Por Bernardo Dabul; Por TechTudo

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Middle-Earth: Shadow of Mordor, desenvolvido pela Monolith Productions, leva os jogadores de volta ao universo de Senhor dos Anéis, porém desta vez com uma história anterior aos acontecimentos da famosa trilogia. O jogo traz ideias novas para o seu gênero, porém não atingindo o nível de excelência para o qual tinha potencial. Confira a análise completa!

som-capa — Foto: TechTudo

O jogo começa com Talion, um patrulheiro de Gondor, e sua família sendo capturados por orcs e sacrificados em um ritual. Surpreendentemente, o espírito de Talion não morre, permanecendo eternamente em Mordor, até que a maldição seja quebrada. Em sua “vida após a vida”, o patrulheiro é acompanhado por um elfo espectro que perdeu sua memória. Juntos, eles devem caçar a Mão Negra de Sauron para libertar seus espíritos.

A narrativa começa de forma impactante, especialmente com a cena do sacrifício de Talion e sua família, estabelecendo bem o objetivo do jogo. É uma pena que o que se segue deixe bastante a desejar. Parte da história foca em recuperar a memória do elfo espectro, enquanto a outra vê Talion tentando achar a Mão Negra para libertar seu espírito.

Nenhuma delas é muito interessante, não possuindo senso de urgência e apresentando personagens coadjuvantes fracos. Até mesmo as partes que contam com a participação de Gollum não se mostram interessantes, uma vez que a dinâmica Talion-Espectro-Gollum é quase idêntica à de Sam-Frodo-Gollum, como é vista na trilogia do Senhor dos Anéis.

som-talion-espectro-gollum — Foto: TechTudo

O combate de Shadow of Mordor é muito semelhante aos jogos da série Arkham do Batman. Existem ataques básicos, atordoamentos, contra-ataques e esquivas. Além disto, um medidor de combo cresce conforme são dados golpes em sequência sem tomar dano, permitindo que execuções sejam feitas contras os inimigos. Assim como em Batman, o combate é fluido e fácil de aprender, com mais níveis de complexidade sendo adicionados conforme o jogador avança na história.

Existe também uma série de upgrades que podem ser comprados para o protagonista, conforme vai passando de nível. Estes apresentam grande variedade, dando liberdade para o jogador escolher as que melhor lhe convêm.

Além disto, as armas de Talion (arco, adaga e espada) apresentam espaços para runas que adicionam atributos especiais, ativados durante o combate. Como as runas são adquiridas ao matar capitães orcs, a frequência com que estas são obtidas é grande, garantindo que sempre haja alguma que se encaixe em um estilo determinado de jogo.

Middle-Earth: Shadow of Mordor (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

Um dos pontos fortes de Shadow of Mordor é seu sistema de capitães. Dentro de cada uma das duas regiões exploráveis pelo jogador existem hierarquias de orcs que dominam o território. Cada região possui 5 chefes e vários capitães, cada qual com um nível de poder diferente. Talion pode caçá-los tanto para conseguir experiência quanto para obter novas runas para suas armas.

Os orcs também lutam entre si por poder fazendo com que missões apareçam no mapa e permitam que Talion entre na disputa. Este pode matar um ou até mesmo os dois capitães. Caso o conflito não seja interrompido, o orc vitorioso ganhará poder, possivelmente subindo de patente no processo.

som-capitao — Foto: TechTudo

Adicionalmente quando Talion, por ser um espírito e ter fama de matar orcs, é derrotado por um inimigo, este ganha poder e sobe de patente. Além disto, o capitão vitorioso fica marcado mostrando que prevaleceu contra o jogador. Este sistema é dinâmico e adiciona longevidade ao jogo, uma vez que sempre há novos capitães surgindo no lugar daqueles que já foram derrotados.

A movimentação de Shadow of Mordor, por outro lado, é um de seus aspectos problemáticos. Escalar paredes é muito imprevisível, várias vezes bloqueando a movimentação do jogador arbitrariamente. Um exemplo disto é o fato de ser necessário apertar um botão para terminar de escalar uma parede e outro botão diferente para terminar de descer a mesma. Isto leva a uma complexidade maior, desnecessária ao esquema de controle do jogo.

Adicionalmente, durante as partes furtivas do jogo, o protagonista às vezes encosta em uma parede para ter cobertura melhor. Infelizmente, sair desta ação na maioria das vezes, é problemático, sendo necessário colocar o analógico em uma direção não desejada.  A movimentação deixa bastante a desejar, o que é uma pena.

Middle Earth: Shadow of Mordor traz história baseada nas obras de Tolkien (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

Graficamente, o jogo utiliza bem o poder do Xbox One e do PlayStation 4. A primeira região é mais sombria, devastada e com muitas construções destruídas. Já a segunda apresenta bastante vegetação, o que é bem diferente do esperado de Mordor.

Ambos os cenários apresentam qualidade gráfica alta, com texturas detalhadas e a possibilidade de enxergar grandes distâncias sem pesar no desempenho. Às vezes, quando muitos inimigos estão em cena ao mesmo tempo, o jogo apresenta uma pequena queda de quadros por segundo, não quebrando ou atrapalhando porém a imersão e experiência.

som-vista — Foto: TechTudo

O som é outro aspecto que também deixa a desejar. A atuação dos personagens é distante, nenhum deles sendo realmente memorável após terem seu momento em cena. Até mesmo o protagonista, Talion, tem atuação fraca e nenhum peso em suas falas. A trilha sonora faz seu papel de estabelecer o clima, mas também não se destaca de nenhuma forma.

Middle-Earth: Shadow of Mordor é um jogo que puxa os básicos de franquias como Batman e adiciona algumas ideias próprias por cima. Embora o combate seja muito bom e seu sistema de capitães inovador e divertido, a movimentação exageradamente complicada e a história com sua narrativa fraca impedem que atinja seu potencial.

  Review Middle-Earth: Shadow of Mordor


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7.5

Gráficos
8
Jogabilidade
7
Diversão
8
Som
7

Prós

  • - Combate dinâmico
  • - Gráficos e altas texturas
  • - Hierarquia entre Orcs

Contras

  • - Movimentação difícil
  • - Atuação pouco marcante

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