Por Felipe Vinha; Por TechTudo

TechTudo

Resident Evil HD Remaster é o relançamento de um clássico para PC, PS3, PS4, Xbox One e Xbox 360. Na verdade, ele é o “remake de um remake”, já que sua produção é baseada no Resident Evil de 2002, do GameCube, que por sua vez era a versão refeita do original, que saiu na década de 90, para o PSOne e outras plataformas. Hoje, 20 anos após o original chegar às lojas, temos em mãos uma nova versão que mostra que clássicos também envelhecem. Confira nossa análise completa:

Resident Evil HD Remaster: o retorno do clássico (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

O horror está de volta

Não é segredo nenhum, para muita gente, que Resident Evil, atualmente, não aposta mais no gênero de horror, pura e simplesmente. O quinto e o sexto jogo foram mais voltados para a ação do que para a sobrevivência e isso ficou claro, principalmente, a partir da mudança drástica da jogabilidade que vimos em Resident Evil 4.

Naquela época, a Capcom deixou de lado os “controles tanque” para dar espaço a uma câmera livre em terceira pessoa e a uma jogabilidade mais voltada para tiroteio e ação. A mudança agradou alguns, mas gerou reclamações, apesar de ter sido aceita pela maioria. Os controles "tanque", porém, estão de volta neste remake, bem como o teor de horror que estava presente no original.

A história e o seu desenvolvimento são os mesmos, com as exatas mesmas falas, apesar da dublagem diferente do que foi visto no PSOne. Contudo, a narrativa pesa bastante para o lado do horror, com momentos que farão você realmente segurar o fôlego, como um corredor escuro, iluminado apenas pelos trovões lá fora, ou por barulhos de gemidos ao fim de uma escada.

Resident Evil HD Remaster (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

Este clima, claro, é propício para o primeiro game da saga, estrelado por Jill Valentine e Chris Redfield, os dois personagens jogáveis, e com histórias distintas. A equipe Alpha Team é enviada para resgatar os membros do Bravo Team, ambas parte da organização STARS, que investigam os arredores de Raccoon City a partir de boatos de pessoas atacando umas as outras.

A história deve ser lembrada pelos fãs mais antigos: nesse meio tempo, os membros do Alpha Team se perdem após chegar ao local, com um ataque de cães raivosos e monstruosos que surgem do nada, no meio do mato. Sem escolha, eles vão parar dentro de uma mansão, onde terão que descobrir os segredos da corporação Umbrella e também sobre o que está causando os ataques dos chamados “zumbis”.

Resident Evil HD Remaster (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

Resident Evil HD Remaster merece todos os louros da vitória por não ter medo de ser clássico, em uma época onde jogos com narrativa mais cinematográfica fazem sucesso. Aqui, a história se desenvolve de forma mais tradicional, até de com certa “canastrice”, diríamos, em momentos onde as frases dos personagens soam bem forçadas, no estilo de filmes B antigos. Mas, bem, este sempre foi o objetivo de Resident Evil, ao menos antigamente.

O problema é que isso pode ser uma faca de dois gumes. Enquanto quem é fã do original e o jogou na época vai amar o que foi feito aqui, mas, ao mesmo tempo, uma parcela mais nova do público não deve ficar muito satisfeita. Da mesma forma que o jogo original, este remake também envelheceu.

Resident Evil HD Remaster (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

Não estamos falando que Resident Evil HD Remaster seja um jogo ruim. Ele é extremamente divertido e bem-feito, mas carece de uma atenção maior no quesito de novidades. Se a intenção da Capcom era a de oferecer uma experiência fiel ao original, ela acertou, mas vale lembrar que os jogos evoluíram, e alguns títulos mais antigos podem não funcionar tão bem com o público atual.

Quebra-cabeças e dificuldade

Resident Evil HD Remaster é um jogo difícil, no bom sentido. Desafiador como um Dark Souls, mas, ao mesmo tempo, mais simples por ser um jogo antigo e bem mais rápido de fechar. Porém, ele também pode ser difícil no sentido de “frustrante”. Imagine, por exemplo, ficar totalmente sem munição para lidar com os monstros, e preso naquele savegame em específico, simplesmente por não ter mais munição para coletar na casa?

Resident Evil HD Remaster (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

A mesma falta de recursos pode ocorrer para outros tipos de itens. Quem jogou o original deve se lembrar que, para salvar o progresso, era preciso encontrar uma máquina de escrever, e ainda assim era preciso ter tinta sobrando em seus itens. Se a tinta estiver em falta, e não tivermos mais como pegar em nenhum local da mansão, é “adeus” para o savegame – jogue até o final sem gravar seu progresso e boa sorte.

Esse tipo de função, em específico, podia funcionar na época em que o primeiro game foi lançado, seja por limitação técnica ou por oferecer um desafio maior. Mas, atualmente, alguém que está acostumado com tantos jogos que possuem “autosave” ou não limitam as chances de salvar o progresso vai ficar extremamente frustrado na hora de se deparar com um problema assim.

Resident Evil HD Remaster (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

Como já citamos e vamos repetir: isso não torna Resident Evil HD Remaster um jogo ruim. Longe disso. Apenas um game que não envelheceu tão bem e não evoluiu com o restante dos jogos ao seu redor. A Capcom preferiu manter a experiência mais próxima o possível do original, e pode pagar um preço por isso, na parcela de fãs que podem desistir ou não dar uma chance.

E por falar em dificuldade, há ainda os quebra-cabeças, que continuam inteligentes e divertidos de se resolver. Ainda que eles também tenham sentido um pouco o “peso da idade”, continuam como um dos pontos altos desta aventura. Cabe lembrar: o Resident Evil original não é um jogo de ação, mas sim de exploração, investigação e sobrevivência. E quebra-cabeças para abrir portas, caminhos ou similares continuam fazendo sentido, neste escopo.

Resident Evil HD Remaster (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

Outro ponto importante e que merece menção está na jogabilidade. Em RE HD Remaster temos duas opções, como uma boa mudança inserida pela Capcom. A primeira é fiel ao original, com os mesmos controles, mas há ainda uma segunda opção, com opções de comandos mais modernos, para deixar quem está acostumado com os jogos mais recentes da saga também mais familiarizados por aqui.

Mas, mesmo com as duas opções de controle, Resident Evil HD Remaster continua não sendo um jogo de ação, e passa longe disso. Não espere distribuir balas em todos os zumbis que ver pela frente ou sair correndo e metralhando todo mundo, pois isso só vai te fazer gastar munição sem sentido e ficar indefeso em confrontos mais decisivos. Neste sentido, o jogo acerta em se manter forte em suas raízes.

Resident Evil HD Remaster (Foto: Divulgação) — Foto: TechTudo

Graficamente, o jogo foi bem atualizado. Ele já nos parecia bonito na época do GameCube, mas ainda não estava em alta definição, como agora. A Capcom fez bem o seu dever de casa na hora de traduzir o game para os consoles atuais (e da geração passada), com o visual dos cenários limpíssimos e bem bonitos, além dos modelos dos personagens, que parecem ter recebido adição de polígonos e outras melhorias pontuais.

Conclusão

Resident Evil HD Remaster pode não ser um jogo para todos. O game envelheceu – bem em alguns pontos, mal em outros, mas ainda assim, é um jogão e um clássico imperdível. A “jogabilidade tanque” está de volta, mas conta com uma opção a mais de controle. O sistema de savegame, porém, pode ser torturante para os mais novatos. No final das contas, o saldo é positivo e a Capcom não decepciona com o retorno de sua obra máxima do horror.

  Review Resident Evil HD Remaster

Qual o melhor game da série Resident Evil? Comente no Fórum do TechTudo!

8

Gráficos
9
Jogabilidade
7
Diversão
8
Som
8

Prós

  • - Gráficos remasterizados
  • - Terror de verdade
  • - Jogabilidade clássica
  • - Segunda opção de controle

Contras

  • - Sistema de saves
  • - Sem mudanças significativas

Mais do TechTudo