Jogos de ação

NOTA tt
8.3

Review Life is Strange

Confira o review completo do adventure que permite rebobinar o tempo e usar isso a seu favor, já que suas ações trarão consequências futuras.

Emanuel Schimidt
por
em

Life is Strange é um adventure episódico da Dontnod, estúdio também responsável por Remember Me, que conta com versões para PC, PlayStation 4Xbox OnePlayStation 3 e Xbox 360. O título bebe na fórmula dos jogos da Telltale e Quantic Dream, em que as escolhas tomadas durante a história terão consequências futuras. Entretanto, ele traz um ingrediente adicional: a possibilidade de rebobinar o tempo e modificar suas ações. Confira o resultado disso no nosso review completo, realizado com a versão de PlayStation 4.

Confira o review completo de Game of Thrones Episode 1: Iron from Ice

Adventure de qualidade

Nos últimos tempos, o gênero adventure tem sido dominado praticamente por dois estúdios, a Telltale Games, com títulos como The Walking DeadGame of Thrones e, em breve, Minecraft: Story Mode, e a Quantic Dream, responsável por Heavy Rain e Beyond Two Souls. A comparação de Life is Strange com todos esses jogos é inevitável, mas a boa notícia é que o game da Dontnod não faz feio e oferece uma ótima qualidade.

Com o desenrolar da história, o jogador precisa fazer algumas escolhas, sendo que muitas delas terão consequências futuras. Essa premissa não é inédita e presente em todos os games acima. No entanto, é clara a ideia da Dontnod de extrapolar essa fórmula, e isso é obtido inserindo a possibilidade de rebobinar o tempo, um poder que Maxine Caulfield, ou apenas Max, descobre possuir.

Life is Strange começa em meio a uma tempestade (Foto: Divulgação)Life is Strange começa em meio a uma tempestade (Foto: Divulgação)

Enredo ainda insípido

Life is Strange começa com Max em meio a uma tempestade e, no alto de um farol, ela avista um gigantesco tornado destruindo a cidade. De repente, a menina retorna para a sala de aula, onde ela estuda fotografia. Logo ali, o jogador pode sentir um pouco do game: verificar objetos e, dependendo, tirar fotos. Após a aula – e algumas lições de moral e história da fotografia -, Max vai ao banheiro. Lá, ela acaba vendo o que não queria: um assassinato. Ainda atordoada com a cena, a protagonista tenta fazer algo, rebobinando o tempo pela primeira vez, retornando à sala de aula do início da história.

Para treinar o jogador e ensinar a manipular o tempo, será possível modificar as ações acontecidas durante a aulas. Parece clichê, mas as ações que afetarão o futuro são bem construídas, deixando dúvidas sobre qual é e melhor escolha. Na realidade, o jogo deixa os jogadores em encruzilhadas, não existindo atitude certa ou errada, mas apenas aquela que consideramos a melhor naquele momento.

Apesar desse cenário inicial, a história do título se desenrola lentamente e, quando a coisa começa a engrenar, o primeiro episódio termina. São poucos os momentos instigantes nessas cerca de duas horas iniciais. E, para piorar, o fim não deixa o jogador extremamente ansioso pelo segundo episódio, algo que a Telltale sabe fazer muito bem para prender os usuários. O jeito é torcer para o ritmo melhorar nos episódios que virão.

Life is Strange (Foto: Divulgação)Life is Strange ão deixa o jogador extremamente ansioso pelo segundo episódio (Foto: Divulgação)

Personagens complexos

A história se passa em Arcadia Bay, cidade natal de Max e para onde ela retorna para estudar fotografia após ter se mudado há cinco anos com a família. Com 18 anos recém-completados, Max se encontra na fase em que deve se tornar adulta, mas ainda sem a experiência e a coragem necessárias, conflitos que são abordados durante o game.

Quando adolescente, ainda em Arcadia Bay, Max tinha uma melhor amiga, Chloe, com quem deixou de ter contato quando se mudou com a família para outro estado. O receio de procurar a amiga após tanto tempo é grande, deixando Max inerte por algum tempo após voltar para sua cidade natal. Além desse conflito, Life is Strange também aborda as mudanças das personagens nesse período, e principalmente, do vale que existe entre elas.

Life is Strange: Max e sua melhor amiga, Chloe (de cabelo azul) (Foto: Divulgação)Life is Strange: Max e sua melhor amiga, Chloe (de cabelo azul) (Foto: Divulgação)

Todo o primeiro episódio foi construído para apresentar os diversos personagens, suas características e personalidades. Entre os colegas de escola de Max estão todos os estereótipos da vida real: o nerd, os atletas que fazem bullying, os skatistas descolados, a gatinha que se acha superior… Entretanto, todos eles estão ligados a uma misteriosa personagem, Rachel Amber, que desapareceu há algumas semanas, antes do retorno de Max, e que deve ser um dos focos nos próximos episódios.

Cada personagem é complexo e cabe ao jogador conhecer e se interessar por eles. Também como na realidade, é preciso gastar um tempo com as pessoas, puxar conversar, perguntar sobre suas vidas. Em Life is Strange, isso serve para situar o jogador, conhecer mais da história e da vida na cidade de Arcadia Bay. E, claro, mostra as nuances de cada personagem, seus defeitos e qualidades, medos e segredos. Tudo é contado de forma natural, sem forçar o usuário.

Life is Strange traz personagens no fim da adolescência (Foto: Divulgação)Life is Strange traz personagens no fim da adolescência (Foto: Divulgação)

Rebobinando o tempo com múltiplos botões

Os controles são bastante simples e, é claro, o foco está no poder de rebobinar o tempo. Com um botão, é iniciado o processo mas há alguns modificadores. Por exemplo, com R2 (no PS4) é possível rebobinar mais rapidamente. Já com L1 (no PS4), o jogador retorna para a última ação realizada. Além disso, caso volte no tempo e um diálogo já tenha sido dito, basta pressionar R1 (também no PS4) para pular. Isso pode parecer bobo, mas se não existisse tornaria a volta no tempo muito chata.

O jogador pode andar com Max por todo o ambiente. Ao se aproximar de alguns objetos é possível interagir com eles. Por exemplo, cada episódio tem um conjunto de missões paralelas, que nada mais são algumas fotografias específicas que Max deve tirar. Ao encontrar o objeto ou pessoa indicada, haverá a possibilidade de fotografá-la. Infelizmente essa opção é restrita a alguns contextos, ou seja, nada de poder sacar a câmera e sair fotografando qualquer coisa.

Life is Strange: Max pode tirar fotos de diferentes pessoas, animais e objetos (Foto: Reprodução/Emanuel Schimidt)Life is Strange: Max pode tirar fotos de diferentes pessoas, animais e objetos (Foto: Reprodução/Emanuel Schimidt)

Gráficos e trilha sonora bucólicos 

Life is Strange é um jogo belíssimo, a começar pelos gráficos, que conseguem transmitir o ambiente bucólico e às vezes depressivo de Arcadia Bay. O jogo é fortemente inspirado pelo cinema independente, com ângulos escolhidos para fazer o jogador sentir o peso dramático do momento. As cores complementam essas cenas, ora com tons quentes e acolhedores, ora com tons escuros e mais introspectivos.

A cereja do bolo fica por conta da trilha sonora, com músicas basicamente com voz e violão. Entre as canções estão Santa Monica Dream, de Angus e Julia Stone e To All of You e Obstacles, da banda Syd Matters. Para quem quiser escutar, toda a trilha sonora de Life is Strange está disponível no serviço de streaming Spotify.

Infelizmente, mesmo com gráficos não tão pesados, o game consegue ter alguns momentos de lentidão, com lags principalmente quando há mudança de ambiente. Outro problema é a total falta de sincronia entre as falas e os movimentos labiais dos personagens. Isso faz parecer que houve pouco investimento de tempo em lapidar as animações. Entretanto, nada disso atrapalha a diversão e a experiência.

Life is Strange tem ambientes bucólicos e fotografia dramática (Foto: Divulgação)Life is Strange tem ambientes bucólicos e fotografia dramática (Foto: Divulgação)

Conclusão

Life is Strange é um belo jogo, a começar pela trilha sonora imersiva e fotografia cinematográfica. Os personagens são complexos e a história promete ser boa, apesar de ser um pouco enrolada neste primeiro episódio. Um dos pontos negativos, porém, é a ausência de legendas em português, algo que faz muita falta em um game como este, que exige entender, interpretar e tomar decisões. É uma pena ver produtoras como a Square-Enix, de Life is Strange, se preocuparem pouco com jogadores de outros continentes. Esse é um aspecto que deveriam aprender com os desenvolvedores independentes, que se esforçam para lançar seus jogos em múltiplas línguas.

Na sua opinião, qual é o melhor jogo de ação ou aventura para PC? Opine no Fórum do TechTudo.

Nota TechTudo

NOTA tt
8.3
Gráficos
8
Jogabilidade
8
Diversão
7
Som
10

Prós

  • - Ambientação bucólica
  • - Excelente trilha sonora
  • - Personagens complexos

Contras

  • - Ausência de legendas em português
  • - Lags em alguns momentos
  • - Ausência de sincronismo entre falas e movimentos labiais
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