Jogos de ação

Por Erick Figueiredo, do Home Office


Metroid Dread é o mais novo título estrelado por Samus Aran, a caçadora de recompensas da Nintendo. Sendo o primeiro jogo da protagonista desde Samus Returns, lançado em 2017 para o Nintendo 3DS, Metroid Dread foi anunciado durante a transmissão da desenvolvedora na E3 2021 e deixou os fãs da franquia ansiosos para experimentar a próxima aventura da heroína.

O jogo foi lançado em outubro exclusivamente para o Nintendo Switch pelo preço de R$ 299. Confira a seguir a análise completa do TechTudo sobre a aventura que traz toda a sensação dos clássicos para os dias atuais.

Metroid Dread traz Samus em uma nova aventura 2D — Foto: Reprodução/Erick Figueiredo

A tão esperada continuação

Metroid Dread é um jogo que ficou perdido no limbo do desenvolvimento de games por muitos anos. Originalmente planejado para o Nintendo DS, o game acabou sendo cancelado após o produtor da série, Yoshio Sakamoto, considerar que o portátil não tinha um hardware bom o suficiente para as ambições do título.

O projeto só foi ressuscitado após a desenvolvedora Mercury Stream terminar seu trabalho em Metroid: Samus Returns, e o Switch ser anunciado. Assim, a revelação do título durante a E3 2021 pegou os fãs de surpresa, visto que muitos conheciam Dread apenas como um nome perdido "para sempre" na pilha de jogos cancelados.

A terrível SA-X marca presença na introdução do game — Foto: Reprodução/Erick Figueiredo

Cronologicamente, Metroid Dread é uma continuação direta de Metroid Fusion, lançado em 2001 para o Game Boy Advance. Para ajudar os jogadores a se recordarem da aventura anterior, o game se inicia com uma série de flashbacks que mostram os principais eventos do título de GBA, mas com novos visuais.

Após a destruição da estação espacial BSL, a federação galáctica recebe um vídeo mostrando o planeta ZDR. A transmissão revela que os parasitas X, os perigosos inimigos enfrentados por Samus em Fusion, estão no local. Após despachar um grupo de robôs para o planeta e perder contato com os mesmos, a federação pede a ajuda da caçadora de recompensas, que parte imediatamente para o local.

Chegando ao planeta, Samus acaba se deparando com um misterioso inimigo que a derrota em um único ataque, fazendo-a perder sua consciência. Acordando logo depois, a heroína descobre que sofreu amnésia física e perdeu todos os seus poderes. Agora, Samus precisa voltar à superfície do local, para sua nave, recuperando os upgrades ao longo do caminho e tentando sobreviver.

Uma jornada nada segura

Samus terá que redescobrir suas habilidades perdidas em um novo ambiente hostil — Foto: Reprodução/Erick Figueiredo

Metroid Dread é o primeiro jogo 2D original da série Metroid em 19 anos. O game utiliza os tradicionais elementos da franquia, como locais cheios de inimigos, armadilhas e paisagens variadas para oferecer uma experiência bem divertida e nostálgica, remetendo aos jogos anteriores com um novo visual.

A jornada de Samus para retornar a sua nave não será nada fácil. Metroid Dread é difícil, oferecendo bastante desafios para o jogador. Além dos inimigos que estarão em seu caminho, a protagonista precisará encarar chefões, muita vezes enormes e que possuem ataques devastadores, levando bastante tempo para cair.

Além dos adversários, o planeta também possui áreas cheias de armadilhas e perigos naturais que podem matar a heroína facilmente, como altas temperaturas, por exemplo. Para superar tais desafios, Samus precisa recuperar seus poderes perdidos e explorar cada local em busca dos segredos. Essa é a chave do sucesso da fórmula Metroid, que Dread continua perfeitamente.

Samus atravessará biomas perigosos — Foto: Reprodução/Erick Figueiredo

A exploração é a melhor parte do jogo, incentivando jogadores a superar os desafios de forma criativa ou buscar caminhos alternativos. Apesar de o game não oferecer uma liberdade enorme de início, ao conseguir reunir alguns upgrades é possível atingir os objetivos de novas maneiras.

O famoso backtrack, presente nos jogos da chamada fórmula Metroidvania (união de Metroid e Castlevania), é aplicado de forma natural. O design do game influencia a busca por caminhos alternativos quando o jogador precisa retornar a um ponto antigo. Aqueles que decidirem buscar tais rotas serão recompensados com upgrades ou atalhos para outras partes do planeta.

Sobre atualizações, o jogo as entrega de forma periódica. Em poucas horas, Samus recupera bastante capacidade ofensiva, além de algumas habilidades bem úteis. Esse ganho incentiva a exploração de locais antigos e a sensação de retornar ao início do game com algumas melhorias é bem interessante.

Uma caçadora de recompensas com muitas habilidades

A jogabilidade de Metroid Dread é perfeita para novatos e veteranos — Foto: Reprodução/Erick Figueiredo

Metroid Dread apresenta uma prazerosa jogabilidade, simples o bastante para que novatos possam se adaptar e cheia de ferramentas úteis que agradam os veteranos da série. Controlar Samus é bem divertido: a protagonista se move de maneira natural e possui novas habilidades que ajudam bastante na exploração dos cenários.

Entre as novidades na mobilidade, Samus agora possui um slide que pode ser ativado com um toque de botão. Com isso, a protagonista desliza por alguns segundos, algo perfeito para passar por espaços estreitos e desviar de certos inimigos. Além disso, escorregar ajuda a manter o momento da heroína, que, graças à velocidade aumentada, consegue atravessar os vastos espaços em um curto período de tempo.

Voltando à franquia após Metroid: Samus Return, temos o contra-ataque. Com um toque de botão, Samus pode realizar um ataque físico que, se aplicado no momento certo, permite que ela realize um contra-ataque e finalize seu adversário com um único tiro. A ação é bastante incentivada pelo jogo, visto que inimigos derrotados recompensam o jogador com muito mais itens de recuperação.

Samus encontra velhas e novas habilidades ao explorar ZDR — Foto: Reprodução/Erick Figueiredo

A protagonista ainda mantém seu antigo arsenal de habilidades vindo de outros games da série. Clássicos upgrades da franquia estão disponíveis para os jogadores, como a Morph Ball, que transforma Samus em uma bola, e a Shinespark, que permite carregar um boost após correr por um tempo. Há ainda diferentes armaduras que podem ser equipadas, caso da Varia Suit, para um visual similar ao seu tradicional Gravity Suit.

Além de habilidades defensivas, Samus também adquire novos poderes ofensivos que transformam a heroína em um verdadeiro exército de uma mulher só. Começando com um patético canhão, o jogador terá melhorias como o Charge Shoot, que permite carregar seu ataque, Wide Beam, que dispara três tiros seguidos, e Ice Beam para congelar inimigos, entre outros.

Além deles, a protagonista também pode adquirir supermísseis e superbombas, que, como o nome sugere, são versões mais poderosas de suas munições. Há ainda mais poderes ofensivos para ajudar a eliminar as ameaças de ZDR.

Metroid Dread também oferece novas melhorias para a protagonista. A partir de Aieon, uma energia especial introduzida em Samus Return, é possível expandir as opções de movimento da personagem, o que ajuda a superar os principais adversários do game. Duas delas serão essenciais para sobreviver durante a aventura: o Flash Shift, que permite mover Samus rapidamente em um curto período de tempo, e a Phantom Cloak, que deixa a heroína invisível.

O sentimento de Dread

Inimigos hostis e outros perigos aguardam Samus — Foto: Reprodução/Erick Figueiredo

Metroid sempre foi uma franquia de ação que utilizava certos elementos visuais para passar uma sensação de medo aos jogadores. Em Super Metroid, os jogadores podiam encontrar cadáveres de cientistas e soldados enquanto exploravam os ambientes. Fusion introduzia a perigosa SA-X, um parasita X que possuía todos os poderes de Samus e que, em certos momentos tensos da aventura, aparecia para encontrar e matar a protagonista.

Em Metroid Dread, os desenvolvedores decidiram seguir a ideia de SA-X, um inimigo poderoso que persegue Samus, mas também ampliar para oferecer aos jogadores mais momentos de tensão e o medo de ser morto. Essa evolução da ideia culminou na criação dos E.M.M.I, robôs invencíveis espalhados por todo o planeta.

Enviados pela federação Galática a ZDR para tentar encontrar os parasitas X, os E.M.M.I foram criados para serem indestrutíveis, possuindo uma carcaça bem forte e sabendo onde (e quando) atacar. Os robôs foram hackeados ao chegar no local, e agora estão programados para caçar Samus e matá-la.

Felizmente, os E.M.M.I ficam contidos em certas partes dos mapas e Samus pode fugir deles sem ser identificada. A adição de tais inimigos oferece um desafio extra na exploração, pois, ao encontrar um deles, o robô seguirá Samus de forma incansável.

O novo perigo que Samus deve encarar em ZDR, os E.M.M.I — Foto: Reprodução/Erick Figueiredo

Com destaque para os efeitos sonoros, a tensão presente em momentos em que a heroína está próxima de um deles é enorme. Infelizmente, a ideia cansa depois de um tempo, já que os inimigos atrapalham bastante e forçam o jogador a desviar o caminho para sobreviver.

Outro ponto negativo dos robôs é que ser capturado por um geralmente significa morte. Os E.M.M.I matam Samus com um único ataque, sendo preciso tomar cuidado em dobro para não chamar sua atenção. É possível utilizar um contra-ataque em um momento bem exato para poder escapar, mas as chances disso acontecer são bem baixas.

Os E.M.M.I também possuem algumas das melhorias que Samus precisa para avançar na história. Enquanto não é possível destrui-los com as armas da heroína, é possível absorver um tipo especial de energia e conseguir o Omega Blaster, um upgrade temporário para o canhão de Samus que pode destruir os robôs com um único tiro carregado.

A sensação de eliminar um adversário chato é uma das melhores e ajuda o jogador a se sentir como Samus: lentamente voltando a ser a lendária caçadora de recompensas conhecida pelos fãs da franquia.

A melhor forma de se apresentar uma narrativa

As cutscenes apresentam a narrativa de forma direta e sem muita complicação — Foto: Reprodução/Erick Figueiredo

A apresentação da narrativa sempre foi uma discussão que os fãs de Metroid debatem há anos. Metroid Dread segue a premissa do título de GBA, com bastante cutscenes e elementos de narrativa ao longo da jornada. Apesar disso, tudo é apresentado ao jogador sem muitas palavras ou apenas por ações realizadas pela heroína e seus inimigos.

O jogo não apresenta um caminho ou "segura a mão" do player para seguir o que já está predefinido, dessa forma a história não é tão mastigada. Existe o mistério de quem é o inimigo que atacou Samus no início da jornada, mas o game não foca sua atenção nisso a todo momento e as algumas respostas são oferecidas aos poucos.

Mesmo sem dizer muitas palavras, Samus é certamente a principal estrela da narrativa de Metroid Dread. As cutscenes apresentam um novo lado da heroína, como alguém que já está acostumada a sua situação atual e que não é afetada por nada. Ver a caçadora eliminando seus inimigos e, principalmente, mostrando porque ela é temida por eles é sensacional, principalmente vendo suas ações corporais enquanto lida com as situações.

Um jogo que utiliza tudo do Switch

Metroid Dread tem visuais fantásticos para o Switch — Foto: Reprodução/Erick Figueiredo

Metroid Dread é um jogo lindo e apresenta visuais sensacionais para o Nintendo Switch. Com cenários enormes e modelos bem detalhados, é difícil não ficar impressionado ao observar cada um dos locais que Samus visita durante sua aventura. O modelo da heroína é muito bem feito e os efeitos visuais de sua armadura são de chamar a atenção. Também existe uma névoa constante que ajuda na imersão.

Todo o jogo também roda perfeitamente no Switch (a 60 fps), sem problemas de lag ou quedas de frames, e há pouco que possa atrapalhar a experiência. Além de bons gráficos, o game também utiliza perfeitamente a sua câmera para aumentar a tensão em certos momentos, ou mesmo expandir e mostrar mais da sala que Samus está presente.

Efeitos sonoros também chamam a atenção. Os passos da protagonista mudam conforme a superfície que a mesma se encontra, inimigos têm sons que indicam seus ataques, e as armas que Samus possui trazem seu próprio barulho. Combinado a isso, temos uma trilha sonora que dá o tom da jornada e do desafio que a heroína vai encontrar em ZDR.

Conclusão

Metroid Dread fez a espera por um novo jogo da série Metroid, valer a pena — Foto: Reprodução/Erick Figueiredo

Metroid Dread é o retorno triunfal que a série Metroid merecia. Oferecendo a melhor jogabilidade 2D já vista na franquia até o momento, o game traz uma boa experiência aos amantes do gênero Metroidvania e jogos de ação. A história alcança uma conclusão bastante interessante para o futuro e deixa espaço suficiente para que novas aventuras da protagonista possam acontecer.

A dificuldade pode atrapalhar um pouco de ínicio, com Dread oferecendo um desafio um pouco acima da média. Alguns inimigos como os E.M.M.I e chefões podem atrapalhar bastante. Contudo, a exploração e a sensação de descobrir novos segredos é fantástica.

Metroid Dread também mostra porque Samus é uma heroína que merece mais atenção, seja da Nintendo ou dos fãs da companhia. Com uma jogabilidade muito positiva, desafio único e incentivo para que os jogadores o explorem, o game é uma das melhores experiências lançadas em 2021 para o Nintendo Switch. Para os que nunca deram uma chance à saga Metroid, a hora é essa.

9

O retorno de Samus Aran à sua origem 2D é regada de bons momentos

Metroid Dread retorna majestosamente para a era 2D da franquia e mostra que os jogos side-scrollers ainda tem espaço num mercado que cada vez mais prefere aventuras em mundos gigantes 3D. Sua jogabilidade é sólida e o incentivo à exploração ajuda a aumentar o seu tempo de jogo.
História
8
Gameplay
10
Gráficos
9
Diversão
9
Ambientação
9
Mais do TechTudo