Jogos de RPG

NOTA tt
9.5

Review Persona Q: Shadow of the Labyrinth

Novo título traz trama misteriosa e envolvente que mistura a jogabilidade e personagens de Persona 3 e 4.

Lílian Moreira
por
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Persona Q: Shadow of the Labyrinth é o novo título da Atlus, da série spin-offs de Megami Tensei. Dessa vez, o game sai nos consoles Sony para o Nintendo 3DS e mistura a jogabilidade de Persona 3 e Persona 4, além de puxar o estilo dungeon crawler labiríntico de Etrian Odyssey.

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persona-q-capaPersona Q: Shadow of the Labyrinth: Cartas de Tarô fazem parte da mística da história (Imagem:Divulgação)


História misteriosa, sobrenatural e psicológica

Apesar do curioso nome com um “Q” solto no meio, que vem da sonoridade de um apelido japonês de Etrian Odyssey, e sem números, a história faz parte da linha do tempo de Persona. Mesmo sendo canônica, é uma aventura independente e pode ser jogada por iniciantes na série. As complexas relações entre personagens e personas, no entanto, poderia ser um pouco mais explicada para quem está começando agora.

Em um festival realizado na escola, um grupo de jovens descobre a lenda das Sete Maravilhas do Colégio Yasogami. Na história, estátuas que correm durante a noite e o sino de uma torre causa a morte de quem o ouve. No começo alguns ficam céticos, mas logo na primeira cena, o que seria uma tenda normal da feira, surge um portal para a primeira dungeon, inspirada em Alice no País das Maravilhas.

Dois personagens são inseridos na trama: os novatos Rei e Zen. Uma menina comilona que gosta de luta e um garoto sombrio com um sentido de proteção em relação a ela. A princípio, eles seriam alunos normais da escola, mas eles mesmos não lembram muito de suas próprias histórias e querem descobrir seus passados.

As edições limitadas do game vêm com algumas cartas de Tarô. Embora as cartas físicas não alterem a jogabilidade em si, a narrativa envolve os Arcanos numa trama com influências de misticismo e psicologia jungiana.

Persona Q: Shadow of the Labyrinth: Cartas de Tarô fazem parte da mística da história (Imagem:Divulgação) (Foto: Persona Q: Shadow of the Labyrinth: Cartas de Tarô fazem parte da mística da história (Imagem:Divulgação))Persona Q: Shadow of the Labyrinth: Cartas de Tarô fazem parte da mística da história (Imagem:Divulgação)


As entidades que dão nome ao jogo, personas, são passíveis de serem invocadas e ajudam nas batalhas. Em termos de narrativa, são a própria personalidade de seus donos, de maneira intensa e externa. A contraparte se mostra como inimigo, as sombras, que têm a mesma origem, porém expressa com negatividade e caos.

Cada persona pertence a uma das cartas dos Arcanos Maiores do Tarô, sendo que uma mesma carta pode ter várias personas, definindo suas habilidades específicas. Cada carta prioriza habilidades de cura, ataques físicos, magia, etc.

Apesar do tom sério da narrativa, os personagens são carismáticos e engraçados, balanceando o tom e cativando o jogador.

Mistura de Persona 3 e Persona 4

Antes de começar o jogo, uma decisão difícil deve ser tomada com base em poucas informações: o jogador precisa escolher o personagem principal e seus colegas, os membros da SEES, de Persona 3 ou da Investigation Team, de Persona 4. Apesar da história ser a mesma nos dois casos, o ponto de vista é diferente.

Persona Q: Shadow of the Labyrinth: Personagens novos e antigos (Imagem:Divulgação)Persona Q: Shadow of the Labyrinth: Personagens novos e antigos (Imagem:Divulgação)

Além disso, é necessário escolher o nível de dificuldade entre cinco opções. A mais difícil, Risky, não permite ser alterada durante o jogo. Mesmo na mais fácil o jogo tem uma dificuldade elevada tanto em quebra-cabeças quanto nas complexas batalhas.

Jogabilidade

Persona Q: Shadow of the Labyrinth é um dungeon crawler em primeira pessoa com batalhas em turno e com elementos de Etrian Odyssey. Ainda há a questão de desenhar os mapas, determinando paredes e portas, e evitar o combate do sistema de FOEs, inimigos superfortes que exigem mais estratégia, mas que não podem ser ignorados nos quebra-cabeças.

Diferente de Persona 3, cada jogador do time, mesmo sendo secundário, é controlado de maneira independente durante a batalha. Depois do comando, ele aparece na tela, se for o caso, com sua persona, e realiza o ataque.

Além de fundir personas, agora também é possível ter uma segunda persona para cada personagem, além do principal. O jogador escolhe cinco personagens para compor o time, e essa customização é essencial para se desenvolver no jogo.

Persona Q: Shadow of the Labyrinth: Personas disponíveis por DLC (Imagem:Divulgação)Persona Q: Shadow of the Labyrinth: Personas disponíveis por DLC (Imagem:Divulgação)

Os inimigos são fracos a tipos específicos de ataque. Para descobrir qual a fraqueza de cada um é preciso tentar várias vezes. Depois disso, as informações ficam salvas para uma futura referência. Atacar um inimigo em sua fraqueza gera um boost de dano, além de gerar um estado em que ataques especiais não gastam SP e saem primeiro. Essas mecânicas reforçam o senso de estratégia que atravessa todo o game.

Uma diferença dos títulos anteriores para Persona Q: Shadow of the Labyrinth é a contagem dos dias, que foi extinta. Como consequência, não há fases da lua com sombras aparecendo no mundo real, nem calendário e, principalmente, não existe mais social links, a mecânica para fortalecer vínculos de amizade com NPCs através de atividades cotidianas. No lugar das atualizações, existem quests com passeios e longos diálogos.

Gráficos, som e design

Com a passagem dos consoles Sony para o Nintendo 3DS, o visual dos personagens ganhou um ar mais fofinho e infantil, no estilo “deformed”, que envolve cabeças bem grandes. O visual é bem colorido e os cenários sempre têm um ar mágico.

Persona Q: Shadow of the Labyrinth: Complexas batalhas por turno (Imagem:Reprodução)Persona Q: Shadow of the Labyrinth: Complexas batalhas por turno (Imagem:Reprodução)

Além de carismáticos, os personagens são bem estilosos, com roupas e cabelos característicos dos jogos japoneses. Um dos personagens principais, um bicho azul redondo “que veio de dentro da TV” é, na verdade, um dos garotos fazendo cosplay.

A trilha sonora é impecável, como a série já cansou de mostrar. Um fato interessante é que a escolha do personagem principal no início altera algumas músicas, então pode ser mais um incentivo ao fator replay.

Como forma de DLC, é possível baixar personas, vozes de navegação extras (Margaret, Theodore, Elizabeth, Nanako e Marie), função streetpass, diálogos e cenas animadas.

Conclusão

Persona Q: Shadow of the Labyrinth é de alto nível no que se propõe a ser: um longo e imersivo dungeon crawler com trama complexa, batalhas em turno exigentes e quebra-cabeças difíceis. Para os fãs antigos de RPG, existe ainda o benefício de se misturar a jogabilidade de Etrian Odyssey e Personas 3 e 4. Os personagens carismáticos se tornam uma diversão à parte, balanceando o peso da narrativa.


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Nota TechTudo

NOTA tt
9.5
Gráficos
10
Jogabilidade
9
Diversão
9
Som
10

Prós

  • Junção de Persona 3 e 4
  • Puzzles envolventes
  • Personagens carismáticos
  • Trama complexa

Contras

  • Pouca introdução do universo
  • Ausência de social links
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