Jogos de ação

Por Bruno Magalhães, para o TechTudo

Reprodução/Resident Evil

Resident Evil 3 Remake é o novo jogo da famosa franquia de ação e terror da Capcom que está disponível para PC (Steam), PlayStation 4 (PS4) e Xbox One. Como o título sugere, ele é inspirado em Resident Evil 3: Nemesis, clássico do PlayStation que foi lançado originalmente em 1999. A estrela é mais uma vez a superpolicial Jill Valentine — que agora é perseguida por uma arma biológica criada pela Umbrella para “queimar arquivos”.

A receita utilizada é muito semelhante a de Resident Evil 2 Remake. A jogabilidade foi modernizada e brilha pela sua altíssima qualidade, enquanto os acontecimentos da história são melhor amarrados. Porém, nem tudo são rosas na gameplay, ainda mais para fãs de longa data. Quer saber tudo sobre os pontos positivos e negativos do lançamento? Confira, no review a seguir, a análise completa de Resident Evil 3 Remake.

Resident Evil 3 Remake segue a fórmula do anterior, mas com mais ação. — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

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Uma história mais fácil de digerir

A trama se passa em Raccoon City, antes dos eventos vividos por Leon S. Kennedy e Claire Redfield no jogo anterior. Jogadores de longa data devem reconhecer cenários, personagens, inimigos e desdobramentos, mas tudo foi desenvolvido de modo a oferecer uma experiência narrativa mais linear. Isso significa que não existem campanhas selecionáveis como acontecia em Resident Evil 2, evitando possíveis furos de roteiro e dúvidas sobre qual é a ordem correta dos fatos.

Assim como no clássico, Jill Valentine conhece, logo no início da história, Carlos Oliveira, um soldado veterano vinculado à U.B.C.S. — Umbrella Biohazard Countermeasure Service, ou Serviço de Contramedida de Risco Biológico da Umbrella. Em vez de ele ser jogável em uma campanha à parte, ele tem os seus momentos dedicados com o desenrolar da história e a sua participação é maior e muito mais interessante do que no game original.

Os eventos da trama estão bem conectados com a reimaginação de Resident Evil 2. — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

A Capcom claramente aprendeu a lição com a história de Resident Evil 2 Remake e oferece uma das melhores experiências narrativas da franquia, mas uma única campanha pode passar a impressão de que o jogo deveria ter mais conteúdo. Tradicionalmente, os títulos da série são alguns dos favoritos para speedrun e detonado, então permitem zeramentos rápidos com as estratégias corretas, mas muitos jogadores podem sentir que o jogo acontece mais rápido do que deveria mesmo sem acelerar o passo.

O tempo de zeramento, mesmo em uma primeira jogatina, pode variar de cinco a oito horas assistindo às cenas, coletando todos os itens dos cenários e explorando bastante. Isto, somado ao preço cheio pelo qual o jogo é vendido nos consoles (R$ 249) e cortes de conteúdo em comparação ao título original do PS1, pode desagradar muitos jogadores que estavam com grandes expectativas.

Os fãs de longa data reconhecerão inimigos e cenários, mas fica o sentimento de "quero mais". — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Uma das melhores jogabilidades da série

Apesar da curta duração do game, o ponto em que ele brilha é a jogabilidade. A sua premissa segue o que foi visto em Resident Evil 2 Remake, com uma câmera por trás dos protagonistas, mas os personagens agem de forma mais responsiva e contam com mecânicas únicas que ajudam do início ao fim.

Jill Valentine, assim como no clássico, conta com a habilidade de se esquivar. Caso o movimento seja feito no momento em que o jogador estiver prestes a ser atingido, ela é capaz de mirar direto no ponto fraco do inimigo. Carlos Oliveira, por sua vez, conta com uma ombrada que, caso também seja feita no momento exato, é substituída por um soco poderoso que derruba os zumbis. Essas mecânicas dão ainda mais personalidade à dupla de protagonistas e levam tempo para serem dominadas.

Resident Evil 3 Remake brilha no gameplay e no visual, que seguem a qualidade do título anterior. — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Tudo isso se junta ao fato de que o jogo é mais orientado à ação, mas sem deixar alguns sustos de lado. Resident Evil 2 Remake tinha uma atmosfera muito mais assustadora, mas, aqui, já temos um jogo mais dinâmico e explosivo. Isso pode soar como más notícias aos fãs dos quebra-cabeças da série, que foram quase que completamente deixados de lado. O máximo que o jogo demanda é procurar por chaves e interagir com dispositivos para continuar a história.

Há momentos que permitem uma exploração minuciosa do cenário, mas alguns jogadores podem ficar frustrados ao voltar em um cenário e perceber que caminhos foram fechados para obrigar uma progressão direta e scriptada. Por isso, é importante se certificar de que fez tudo o que queria antes de continuar em frente.

Personagens secundários de Resident Evil 3 Remake também têm desenvolvimento melhor do que no clássico. — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Algumas pequenas otimizações de inventário também foram feitas, permitindo que o jogador combine itens a partir do momento em que eles são coletados. Isso evita que ele precise abrir o inventário novamente após encontrar algo para checar ou combinar com algo que já tenha guardado.

Em relação aos gráficos, eles não são muito diferentes do jogo anterior e também utilizam o motor RE Engine como base, mas é notável que houve melhorias nos modelos dos personagens e sobretudo na iluminação do cenário, que agora passa a impressão de ser aberto por se passar nas ruas de Raccoon City. O áudio também segue o nível de qualidade e permite que, em muitos momentos, o jogador se oriente apenas com os grunidos e outros barulhos que acontecem no ambiente.

Nemesis é constante em Resident Evil 3 Remake, mas muitos dos seus momentos são roteirizados. — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Nemesis não é tão marcante e há cortes de conteúdo consideráveis

Desde que os fãs se depararam com o Tirano, conhecido também como Mr. X, em Resident Evil 2 Remake, a primeira questão que veio à mente foi como seria o Nemesis com esta fórmula de gameplay, como um verdadeiro perseguidor implacável. As expectativas foram altas e este pode ter sido um dos maiores erros, pois o principal antagonista não é tão marcante quanto poderia ser.

Nemesis é constante durante toda a narrativa, mas o momento em que ele participa ativamente como um perseguidor, enquanto o jogador tem de resolver problemas pelo cenário, é no começo do jogo — retratado na versão demo disponibilizada gratuitamente pela Capcom. Todas as suas outras aparições são roteirizadas ou parte de batalhas contra chefe que, embora sejam muito bem feitas, tiram o sentimento de urgência do clássico. O Tirano é um perseguidor muito mais interessante na prática.

Nemesis retorna para perseguir Jill Valentine, mas com um visual ligeiramente diferente. — Foto: Divulgação/Capcom

Quando o Nemesis aparece em seu papel como perseguidor, fica claro que ele não é tão “honesto” quanto Mr. X. A arma biológica suprema se teletransporta na frente do jogador com grandes saltos sem pensar duas vezes, além de correr em direção a ele para desferir fortes socos e agarramentos. Ele também pode puxar o jogador à distância com os seus tentáculos a qualquer momento, exigindo precisão na esquiva para não ser atingido. O seu arsenal é bastante complexo, mas pouco aproveitado na prática pela rápida passagem.

Os cenários sempre contam com respostas imediatas ao Nemesis. Os geradores emitem um grande choque na área caso sejam atingidos com tiros, barris explosivos que derrubam o personagem imediatamente e até mesmo armas, munições e equipamentos pesados, como granadas, que também existem em abundância. Isso faz com que seja bastante fácil de lidar com o antagonista e talvez o jogo não devesse ser tão bonzinho, mesmo nas dificuldades mais altas, para torná-lo mais ameaçador.

O marketing em cima do Nemesis deu uma impressão errada sobre como o personagem funciona. — Foto: Divulgação/Capcom

A Capcom, no entanto, teve liberdade para ousar em muitos sentidos com o Nemesis. Várias surpresas estão guardadas para os jogadores e isso faz com que a experiência seja inédita até para quem tem o título original memorizado pelo avesso.

Por falar em memorizado, alguns acontecimentos foram alterados para permitir uma melhor conexão com a reimaginação de Resident Evil 2. Embora o termo “reimaginação” também seja o mais adequado ao Resident Evil 3 Remake, o jogo também não se livrou de cortes de conteúdo, que são impossíveis de não serem notados pelos fãs.

Veja também: assista ao review de Resident Evil 7 no vídeo a seguir

Review do Resident Evil 7

Review do Resident Evil 7

Ambientes como torre do relógio, cemitério, parque e posto de gasolina foram removidos. Alguns aparecem apenas como breves referências ao longo do desenrolar da trama. Na prática, os novos jogadores sequer saberão da existência desses ambientes e não sentirão falta, mas os fãs fervorosos não terão como ignorar isso.

Esses cortes fazem ainda menos sentido se a duração do jogo for levada em consideração. Seria possível adicionar esses ambientes para aumentar o tempo de jogatina, além de retrabalhar inimigos, como Grave Digger, que não está no jogo. A própria delegacia de Raccoon City faz um retorno tímido, com várias portas fechadas. A falta de quebra-cabeças também colabora para este sentimento e transforma Resident Evil 3 Remake em um legítimo “siga em frente”.

Project Resistance é uma experiência multiplayer assimétrica de Resident Evil — Foto: Divulgação/Capcom

Resident Evil Resistance é uma aposta inusitada e interessante

Como uma forma de dar motivos para os jogadores investirem no game, Resident Evil Resistance é um componente online competente que está incluso no jogo completo. Ele adota a fórmula de multiplayer online assimétrico, na qual quatro jogadores são sobreviventes, que devem realizar objetivos em três “andares” do cenário para abrir o portão de fuga, enquanto o quinto usuário é um vilão por trás da cena, que é capaz de invocar zumbis e armadilhas para impedi-los a todo custo.

A modalidade se assemelha a jogos como Dead By Daylight e Friday the 13th: The Game, mas com a ambientação de Resident Evil e com vilões icônicos. Os sobreviventes são figuras inéditas, mas a heroína Jill Valentine já foi confirmada e também deve ser adicionada ao elenco gratuitamente em 17 de abril.

Cada personagem conta com seu arsenal de habilidades especiais e a composição da equipe é importante para uma estratégia eficaz. É bastante divertido se juntar com amigos para realizar os objetivos e as partidas rendem pontos que servem para desbloquear novas habilidades e itens cosméticos.

Criaturas icônicas como Licker e Mr. X estarão presentes em Project Resistance. — Foto: Divulgação/Capcom

Neste período de lançamento, no entanto, há problemas com a fila para procurar partidas como vilão. O tempo de espera pode chegar a trinta minutos e a Capcom já declarou que está trabalhando para resolver o problema. Além disso, pode ser muito comum encontrar jogadores estrangeiros por não existir um filtro de matchmaking, rendendo partidas com conexão instável.

Fica claro que Resident Evil Resistance foi adicionado ao pacote como uma forma de compensar o fator replay um tanto quanto precário do jogo principal, que apenas conta com dificuldades mais altas que adicionam mais inimigos e aumentam o dano e defesa. O modo pode não apelar a todos os gostos, mas vale o teste com amigos e pode render horas de diversão.

Conclusão

Resident Evil 3 Remake acerta em cheio na história, nos gráficos, no som e na jogabilidade, mas as altas expectativas após a boa recepção do título anterior podem prejudicar a experiência, principalmente dos fãs de longa data. A falta de quebra-cabeças e o curto período em que Nemesis atua como um perseguidor podem decepcionar quem gostaria de vivenciar um pouco mais o antagonista e os arredores de Raccoon City. No final das contas, o que prevalece é um gosto amargo de “quero mais” e os zeramentos subsequentes podem não suprir este sentimento.

8.5

Acerta em cheio na história, mas não cumpre todas as expectativas

O game traz como pontos positivos a jogabilidade revisada, a história com roteiro bem amarrado e o melhor desenvolvimento dos personagens secundários. As legendas em português do Brasil, os gráficos e a qualidade de som também surpreendem positivamente. Por outro lado, o título deixa a desejar em relação ao Nemesis, que tem pouco tempo como um perseguidor, e à curta duração da campanha. Outros aspectos negativos são a falta de quebra-cabeças tradicionais da série e cortes de cenários e inimigos do jogo original.
Diversão
8
Jogabilidade
9
Design
7
Som
10

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