Jogos de aventura

Por Bruno Magalhães, para o TechTudo


Kena: Bridge of Spirits é o primeiro jogo da desenvolvedora Ember Lab, lançado em 21 de setembro de 2021 para PC (via Epic Games Store), PlayStation 4 (PS4) e PlayStation 5 (PS5). Anunciado durante o evento de revelação do PS5 em junho do ano passado, o game de ação e aventura chamou atenção pelos visuais de altíssima qualidade, que remetem às animações dos estúdios DreamWorks e Pixar. No entanto, os seus adiamentos sucessivos deixaram os fãs preocupados com o estado do game, criando uma expectativa em torno da qualidade do mesmo.

Na loja digital da Sony, é possível comprar o jogo por R$ 214 com direito a um upgrade gratuito no console de nova geração. Já no PC, ele está um pouco mais barato, e sai por R$ 190. O TechTudo testou Kena: Bridge of Spirits e você confere nas linhas a seguir os pontos positivos e negativos desse que é um forte candidato a Jogo do Ano em 2021.

Kena: Bridge of Spirits é um envolvente jogo de ação e aventura produzido pela Ember Lab para PC, PS4 e PS5 — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

História

O game coloca os jogadores no controle de Kena, uma jovem guia de espíritos que segue os passos de seu pai na tarefa de apaziguar almas errantes que têm dificuldades em fazer a travessia para o outro mundo.

Como uma forma de melhorar suas habilidades, Kena vai parar em um vilarejo remoto cuja população desapareceu misteriosamente. Para piorar a situação, uma energia negativa e corrupta infestou o lugar. Com a ajuda de pequenas criaturinhas guardiãs chamadas Rot, Kena deve dar seu melhor para auxiliar os espíritos remanescentes e investigar a fonte dos problemas do vilarejo.

A história, um dos pontos centrais do game, é bastante envolvente. A protagonista Kena também é cheia de personalidade e sua bondade é contagiante ao longo dos eventos da trama. No entanto, alguns mistérios envolvendo a própria personagem acabam ficando sem respostas e podem decepcionar os fãs mais engajados.

Além disso, o enredo aborda o tema da morte com bastante sensibilidade, lembrando jogos como Spiritfarer. Não são raros os momentos em que os olhos podem lacrimejar. O elenco, repleto de personagens carismáticos e que instigam a curiosidade, também é um dos pontos altos de Kena: Bridge of Spirits e ajuda a entender um pouco mais da sua mitologia a cada novo encontro.

Os Rots seguem Kena o tempo todo e são essenciais para superar quebra-cabeças — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Gráficos e visuais

Não é exagero dizer que Kena: Bridge of Spirits é um dos jogos mais bonitos da atualidade. Logo em seu anúncio, o jogo chamou a atenção pelo seu estilo visual que remete a filmes de grandes estúdios de animação. A sensação que fica é de que estamos jogando uma obra da Pixar ou da DreamWorks, por exemplo.

Além dos modelos dos personagens, que são muito expressivos, Kena também traz cenários de tirar o fôlego. As paisagens, inspiradas no Japão e na Indonésia, são repletas de vegetação, lagos e montanhas, mas o jogador também visita locais diferentes no decorrer da campanha.

Tanta beleza é favorecida pelo Modo Foto, que permite capturar vários dos melhores momentos da jornada e até mesmo fazer poses com outros personagens. Só é uma pena que, dependendo do movimento realizado por Kena, as capturas nem sempre ficam com uma qualidade agradável.

Legendado em português do Brasil, Kena: Bridge of Spirits traz história emocionante — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

A trilha sonora e todo o trabalho com os sons do jogo também cumprem bem o papel de tornar a experiência memorável. As músicas trazem instrumentos percussivos e flautas, casando perfeitamente com os cenários e acontecimentos do jogo.

No PS5, o game traz duas formas de jogar: o Modo de Desempenho e o Modo de Fidelidade. O primeiro traz um gameplay mais fluido a 60 FPS e upscaling para resolução 4K em monitores suportados. Já o segundo foca na resolução 4K nativa, mas trava o gameplay a 30 FPS.

Vale citar que a Ember Lab é formada por um time de 15 pessoas e foi fundada em 2009 com foco em animação. O estúdio já trabalhou inclusive em peças para marcas famosas, como Coca-Cola. Em 2016, houve um ponto de virada e o estúdio produziu um curta animado de The Legend of Zelda: Majora’s Mask, que viralizou e já registra mais de 11 milhões de visualizações. Nas palavras do estúdio, trabalhar com jogos seria, naturalmente, o próximo passo.

Kena: Bridge of Spirits traz sistema de combate dinâmico e progressivo — Foto: Divulgação/Ember Lab

Jogabilidade

É no gameplay que Kena: Bridge of Spirits realmente brilha. O jogo segue o estilo de ação e aventura com foco em combates rápidos e resolução de quebra-cabeças do início ao fim. Tudo começa muito simples, mas novas mecânicas e melhorias são introduzidas constantemente e de forma natural, o que torna a experiência cada vez mais dinâmica.

Uma vez que o jogador entende os fundamentos, cada combate e interação se torna muito gratificante. Kena começa realizando ações básicas como golpe leve, golpe pesado, esquiva, defesa e aparada, para atordoar os inimigos. Na sequência, ela passa a ser capaz de utilizar um arco e flecha e bombas de energia, que têm múltiplas utilidades.

Um dos destaques está na possibilidade de utilizar as criaturinhas Rot para lutar e resolver quebra-cabeças. As comparações com Pikmin são inevitáveis, embora os Rots sejam mais simples, na prática. Conforme encontra cada vez mais bichinhos, Kena pode aprender novas habilidades e ficar cada vez mais poderosa. Há, inclusive, uma árvore de talentos modesta para investir pontos e ganhar recompensas.

As máscaras de Kena: Bridge of Spirits fazem referência a The Legend of Zelda: Majora's Mask — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Outro elemento importante no gameplay é a possibilidade de utilizar a própria energia espiritual de Kena para “pulsar”, emitindo uma luz ao seu redor. Essa mecânica serve para ressoar por pontos de interação do cenário, ativando mecanismos e revelando segredos. É interessante notar como todas essas mecânicas conversam entre si e são muito intuitivas.

O jogo não é classificado como um “mundo aberto”, mas permite que o jogador revisite cenários livremente e descubra segredos com as novas habilidades que encontrar no caminho. Há também tarefas secundárias que garantem recompensas, incluindo pontos de experiência e chapéus exclusivos para mudar o visual dos Rots. Dedicando-se a essas atividades, o jogo pode garantir facilmente mais de 15 horas de duração.

Algumas ressalvas

Nenhum jogo é isento de problemas e Kena traz alguns detalhes que podem incomodar. O principal diz respeito ao sistema de trava de mira, que mais prega peças do que ajuda. Além da dificuldade em acionar o recurso no momento desejado, é comum que a mira se confunda com outros pontos de interação do cenário, atrapalhando em momentos críticos de combate.

Kena: Bridge of Spirits passa a sensação de jogar uma animação da Pixar com seus belos visuais — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Além disso, o sistema de checkpoint automático pode ser o responsável por momentos ingratos, especialmente em batalhas contra chefes. Este não é necessariamente um bug, mas sim uma decisão de design por parte da Ember Lab. O principal problema está na batalha final, que é relativamente longa e não salva o progresso a cada etapa vencida pelo jogador. Embora o jogo permita salvar manualmente a qualquer momento, ele não volta exatamente do ponto em que o jogador estava e isso pode render algumas frustrações.

Vale notar ainda que o jogo traz uma boa localização em português do Brasil, mas alguns diálogos trazem erros de concordância e digitação. O suporte ao idioma foi confirmado menos de uma semana antes do lançamento, indicando que o estúdio teve de acelerar o passo para a implementação.

9

Jogo cativa pela arte e conquista pelo gameplay

Muito mais do que visuais de ponta, o título da Ember Lab entrega um game design consistente e, sobretudo, divertido, acabando de vez com qualquer preocupação decorrente dos seus adiamentos. Fica nítido que o estúdio depositou muito carinho em cada detalhe, fazendo dele um forte candidato a Jogo do Ano em 2021.
História
8
Jogabilidade
10
Diversão
10
Design
8
Trilha Sonora
9

Com informações de Ember Lab

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