Jogos de ação
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Por Diego Borges, da Redação


Anthem, game que mistura ação e RPG para PS4, Xbox One e PC, chega com a missão de ser a nova galinha dos ovos de ouro da poderosa EA. Desde o seu anúncio, na E3 2017, o título chama atenção pelos gráficos ultra realistas e uma jogabilidade inovadora. Mas, será que o jogo conseguiu cumprir tudo o que prometeu? Confira o review completo.

A Bioware já não é a mesma?

O ano era 2017, Anthem é revelado ao mundo em uma apresentação até então modesta da Microsoft, já preparando o terreno para alguns títulos compatíveis com o promissor Xbox One X. O game da EA chamou atenção logo nos primeiros minutos, com um visual surpreendente e que fez com que muitos acreditassem não ser o produto final, apenas uma maquiagem para promover o título.

Anthem é o principal lançamento da EA para 2019 — Foto: Divulgação/BioWare

Mas, todos sabemos que gráficos não bastam para que um jogo venda e agrade seu público. É preciso muito mais, como uma jogabilidade eficiente, uma história envolvente, e outros elementos que compensam o investimento. E todos esses elementos estavam no pacote de promessas da EA durante aquela e as outras posteriores apresentações.

Entretanto, a Bioware, produtora do jogo, fez papel de político e deixou boa parte dessas promessas apenas no papel. E o que deveria ser uma grande virada de mesa da empresa - que já não era vista com bons olhos desde Mass Effect Andromeda - tornou-se mais um tiro no pé da produtora, que agora tem uma tarefa mais que árdua: retomar sua credibilidade para seu próximo game, um novo Dragon Age.

O motivo desse fiasco eu irei explicar detalhadamente ao longo do texto. Mas para resumir a tragédia, a sensação de jogar Anthem, na atual data do review, é a de que estamos diante de um jogo que ainda não está pronto e é vazio em relação ao potencial que ele poderia e ainda pode oferecer. Resta saber como a Bioware pretende escrever os próximos capítulos através de DLCs e outros conteúdos que venham a agrega-lo.

Anthem decepcionou boa parte dos jogadores — Foto: Divulgação

A imensidão vazia

A história de Anthem se passa em um planeta um pouco diferente do nosso. No game, você controla um Freelancer (sim, no jogo você também é chamado assim!) que usa uma armadura especial chamada de Lança. Seu passado já foi mais glorioso, pois 10 anos antes dos período em que o título se passa, você participou de uma tropa que era idolatrada por seus atos e considerada a salvação do seu povo. Mas, depois de serem quase dizimados por uma força chamada Dominion, perderam a credibilidade e vivem de trabalhos aleatórios.

Entretanto, os Dominion agora voltam a ser uma ameaça para Forte Tarsis, uma espécie de último lar seguro no mundo. E cabe você se aliar aos últimos remanescentes para liderar um grupo com o intuito de impedir que os Dominions tenham o controle do Hino da Criação, um poder usado pelos antigos deuses para construir o mundo.

Anthem traz enredo que poderia ter sido melhor aproveitado — Foto: Divulgação

Embora o enredo citado acima seja empolgante para quem lê, vivenciar todos esses acontecimentos é como montar um quebra-cabeça de milhares de peças. Há um vídeo e um gameplay inicial que resume boa parte da história, mas o seu desenrolar, requer que você tenha um trabalho investigativo de conversar com todos ao seu redor.

Se não bastasse todo esse trabalho, a sensação é que ainda há muita coisa sem explicação, que resultam em missões com outros fundamentos e que no fim não agregam em nada à história. É praticamente uma desculpa esfarrapada para colocar os jogadores dentro das Lanças e iniciar os combates. Ruim para aqueles que apreciam um bom enredo, e ótimo para aqueles que só querem correr as animações e sair no tapa ou no tiro com seus inimigos.

Anthem traz combates intensos — Foto: Divulgação

Visual de outro mundo

No meu primeiro contato com Anthem, não pude esconder a minha cara de surpresa em relação ao seu visual. É de longe um dos jogos mais bonitos já desenvolvidos para PCs e consoles, com um capricho em praticamente todos os elementos do game, desde personagens até pequenos detalhes dos cenários.

O review foi construído em cima de um PC Gamer munido de uma GeForce NVidia 1080Ti, o que proporcionou o mais alto nível visual no qual o game suporta. É de impressionar o quanto tudo em Anthem é belo e real, mesmo que pilotar uma armadura que voa não seja algo comum no dia a dia.

Anthem traz ambientação rica em detalhes — Foto: Divulgação

A ambientação do jogo traz uma mescla de vegetação tropical, com um ambiente semi devastado. Confesso que por alguns momentos me senti no mundo de Avatar criado por James Cameron, e em outros como se estivesse explorando alguma civilização passada como no mundo criado pelo filme Prometheus. Essa mescla inusitada cria uma identidade única para o jogo, e retira um pouco o rótulo de "Destiny da EA".

Para completar, a todo momento há uma espécie de interação com elementos naturais, como raios que despencam do céu. Além de causarem danos aos personagens, eles também proporcionam um belo espetáculo visual. Assim também como a transição do personagem do céu ou terra para a água, que ocorre com um realismo nunca antes visto.

Os gráficos de Anthem são o ponto alto do jogo — Foto: Divulgação

Já com os personagens, o show visual continua. É impressionante o nível de detalhes em suas composições, desde pequenos danos na estrutura da armadura, até cada tipo de pintura e adesivagem reproduzidos de uma forma fiel ao que foi personalizado. E com seus inimigos, apesar de estes não apresentarem uma variedade significativa, ainda sim é de encantar o quanto cada um deles possui pele, armadura e outros elementos bem definidos.

O divertido é voar e combater!

Anthem só não é considerado uma tragédia completa por conta de sua jogabilidade. A proposta mais ousada do game era a de proporcionar uma movimentação com voos livres nunca antes vista em um game. E o resultado apresentado é bem satisfatório, a sensação é a de estarmos no controle de Tony Stark em sua armadura de Homem de Ferro. Com ela, é possível fazer desde movimentos mais simples para se locomover entre estruturas, túneis e outros locais, até usar o voo para ganhar vantagem nos combates. Vale a pena investir alguns minutos do jogo para aprimorar as técnicas e criar estratégias.

Anthem — Foto: Divulgação

O combate em si também traz elementos que agradam. Os personagens contam com leque de opções contra seus inimigos. Além das tradicionais armas primárias e secundárias, também há movimentos como o Lançador de Assalto e o Dispositivo de Suporte. Enquanto o primeiro concede um ataque mais poderoso, o segundo visa a autodefesa, criando escudos e outras tecnologias para proteger seu personagem. E ainda há um ataque especial cuja barra de poder precisa ser preenchida para que ele possa ser executado.

Anthem traz uma dificuldade bem balanceada. Antes de começar uma missão, você pode mudar o nível de acordo com o seu gosto. Porém, o jogo não favorece os corajosos que sempre buscam encontrar mais e mais desafios. Em outras palavras, não é nada vantajoso buscar níveis mais altos do que a atual situação do seu personagem (no caso o nível de experiência).

O prometido modo cooperativo funciona relativamente bem. No que diz respeito a jogabilidade, ele se encaixa de uma maneira agradável, principalmente quando você opta por formar uma equipe de conhecidos, onde é possível coordenar e executar uma estratégia para completar missões. Estas por sua vez que variam entre atividades principais da campanha, Modo Livre de exploração e Fortalezas. Mas todos sofrem com problemas de bugs e conexões nos quais falarei adiante.

Anthem tem quatro classes de Lanças para os jogadores montarem seus esquadrões — Foto: Divulgação/BioWare

Falta de conteúdo e problemas técnicos

Tudo parece muito interessante e divertido, mas há diversos elementos que acabam prejudicando a jogabilidade, como a falta de conteúdo e missões mais do que repetitivas. Sim, Anthem traz uma série de atividades que basicamente consistem em eliminar hordas de inimigos, recolher itens ou encontrar e resgatar um determinado personagem.

Se isso já não bastasse, há uma enorme limitação no que diz respeito aos inimigos do jogo. Boa parte do tempo você vai enfrentar as mesmas criaturas, nada de chefes complexos, diferentes tipos de monstros ou coisa parecida. A sensação é de looping, ou seja, estar sempre fazendo a mesma coisa.

Anthem sofre com problemas técnicos — Foto: Divulgação

Ainda há esperança de que diversos tipos de conteúdos serão adicionados a Anthem por meio de DLCs. Porém, dificilmente essas novidades podem vir a tornar o game ainda mais atrativo, apenas variando um pouco as suas atividades.

Para completar, até a presente data, mesmo depois de algumas atualizações, ainda há bugs constantes no jogo. Eles variam desde travamentos e a desconexão do jogador, até situações mais graves, como o desligamento do console, deixando a nítida sensação de que é um jogo que foi lançado no mercado sem estar realmente pronto.

6.8

Ruim

Anthem tinha tudo para se tornar um dos maiores games da atual geração. Mas o tiro saiu pela culatra e o game acabou sendo uma das grandes decepções. Com bugs em excesso, falta de conteúdo e missões repetitivas, o jogo agrada apenas na parte visual e com uma jogabilidade que servirá de base para outros títulos que focam seus esforços no princípio básico de um game de videogame: entreter seus jogadores.
Gráficos
10
Jogabilidade
7
Diversão
3
Som
7
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