Jogos de corrida

Por Vinícius Mathias, para o TechTudo

Reprodução/Vinícius Mathias

F1 2020 é novo jogo da categoria de automobilismo mais famosa do mundo. Como novidade, o game da Codemasters disponível para PlayStation 4 (PS4), Xbox One e PC traz o modo My Team (Minha Equipe), que promete ser o grande diferencial da franquia entre os últimos lançamentos. Apesar do interessante modo inédito, o título segue com alguns problemas já vistos em jogos anteriores. A jogabilidade e os gráficos, apesar de bons, parecem ter atingido o ápice para a atual geração de consoles. Confira o review completo com os prós e os contras do Fórmula 1 2020.

F1 2020: sem contar o modo My Team, o jogo é quase a mesma coisa do que o F1 2019 — Foto: Reprodução/Vinícius Mathias

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My Team: a novidade que todo mundo pedia

Depois de vários anos tendo o modo Carreira como seu carro-chefe, F1 2020 muda seu foco e traz como principal atração o modo Minha Equipe. Nele, o jogador é dono e piloto (ao mesmo tempo) de uma nova equipe no mundo da Fórmula 1.

É possível personalizar logo, cores, pintura, macacão, capacetes e mais. O ponto negativo são as poucas opções de desenhos para a pintura dos carros. Não há um modo livre de criação dos desenhos, tendo apenas poucos pré-setados. Como consequência, não há possibilidade de baixar pinturas customizadas como na franquia Need For Speed, por exemplo.

A personalização do piloto é bem variada e conta com mulheres também. Há uma gama de nomes para que a narração fale o nome do piloto, o que ajuda bastante na imersão. Um ponto bem explorado é que os números já usados por pilotos da F1 estão indisponíveis. Por exemplo: não é possível escolher o #44 pois é usado por Lewis Hamilton.

F1 2020: personalização sonora é um dos pontos mais legais do jogo — Foto: Reprodução/Vinícius Mathias

Para começar, é necessário escolher um patrocínio master que fornece dinheiro inicial, semanal e mais bônus por objetivo cumprido ao final da temporada. A grana é usada para escolher qual motor utilizar e para a contratação do segundo piloto que vem da GP 2.

F1 2020: as variedades de patrocínios, motores e pilotos são bem interessantes — Foto: Reprodução/Vinícius Mathias

O modo é bem desafiador, já que a equipe novata começa com o pior carro do grid e o caminho para evoluir é bem longo. Os upgrades demoram um certo tempo para serem instalados e sempre há chance de dar erro no processo. Para minimizar as probabilidades de falha, é necessário aumentar a moral do setor responsável por meio de elogios nas entrevistas ou em atividades durante o tempo livre na semana.

São quatro setores separados de upgrades para o carro: Durabilidade, Chassi, Motor e Aerodinâmica. Além deles, há outros dois setores: um que melhora números do segundo piloto, e o de Marketing, que ajuda na captação de dinheiro e fama.

F1 2020: upgrades seguem iguais aos anteriores — Foto: Reprodução/Vinícius Mathias

Toda aquela repetição mais uma vez (inclusive de problemas)

As novidades meio que param por aí. Na sequência, o modo se assemelha com o Modo Carreira do F1 2019 e do próprio 2020. Tudo fica praticamente igual: as telas, os upgrades, as entrevistas, etc. Aliás, as entrevistas e dublagens seguem sendo os grandes problemas do Fórmula 1.

As perguntas são as mesmas de sempre e ficam chatas de tão repetitivas. A dublagem da repórter chega a ser cômica de tão ruim. Há uma falta de sincronia gigante: diversas vezes o avatar já parou de perguntar e a voz da pergunta segue saindo (às vezes até a câmera já cortou para o lado). O único lip sync bem feito é quando a repórter fala correndo “obrigado pelo seu tempo”.

F1 2020: as entrevistas robóticas, mal dubladas e entediantes seguem incomodando — Foto: Reprodução/Vinícius Mathias

Os problemas na narração seguem iguais também. O nome do narrador é dublado para Machado, mas a legenda segue lhe chamando de Crofty. Além disso, o nome dos pilotos na apresentação do grid de largada parecem lidos no Google Tradutor. Falta continuidade e há uma diferença gritante nos tons de voz, parecendo até que há uns cinco ou seis narradores diferentes.

O exemplo mais forte é do piloto Charles Leclerc, da Ferrari. Se em alguma sessão de treino o monegasco ficar em terceiro, prepare os seus ouvidos pois o narrador vai gritar “e CHARLES LECLERC”. Sério, o caps lock é muito pouco para fazer jus ao grito do anunciante. O lado positivo é que a narração do nome do jogador entra perfeitamente nesse enredo, já que tudo parece jogado aleatoriamente no Google Translate.

Há negociações de pilotos e patrocinadores também. Tudo muito básico e novamente repetitivo após poucas jogatinas.

F1 2020: a contratação de pilotos é interessante e consome boa parte do orçamento — Foto: Reprodução/Vinícius Mathias

O Modo Carreira mais do mesmo

Se você jogou primeiro o modo My Team, provavelmente não vai querer jogar o Modo Carreira. A não ser que o jogador queira fazer parte de um equipe de F1 como Mercedes, Ferrari e etc, não há nenhum diferencial do Minha Equipe para cá.

O interessante é jogar um campeonato de F2 antes de entrar para a F1, mas isso já era possível no 2019 – o game anterior ainda tinha o plus da historinha, que foi retirada no 2020. Então, caso queira algo diferente, é possível jogar até 12 corridas de F2 e parar quando subir para a Fórmula 1.

F1 2020: até os menus da Carreira são iguais aos do My Team — Foto: Reprodução/Vinícius Mathias

Os desafios e outros modos

O que garante a vida um pouco mais útil do F1 2020 são seus vários outros modos. Apesar de curtos, eles trazem uma dinâmica diferente e apostam principalmente no saudosismo. Há uma série de desafios que podem ser feitos por meio do menu ou durante a jornada do My Team.

F1 2020 - desafios e campeonatos alternativos prolongam a vida útil do jogo — Foto: Reprodução/Vinícius Mathias

É possível jogar campeonato com diversos carros clássicos. Desde Mclaren bem antiga até Renault e Red Bull Racing mais recentes. O showroon segue no game com aquela área muito bem apresentada onde dá para ver detalhes e histórias desses carros mais clássicos.

O online também traz várias opções de corridas. Há também uma aba de eSports, que, apesar de abrir aba em navegador fora do jogo, traz atualizações sobre o cenário competitivo do F1 2020, além de calendários de coisas do tipo.

Outro ponto interessante é a volta do multiplayer local. Agora é possível jogar com um amigo no modo tela dividida – algo muito pedido pelos fãs há um bom tempo.

O gráfico bom, mas que chegou ao limite

Na questão gráfica, o F1 sofre do mesmo problema que jogos anuais, como Fifa, NBA 2K, etc. É comum ver comentários na Internet que dizem ser absurdo esses jogos custarem mais de R$ 200 e virem apenas como “atualizações de transferências”.

E é basicamente isso mesmo. Os jogos anuais têm esse problema de pouco espaço para evoluções gráficas, principalmente pela atual geração de consoles (PS4 e Xbox One) estar trabalhando no seu máximo. Mesmo com PlayStation 4 Pro e Xbox One X, as máquinas não têm mais capacidade para grandes melhorias que saltem aos olhos.

F1 2020: gráfico parece ter chegado ao limite desta geração de consoles (e o Bahrein à noite segue lindo) — Foto: Reprodução/Vinícius Mathias

A dificuldade no ponto certo

Talvez o F1 seja um dos melhores jogos no quesito de balancear a dificuldade. Não há modo “fácil”, “normal”, “difícil” e etc. Há um slide já conhecido de games anteriores que varia de 0 a 110. Ou seja, tem dificuldade para todos os níveis e todo mundo pode achar aquela que considerar ideal.

Claro que isso impacta no modo Minha Equipe. Por exemplo, se o slide estiver no 10, mesmo com a equipe iniciante, você vai colocar mais de 30 segundos em uma Mercedes facilmente durante a corrida. Mas esse poder de dificuldade estar nas mãos do jogador é um ponto extremamente positivo.

F1 2020: trocar marcha manualmente no controle é complicado, ainda mais em níveis altos de dificuldade — Foto: Reprodução/Vinícius Mathias

Até porque o jogo é totalmente diferente se jogado no controle normal ou em volante. Caso esteja no joystick, é aconselhável fazer os programas de treino livre em dificuldades baixas e deixar as altas para a qualificação e corrida. Isso porque os pontos para aprimorar o carro podem ser trabalhosos: conseguir a tarefa de economizar pneus em dificuldades altas é quase impossível no controle comum.

Porém, o jogador deve ficar atento pois só dá para mudar a dificuldade durante a tela de carregamento após algumas sessão de treino livre. Quando a tela estiver carregando aperte rápido o Start para trocar a dificuldade. O ideal é concluir os desafios nos dois primeiros treinos livres em dificuldade zero e aumentar para a sua de preferência no treino livre 3 ou qualificação. Assim, você consegue recursos facilmente e tem uma corrida equilibrada no seu nível de dificuldade.

Conclusão

F1 2020 segue a linha dos demais como um grande jogo da maior categoria de automobilismo do mundo. O game traz a novidade do modo Minha Equipe (My Team) como seu principal atrativo. Mas para quem tem o F1 2019 e não é fã aficionado, talvez não valha o preço – principalmente nos consoles.

Como dito anteriormente, o F1 sofre dos problemas de Fifa e NBA 2K por ser um lançamento anual e por já ter atingido o máximo de patamar gráfico nos consoles atuais. Apesar do F1 2020 ser o melhor Fórmula 1 lançado até hoje, seu diferencial pode não ser o suficiente para justificar o investimento.

Sem considerar o fato de ser anual, F1 2020 é sim um belo jogo. O maior problema é carregar os erros dos antigos e oferecer poucas novidades – embora o modo Minha Equipe seja um avanço. Compra certa para os fãs de Fórmula 1, mas para quem só deseja jogar um jogo de corrida, talvez seja melhor esperar promoções especiais.

8.5

Review F1 2020: jogo inova com My Team, mas segue mais do mesmo

O modo My Team trouxe mais dinamismo ao jogo, além de outros diversos modos extras. No entanto, a produção do jogo continuou a pecar com uma dublagem ruim. Além disso, houve pouca evolução no modo Carreira em relação aos jogos anteriores da franquia.
Jogabilidade
10
Gráficos
9
Diversão
9
Som
6

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