Jogos de luta

Por Bruno Magalhães, para o TechTudo


The King of Fighters XV (KOF XV) é a sequência da popular franquia de jogos de luta da SNK que marcou a geração dos arcades nos anos 90. Com lançamento marcado para 17 de fevereiro, o game busca corrigir todos os problemas do seu controverso predecessor, especialmente em aspectos de gameplay, gráficos e conectividade online. Tudo isso está aliado a um conteúdo robusto para entusiastas e um elenco que está entre os mais chamativos da história da série.

O TechTudo pôde testar The King of Fighters XV e conta a seguir mais detalhes sobre o título. Vale lembrar que ele está disponível no PlayStation 4 (PS4) e PlayStation 5 (PS5) pelo preço de R$ 299,90 em sua edição mais simples, enquanto a versão de PC sai a R$ 157,99 e de Xbox Series X/S, a R$ 319,99.

The King of Fighters XV é o melhor lançamento da franquia em muitos anos — Foto: Divulgação/SNK

Assim como nos fliperamas

Para quem não está familiarizado com The King of Fighters, a dinâmica das partidas acontecem entre trios. A cada lançamento, sempre há muitas expectativas em torno de quais personagens formam times, além dos seus papéis na trama. Dito isso, o Modo de História segue a fórmula de um Modo Arcade tradicional, possibilitando zeramentos com cada um dos trios oficiais. Há, ainda, cenas intermediárias que dão contexto ao enredo principal, mas sem muito aprofundamento.

Desta vez, a premissa não é muito diferente: após os eventos de The King of Fighters 14, Antonov anunciou seu afastamento da organização do torneio e uma nova patrocinadora misteriosa, chamada Anastásia, assumiu a competição. Dois trios estão no centro dos acontecimentos desta nova edição: o Time dos Heróis, composto pelos protagonistas Shun’Ei, Meitenkun e Benimaru; e o Time dos Rivais, que traz o veterano Heidern e as estreantes Isla e Dolores.

Em outras palavras, não espere uma campanha muito elaborada como acontece em Mortal Kombat 11 ou Injustice 2. Aqui, a SNK mira nos fãs mais nostálgicos e que querem passar horas até liberar todos os encerramentos dos 13 trios disponíveis. Um detalhe interessante é que são mostradas aberturas especiais dependendo dos personagens que estão prestes a se enfrentar, revelando mais sobre suas relações.

Com exceção dos times principais, a história carece de dinamismo e está longe de ser a “quebra de expectativas” que a SNK tanto propagandeou no último ano. Há até mesmo momentos em que enfrentamos o mesmo trio que estamos utilizando, causando um certo estranhamento.

Também é uma pena que os encerramentos sigam a linha de KOF 14 e não sejam animados. A SNK perdeu a oportunidade de expandir o trabalho de Masami Obari para dar finalizações mais interessantes. O animador, conhecido pelo seu envolvimento nas animações de Fatal Fury nos anos 90, criou uma abertura em anime de altíssima qualidade para o novo game.

The King of Fighters XV traz melhorias gráficas significativas e elenco chamativo — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Ápice da franquia em gameplay

Não há dúvidas de que The King of Fighters XV traz a gameplay mais divertida e interessante da série. A estrutura do seu antecessor ainda está ali, mas agora os jogadores têm mais liberdade para gastar barras e utilizar versões Ex dos seus especiais quando desejarem, o que dá mais espaço para a criação de combos.

Além disso, houve a adição de uma mecânica chamada Shatter Strike que pode aquecer ainda mais as disputas. Ela é capaz de absorver um golpe do adversário para desferir um contra-ataque ao custo de uma barra, abrindo espaço para causar muito dano. Esse movimento pode ser realizado até mesmo no meio de combos, permitindo combinações inusitadas.

Apesar disso, a SNK vai na contra-mão de jogos como Guilty Gear Strive e DNF Duel, que buscam incorporar comandos mais acessíveis para atrair novos jogadores. Vários inputs clássicos estão de volta e exigem total precisão para que os golpes saiam corretamente — não existe uma “tolerância” para executar o movimento. Como o ritmo das partidas é bastante acelerado, é comum se frustrar porque os inputs não saíram da forma mais limpa possível.

Todos os personagens de The King of Fighters XV tiveram modelos atualizados — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Visuais de maior qualidade

A SNK aprendeu bastante com Samurai Shodown e provou que consegue entregar gráficos de melhor qualidade com The King of Fighters XV. Todos os modelos foram atualizados para dar maior fidelidade visual aos personagens e o resultado é bastante satisfatório, tanto de jogar quanto de assistir.

No entanto, também há bastante margem para melhorias. É notável que alguns lutadores têm um acabamento melhor que outros, com destaque para figuras inéditas como Isla e Dolores ou personagens que fazem sua primeira aparição em 3D — como é o caso de Ash Crimson, Elizabeth, Chizuru e o Time Orochi.

Isso também se reflete nas animações. Praticamente todos os movimentos foram reciclados de The King of Fighters 14, que foi duramente criticado na época do lançamento em 2016. Embora o reaproveitamento de recursos seja comum no desenvolvimento de jogos, é decepcionante que até mesmo vários dos especiais mais poderosos, chamados de Clímax, sejam idênticos aos do jogo anterior.

Por outro lado, o áudio é muito bom, especialmente a sua trilha sonora. A SNK sempre se destacou pelos temas dos seus personagens e isso não é diferente em The King of Fighters XV. Os entusiastas têm ainda mais motivos para comemorar porque o jogo compila mais de 300 músicas da história da franquia, que podem ser configuradas em listas de reprodução para tocar durante as partidas.

O elenco base de The King of Fighters XV traz 39 lutadores, incluindo rostos icônicos da franquia — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Elenco de estrelas

Outro ponto alto de The King of Fighters XV é a sua lista de lutadores. Vários rostos há muito tempo esquecidos da série estão de volta, com destaque para Yashiro, Shermie, Chris, Chizuru e Krohnen - antes conhecido como K9999. Isso faz com que seu elenco seja um dos mais chamativos da história da franquia.

A seguir, é possível conferir a lista completa de times do elenco base:

  • Team Hero: Shun’Ei, Meitenkun e Benimaru;
  • Team Rival: Isla, Dolores e Heidern;
  • Team Sacred Treasures: Kyo, Iori e Chizuru;
  • Team Fatal Fury: Terry, Andy e Joe Higashi;
  • Team Art of Fighting: Ryo, Robert e King;
  • Team Orochi: Yashiro, Shermie e Chris;
  • Team Super Heroine: Athena, Mai Shiranui e Yuri;
  • Team Ikari: Leona, Ralf e Clark;
  • Team G.A.W.: Antonov, Ramon e King of Dinosaurs;
  • Team Secret Agent: Blue Mary, Vanessa e Luong;
  • Team K’: K’, Maxima e Whip;
  • Team Ash: Ash Crimson, Elizabeth e Kukri;
  • Team Krohnen: Krohnen, Kula Diamond e Angél.

Vale lembrar que a SNK tem planos de adicionar mais personagens no decorrer de 2022. Pelo menos quatro times já estão confirmados pela produtora, sendo que dois tiveram identidades reveladas. O primeiro será o Team Garou, composto por Rock Howard, Gato e B. Jenet, a ser lançado em algum momento de março. Já o segundo, programado para maio, será o Team South Town, com figuras clássicas como Geese Howard, Billy Kane e Yamazaki.

É impossível não notar algumas ausências, como a de Kim, Shingo, Saisyu e Goro Daimon. Ainda há chances de que eles sejam lançados em algum momento no futuro, então resta apenas esperar e torcer.

Krohnen, antes conhecido como K9999, é uma das grandes surpresas de The King of Fighters XV — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Netcode de rollback é certeiro

Uma boa experiência online é fundamental para que os jogos de luta consigam fomentar suas comunidades, especialmente em tempos de pandemia. The King of Fighters XV felizmente traz um netcode de rollback para garantir que as partidas sejam responsivas, dispensando o atraso nos botões que é comum em netcode de delay.

Isso significa que os jogadores têm um leque maior de adversários possíveis para partidas ranqueadas, casuais ou em salas com amigos. A experiência com os dois períodos de Beta no ano passado já tinha sido bastante positiva e a boa impressão prevalece nos nossos testes com a versão completa.

Isso é particularmente importante tendo em vista que KOF XV traz novamente um modo em que até seis jogadores podem jogar juntos, cada um controlando um boneco do trio por vez. Há ainda o chamado Modo Recruta, em que os players selecionam um lutador por vez, alternando entre si e sem poder fazer escolhas repetidas.

Só é uma pena que o crossplay ainda não seja uma realidade. A comunidade será dividida mais uma vez entre plataformas, com exceção do PlayStation 4 e PlayStation 5 que compartilham os mesmos sistemas.

The King of Fighters XV agrada e abre caminho para um futuro promissor na série — Foto: Reprodução/Bruno Magalhães

Conclusão

The King of Fighters XV é o melhor jogo da franquia em muitos anos e mostra uma SNK em constante evolução. Embora ainda não seja uma “quebra de expectativas” como o slogan sugere, o lançamento entrega uma gameplay dinâmica e divertida, além de corrigir os principais problemas do seu antecessor, como gráficos e modo online. A localização em português do Brasil também é um grande destaque para os fãs brasileiros.

Infelizmente, algumas oportunidades também foram perdidas, especialmente no que diz respeito ao Modo História. Apesar do elenco forte, o enredo falha em deixar uma marca no jogador e tem desfecho esquecível. Os encerramentos com imagens semiestáticas também dão a sensação de que os zeramentos não são recompensadores como deveriam.

8

King of Fighters XV é o melhor lançamento em anos, mas ainda não quebra as expectativas

Jogo corrige erros do antecessor e traz elenco de peso, mas falha no Modo História e imagens semiestáticas
História
4
Jogabilidade
9
Diversão
9
Trilha sonora
10

Com informações de SNK (1 e 2)

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