PES (agora, eFootball, e que promete mudanças nesse quesito). O momento certo de dar o bote continua sendo essencial, e a pressão pura e simples não é suficiente para fazer o desarme. Agora, a sensação é de que o jogador precisa estar sempre atento e entregando o máximo para recuperar a posse. A disputa no corpo a corpo está mais difícil, e é importante ter um pouco de paciência para pegar o jeito.

Novo sistema de seleção é opcional e ajuda bastante a escolher o jogador certo (na hora certa) — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

O jogo também traz uma nova forma de trocar o jogador em controle quando o time está sem a bola. Apertando o botão analógico direito (R3, no PS5), um símbolo com "R" e setas em quatro direções diferentes aparecem em cima de alguns jogadores (além daquele que já está selecionado pelo usuário). Com o próprio analógico direito, você escolhe o atleta melhor colocado para realizar a marcação, seja direta ou indireta.

O recurso facilita a troca nessa situação, já que pelo L1 (LB) o jogo escolhe "sozinho" quem deve ser controlado na troca. É um pouco difícil pegar o jeito. A troca de jogador pelo analógico já existe há algum tempo, e ainda se mostra uma alternativa mais prática. Apesar disso, nem sempre funciona da melhor forma, e essa nova função vem para um controle mais exato da jogada.

Outro ponto de destaque da marcação em FIFA 22 é o R1 (RB), que envia outro jogador para pressionar o adversário com a bola. Em 21, o comando levava a uma pressão um pouco frouxa, sem nenhuma intenção real de recuperar a bola, e o usuário precisa trocar de jogador para tentar o desarme.

Marcação dobrada é mais incisiva, e é possível ficar atento em mais de um jogador ao mesmo tempo — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Aqui, como acontecia nos jogos da franquia rival, PES, é possível marcar de perto o adversário enquanto controla um outro atleta na sua área, esperando por uma possível segunda bola, por exemplo. Ainda assim, não é sempre que o desarme acontece dessa forma: em alguns casos, é necessário trocar de jogador para roubar a bola de fato.

Controle de bola e passe

Mais uma vez, o game exige uma boa precisão e força nos passes em algumas situações de jogo, como já acontecia em 21. O uso do R1 (RB) para tocar é essencial, caso o outro jogador não esteja muito perto. Aqui, a diferença fica por conta da marcação adversária, normalmente esperando pelo bote justamente nesse toque longo. Em muitas situações de jogo a bola rebate no rival e acaba levando a um contra-ataque rápido. Por isso, é necessário ter cuidado e utilizar alguns recursos que ficaram mais evidentes.

Um deles é o uso de L1 (LB) e R1 (RB) enquanto se tem a posse, o que vai fazer um companheiro correr por trás da marcação ou chegar mais perto para receber a bola. Você também pode direcionar essa corrida, o que ajuda bastante na construção de jogadas. Assim, é possível avançar com toque de bola ou mesmo acionar um ponta ou segundo atacante rápido com bola longa com mais soluções de movimentação.

FIFA 22 continua com "setinha" para direcionar corrida de quem vai receber; agora também é possível trazer o jogador mais para perto — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Agora também é possível "travar" o controle em um jogador mesmo após dar o passe. Essa é uma forma manual de fazer a corrida para receber à frente, e pode ajudar bastante. Apesar disso, causa certa confusão durante a partida, ainda mais com a grande chance de contra-ataques que o jogo proporciona.

Outros pontos

O chute, que pode ser aperfeiçoado com o botão de bola (ou B) quando apertado novamente no momento certo, não tem grandes mudanças. Apesar de algumas jogadas saírem com um efeito normal na bola, volta e meia a animação do voo fica um pouco surreal, como já acontecia antes.

Essa mecânica de chute agora também aparece nas faltas, em que o jogador aproveita o estilo apresentado no FIFA 20 e finaliza com um segundo toque no bola (B). Se você acertar o tempo, é muito provável que saia um golaço (ou que o goleiro faça uma linda defesa). Esse, inclusive, é outro ponto interessante da versão 22: a movimentação embaixo das traves, que ficou menos robótica e com pulos mais verossímeis.

Mecânica de falta é praticamente a mesma, mas permite reforçar o chute ao apertar bola (ou B) novamente — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

VOLTA traz outra proposta

No "novo FIFA Street", o foco mudou. Se na primeira edição, em FIFA 21, o jogador podia montar seu time, recrutar jogadores, ídolos e mesmo algumas estrelas da música como Dua Lipa e Anitta, agora a ideia é, basicamente, fortalecer seu próprio jogador para ir bem nas partidas, sobretudo online.

O menu do modo mudou de cara e virou um lobby, lembrando bastante jogos atuais voltados para multiplayer. A ideia aqui é jogar com e contra outras pessoas. É possível se juntar a amigos online para jogar no Elencos do VOLTA, ou mesmo offline, no Batalhas do VOLTA. De qualquer forma, você ganha recompensas após as partidas e pode melhorar alguns aspectos do seu jogador. Nesse ponto, não há muitas diferenças em relação ao 21.

VOLTA tem lobby ao invés de menu; visual lembra jogos online como Fortnite, Free Fire, entre outros — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

O VOLTA também ganhou Temporadas, que vão trazer atualizações, skins e outros itens, além de objetivos que o jogador precisa cumprir. Além disso, o VOLTA Arcade vai trazer minijogos como queimada e bobinho, onde será possível jogar contra outros três pessoas, também online. Sobre isso, vale ressaltar dois pontos: o Arcade fica disponível apenas durante finais de semana e não é possível jogar de forma local, ou seja, é necessário ter o PlayStation Plus ou Xbox Live Gold para acessar.

Ainda sobre o modo, mas trazendo um pouco para a gameplay, é importante falar dos efeitos e outras regras diferentes. Agora, jogadores podem ativar habilidades especiais e corrida, chute ou passe para ter um desempenho melhor no jogo. Esses recursos ficam disponíveis conforme o usuário vai fazendo pontos, que aparecem na tela após alguns desarmes, dribles e chutes que dão certo.

Habilidades especiais podem ser ativadas; jogador fica muito mais rápido, chuta com mais precisão, entre outras possibilidades — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Da mesma forma, há uma barrinha que enche de acordo com a performance no jogo e pode mudar o valor de cada gol. Assim, é possível marcar uma bola isolada valendo três pontos ou tomar uma virada rapidamente, mesmo com boa vantagem. As novidades se estendem aos amistosos em VOLTA, que apresentam regras diferenciadas com habilidades ou jogadores saindo de campo logo após marcarem um gol.

A experiência no modo street é outra em FIFA 22. A proposta de montar um time, jogar com ídolos e disputar partidas de habilidade próximas da realidade ficou para trás. Agora, o VOLTA ganhou uma pegada Arcade e a EA aposta em uma proposta mais competitiva. Apesar de mais "fantasioso", o modo continua bastante divertido, seja para jogar sozinho ou com amigos.

Modo Carreira: começar do zero é uma opção

Modo carreira traz novas animações e uma opção de criar seu time do zero — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

O modo Carreira do FIFA ganhou uma novidade importante em 22: agora é possível criar seu próprio time do zero. O usuário pode escolher nome, cores, escudo, uniforme (com direito a diversas camisas genéricas das principais marcas de material esportivo do mundo), customizar o estádio, torcida e também escolher o nível de qualidade da equipe. Ao escolher a liga desejada para competir, é necessário substituir um dos clubes originais, vale ressaltar.

Os jogadores disponíveis em um primeiro momento são genéricos, como já acontece no Campeonato Brasileiro, por exemplo. Mas, conforme a Carreira avança, é possível contratar atletas reais. Quem preferir pode sempre começar o modo com um time já existente, com as escalações verdadeiras.

Área de customização do novo time no modo carreira mostra opções com marcas grandes de material esportivo — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Nessa opção mais tradicional a mudança fica por conta das animações para contratar novos jogadores. Antes, a mecânica era bastante robótica nesse momento, e agora passa uma ideia um pouco mais real. Treinadores em negociação demonstram algumas emoções, assim como os jogadores ao aceitarem os contratos. Efetivamente, pouco muda na jogabilidade.

Outros modos

Fora as novidades de VOLTA e Carreira, não há muitas mudanças em outros modos. O jogo rápido traz uma nova possibilidade de disputa local em Melhores de 3 ou 5 jogos (MD3 ou MD5), além da opção com regras alternativas (o que também dica disponível na partida rápida de VOLTA).

O usuário pode ainda jogar diferentes fases de Libertadores e Champions League, licenciadas em FIFA 22. Um ponto negativo de FIFA 21 e que continua aqui é a impossibilidade de disputar os torneios secundários (Europa League e Sulamericana) fora do modo Carreira.

Champions League e Libertadores licenciadas deixam a experiência bastante imersiva — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

O jogador também não pode enfrentar um time de fora da América do Sul com uma equipe disponível apenas via Conmebol. Ainda assim, a experiência nas competições continentais são bastante únicas e, pela gameplay mais disputada, entregam partidas bem emocionantes.

O FUT também passou por poucas mudanças em FIFA 22, mantendo a proposta do jogo anterior. Entre as novidades estão uma estrutura renovada nas Divisões, assim como a promessa de uma disputa mais "acessível" em FUT Champions, com sistema de mata-mata e finais. Na personalização, há mais opções envolvendo a personalização do estádio próprio e da torcida.

FIFA 22 traz FUT com poucas mudanças; principal destaque é nova estrutura das Divisões — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Outros modos online do título também não têm grandes alterações no padrão, como Temporadas e Pro Clubs. Apesar disso, esse último ganhou a possibilidade de criar partidas rápidas com até quatro jogadores. Segundo a EA, é uma alternativa importante já que nem sempre é fácil juntar outras 10 pessoas para começar um jogo.

Visual, times, ligas e estádios

Um dos pontos altos da franquia da EA é o visual. Repaginado, o jogo traz um novo menu, com subcategorias aparecendo por cima das caixas principais, dando um visual mais limpo. Essa mudança também chegou no VOLTA, com o lobby que remete a outros jogos online.

Menu. foFIFA 22 foi reformulado — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Durante as partidas, vale destacar as informações de jogo, mostradas também no intervalo. Agora, além dos números tradicionais, a tela traz uma nova organização, facilitando a visualização de aproveitamento de passes, chutes, mapas de calor, entre outros detalhes.

A parte de edição dos times antes dos jogos também ficou mais interessante. Se antes o usuário precisava escolher entre um jogo de posse de bola deixando de lado corridas por trás dos zagueiros, agora é possível misturar os estilos, além de ser mais preciso na altura da linha de defesa, por exemplo.

Estádio Libertadores de América e seu vizinho Presidente Perón, do Racing, são os únicos sulamericanos no jogo — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Já em relação aos times disponíveis, o FIFA mantém a tradição recente de não contar com jogadores brasileiros licenciados na liga nacional e nas seleções masculina e feminina. No caso dos homens, uma alternativa é fazer a convocação manual no menu de edição, mas as Guerreiras do Brasil ficaram totalmente fora do game.

Em clubes brasileiros, seja na liga ou via Conmebol, apenas atletas genéricos. Ainda assim, os uniformes são todos licenciados, o que estimula bastante a jogatina. Dessa vez também não está presente o Oceânico FC, time genérico que completou a liga brasileira em 21.

Campeonato brasileiro só com times reais, mas sem todos da série A — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

O grande destaque continua sendo na Europa. Além de mais equipes licenciadas, o FIFA traz ligas incomuns como da Romênia e da Irlanda do Norte, além de algumas um pouco mais tradicionais (mas nem tanto), como Turquia, Escócia e Bélgica. Chegaram novos estádios, como o Vélodrome, do Olympique de Marseille, e os campos de Porto e Benfica: Estádio do Dragão e da Luz, respectivamente. Na liga italiana, a EA garantiu exclusividade com algumas equipes, enquanto outras chegam sem escudo e uniforme licenciados (incluindo as gigantes Juventus e Roma).

As cenas antes das partidas também estão bem legais. Assim como no FIFA 21, com a versão de PS5, há uma espécie de pré-jogo curtinho mostrando os torcedores entrando no estádio, jogadores chegando ou aquecendo e até mesmo funcionários preparando o gramado para a partida, ainda com as arquibancadas vazias.

Animações antes. dojogo incluem preparação do gramado, torcida entrando, entre outros exemplos — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Durante o jogo, ao marcar um gol nos minutos finais, a comemoração efusiva envolve também reservas e o treinador, assim como a torcida, que também ficou mais realista nas cenas de festa.

Conclusão

Como de costume, o FIFA inova em aspectos pontuais, muda alguns detalhes da gameplay e continua investindo em modos online, agora com o VOLTA sendo uma alternativa bem interessante para jogar com amigos. A pegada mais arcade deixa o jogo divertido, apesar de fugir da proposta anterior, mais realista. O fim do recrutamento de jogadores e o foco voltado para um único atleta foram pontos que decepcionaram um pouco, mas faz parte da virada de chave que a EA deu com a nova proposta.

FIFA 22 mantém costuma de poucas mudanças na franquia, mas experiência é cada vez mais imersiva — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

A jogabilidade em si ganhou pontos bem legais e a experiência em campo tradicional passa a ideia de realidade. A marcação ganhou novos ares e a física do jogo em si também ficou mais verossímil, muito por conta da tecnologia HyperMotion. No visual, as ligas licenciadas, como Premier League, LaLiga e Bundesliga, além de Libertadores e Champions League, mostram a roupagem oficial encontrada nas transmissões da vida real e aumentam a imersão na disputa.

Para fãs tradicionais da franquia, é necessário um tempinho para acostumar com as novidades de gameplay, mas nada como outras mudanças radicais implementadas em outras versões. No online, mais opções também chamam atenção, já que permitem variar a experiência e continuar evoluindo no game.

9.1

Gameplay traz mudanças importantes e experiência é cada vez mais imersiva

FIFA 22 atualiza gameplay e traz novidades interessantes no VOLTA, que ganha uma pegada mais arcade e foco online, e no modo Carreira, com a possibilidade de criar seu próprio time do zero. Equipes e campeonatos licenciados aumentam imersão na hora de jogar, e gameplay é reforçada por uma marcação mais incisiva e movimentos mais reais graças à tecnologia HyperMotion.
Gameplay
9.5
Visual
10
Modos de jogo
8
Novidades
8
Diversão
10
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