Jogos de aventura

NOTA tt
9.0

Review The Legend of Zelda: A Link Between Worlds

Novo game da série Zelda traz batalhas frenéticas, dificuldade na medida certa, mas peca em promover um ritmo um pouco estranho ao jogador.

Rafael Monteiro
por
em

The Legend of Zelda: A Link Between Worlds para o Nintendo 3DS é uma sequência direta do clássico de 1991, The Legend of Zelda: A Link to the Past para o Super Nintendo. Jogadores poderão revisitar o mágico reino de Hyrule depois de mais de 20 anos, mas vale lembrar que não se trata de um remake e sim de um novo capítulo da série.

The Legend of Zelda: A Link between worlds (Foto: Divulgação)The Legend of Zelda: A Link between worlds (Foto: Divulgação)

Nova lenda, velha Hyrule

A história se passa muitos anos após o jogo A Link to the Past e traz uma nova geração do protagonista Link e da princesa Zelda. Ambos levavam suas vidas até que um mago chamado Yuga ataca, prendendo Zelda em uma pintura e lançando Link ao seu resgate. Eventualmente a aventura se estende também para o reino de Lorule, uma versão espelhada de Hyrule.

Não é um enredo muito complexo e boa parte do jogo ele acaba sendo deixado de lado, mas isso acaba sendo um ponto a favor do título, que deixa os jogadores bem livres em vez de ficar constantemente cutucando-os. Muitos dos personagens encontrados durante a aventura são um pouco estranhos, mas eles também não têm uma presença tão grande.

O mago Yuga rapta a princesa Zelda e busca ressuscitar o maléfico Ganon (Foto: 4players.de, escapistmagazine.com, technobuffalo.com e pelaajalehti.com) (Foto: O mago Yuga rapta a princesa Zelda e busca ressuscitar o maléfico Ganon (Foto: 4players.de, escapistmagazine.com, technobuffalo.com e pelaajalehti.com))O mago Yuga rapta a princesa Zelda e busca ressuscitar o maléfico Ganon (Foto: 4players.de, escapistmagazine.com, technobuffalo.com e pelaajalehti.com)

Diferente do recente remake The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D, o jogo não tem uma visão em terceira pessoa, por trás do personagem. A Link Between World tem gráficos 3D, mas os apresenta em uma visão aérea de forma que lembre o jogo original 2D do Super Nintendo e outros capítulos portáteis da série.

É perigoso ir sozinho, leve isto

Apesar de o jogo demonstrar uma grande vontade de resgatar valores da época de A Link to the Past no Super Nintendo, ele acaba surpreendentemente tendo mais em comum com o The Legend of Zelda original do Nintendo 8 Bits, que começou a franquia.

A Link Between Worlds possui um grande foco no combate, mais do que em quebra-cabeças e interação com personagens, o que o torna um jogo bem agradável para um portátil e mais emocionante que os capítulos recentes da série. Apenas as direções de ataque são um pouco limitadas, 8 como na época do Super Nintendo, quando um sistema em 360º permitiria mais liberdade.

Além de um resgate de ideias antigas da franquia The Legend of Zelda, como o foco no combate, há duas grandes novidades: A primeira, é a habilidade de Link se transformar em um desenho, andando por paredes, e a segunda, é que a maioria dos itens não é mais adquirida em dungeons, mas através da loja de um personagem Ravio, que os aluga em troca de Rupees, a moeda do jogo.

A Link Between Worlds resgata o básico do combate e ainda apresenta novas ideias (Foto: geimin.co.uk, pcgames.de, ene3.pt e avclub.com) (Foto: A Link Between Worlds resgata o básico do combate e ainda apresenta novas ideias (Foto: geimin.co.uk, pcgames.de, ene3.pt e avclub.com))A Link Between Worlds resgata o básico do combate e ainda apresenta novas ideias (Foto: geimin.co.uk, pcgames.de, ene3.pt e avclub.com)

A habilidade de virar desenho é muito utilizada em dungeons e para explorar locais escondidos, mas em nenhum momento ela é intrusiva. Nos capítulos atuais de The Legend of Zelda, normalmente a habilidade especial se torna o foco do jogo, e este gira em torno dela. Porém aqui, ela se integra naturalmente, de maneira rápida, e o foco continua sendo o combate.

Inicialmente a ideia de aluguel de itens parece um pouco estranha, pois em poucas horas de aventura você já pode estar com um imenso arsenal, incluindo Arco e Flecha, Bumerangue, Bombas, Cajados de Fogo e Gelo, entre outros. Porém, você acaba se acostumando com toda essa liberdade. Alguns itens ainda precisam ser encontrados ao invés de alugados.

Uma coisa estranha é que com tanto foco nos itens e com uma tela de toque em mãos, ainda seja tão complicado selecioná-los para uso. Ao invés de um simples sistema de tocar para escolher qual item usar, é preciso atribuir botões, arrastar, selecionar uma lista de atalhos, de forma que realmente não é agradável nem funcional.

Também há uma pegadinha no contrato de aluguel de Ravio. Caso o jogador morra, precisa devolver o item e pagar novamente para poder alugá-lo. É possível ainda comprar os itens, por um preço bem salgado, o que garante que você não precise mais pagar para tê-los e ainda é possível melhorá-los em um certo local do jogo.

A dificuldade aumentou neste novo The Legend of Zelda, sem se tornar injusta (Foto: siliconera.com, digitaltrends.com, 3dsrumors.com e screencrush.com) (Foto: A dificuldade aumentou neste novo The Legend of Zelda, sem se tornar injusta (Foto: siliconera.com, digitaltrends.com, 3dsrumors.com e screencrush.com))A dificuldade aumentou neste novo The Legend of Zelda, sem se tornar injusta (Foto: siliconera.com, digitaltrends.com, 3dsrumors.com e screencrush.com)

Desafio para quem tem coragem

Normalmente morrer não seria uma preocupação nos capítulos recentes de The Legend of Zelda, mas Link Between Worlds aumenta bastante o nível de dificuldade, sem se tornar injusto, apenas adequado. Todo o sistema de aluguel e compra de itens também resolve o problema econômico de Hyrule, onde jogadores acumulavam muito dinheiro e ele parecia não servir para nada.

Ainda que não haja mais itens específicos dentro dos dungeons, você ainda precisa deles para explorá-los e para lutar contra os chefes. Cada dungeon possui um ícone que indica qual item você precisa para entrar nele, mas como você pode simplesmente alugá-los, não há uma ordem certa para completar os dungeons.

Essa liberdade inicialmente pode ser assustadora para jogadores que vinham acompanhando capítulos mais recentes da franquia, que apresentavam uma natureza mais linear. Porém, assim que se acostumarem, com certeza irão apreciar a capacidade de escolha, enquanto antigos fãs irão curtir esse elemento clássico que vinham faltando nos novos jogos.

Mesmo com os itens você ainda precisa descobrir uma forma de ganhar acesso aos dungeons, porém quase sempre envolvem exploração. Isso é algo remanescente do A Link to the Past original, diferente dos The Legend of Zelda atuais onde normalmente você tem que conversar com certos personagens para conseguir acesso.

Os gráficos de A Link Between Worlds não impressionam no início, mas evoluem (Foto: technologytell.com, exophase.com, zeldadungeon.net e gamingnexus.com) (Foto: Os gráficos de A Link Between Worlds não impressionam no início, mas evoluem (Foto: technologytell.com, exophase.com, zeldadungeon.net e gamingnexus.com))Os gráficos de A Link Between Worlds não impressionam no início, mas evoluem (Foto: technologytell.com, exophase.com, zeldadungeon.net e gamingnexus.com)

Uma pintura com mais de 20 anos

Graficamente o início do jogo é um pouco fraco, parecendo meramente um remake de um título de Super Nintendo sem grandes ambições. As texturas são muito simples quando você se aproxima, pois a maior parte do tempo a câmera se foca na visão aérea, e há pouquíssimos efeitos visuais.

No entanto, conforme avançamos na aventura, ele vai mostrando cada vez elementos mais avançados, especialmente dentro dos dungeons, até começarem a impressionar graficamente. Em um deles há soberbos efeitos de lava e alguns itens proporcionam uma belíssima iluminação dinâmica.

O efeito 3D funciona dentro do esperado, separando bem os elementos verticalmente, mas a visão aérea não permite que ele vá além disso. Em alguns poucos momentos cruciais é praticamente obrigatório utilizar o efeito 3D para ter uma real noção de onde uma plataforma está, e isso pode incomodar quem tem problemas com o efeito.

As músicas são uma mistura de velhos clássicos remixados e novas melodias. Algumas músicas de A Link to the Past fariam muita falta se não estivessem lá e a Nintendo teve a sensibilidade de acertar quais músicas manter. As novas nem sempre são tão marcantes, mas fazem seu trabalho. Os efeitos sonoros também trazem muito do clássico do Super Nintendo para essa nova geração.

O jogo tem bons extras, mas faltam histórias para se envolver depois de terminá-lo (Foto: nintendofuse.com, thegamingpixelshow.com e linkshideaway.com) (Foto: O jogo tem bons extras, mas faltam histórias para se envolver depois de terminá-lo (Foto: nintendofuse.com, thegamingpixelshow.com e linkshideaway.com))O jogo tem bons extras, mas faltam histórias para se envolver depois de terminá-lo (Foto: nintendofuse.com, thegamingpixelshow.com e linkshideaway.com)

Além da Triforce

A Link Between Worlds traz uma jornada de aproximadamente 10 horas de duração, com uma progressão um pouco acelerada. Essas horas parecerão voar bem rápido por você, pois toda a aventura é extremamente magnética, sendo muito difícil parar de jogar antes de chegar ao fim.

Há muitas coisas para fazer, até mesmo enquanto você está ao resgate da princesa Zelda, como juntar dinheiro para comprar itens, encontrar filhotes de uma criatura chamada Maimai espalhados pelo mapa, fazer upgrades nos seus itens, entre outros. Você se encontrará até mesmo voltando a dungeons para procurar tesouros e itens que deixou passar, algo que parece impensável em capítulos anteriores da franquia.

The Legend of Zelda: A Link Between Worlds é um dos melhores jogos do Nintendo 3DS (Foto: modojo.com) (Foto: The Legend of Zelda: A Link Between Worlds é um dos melhores jogos do Nintendo 3DS (Foto: modojo.com))The Legend of Zelda: A Link Between Worlds é um dos melhores jogos do Nintendo 3DS (Foto: modojo.com)

No entanto, quando o jogo acaba, realmente parece que acabou. O mundo fica parecendo vazio e dá a impressão que não há mais nada para fazer. Apesar de haver tarefas em toda parte esperando serem completadas, faltam realmente aventuras extras, side quests, histórias opcionais que trouxessem algum envolvimento com os personagens.

O modo multiplayer online apresentado em The Legend of Zelda: Phantom Hourglass para o Nintendo DS foi deixado de lado em troca de interações utilizando a função Street Pass. Com ela você pode enviar e receber sombras de Link, lutando contra elas por dinheiro. Não é um extra muito interessante, mas traz dinheiro fácil.

Um elo entre dois mundos

Assim como em seu título, The Legend of Zelda: A Link Between Worlds cria uma ponte entre dois mundos, o da franquia The Legend of Zelda clássica e a moderna. Trata-se de uma das aventuras mais divertidas e excitantes de Link, como há muito não víamos na série. O jogo se tornou facilmente uma das maiores surpresas do ano e um dos melhores títulos do Nintendo 3DS.

Qual o melhor jogo de Nintendo 3DS? Deixe sua opinião no Fórum do TechTudo.

Nota TechTudo

NOTA tt
9.0
Gráficos
9
Jogabilidade
10
Diversão
10
Som
9

Prós

  • - O retorno de um clássico
  • - Combates frenéticos
  • - Novidades bem-vindas à fórmula
  • - Dificuldade na medida

Contras

  • - Ritmo um pouco estranho
  • - Selecionar itens é difícil
  • - Faltam extras mais significativos
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  • Akauã Paula
    2013-12-05T10:30:20

    sem dúvidas um dos melhores RPGs do Snes. mas se tratando de um novo capitulo poderiam pelo menos mudar os boss, aquela lagarta ali tinha à 20 anos atrás... ela reviveu depois de 20 anos? pq ja matei ela.

  • Hugo Fraga
    2013-12-04T21:48:23

    Zelda e Zelda