Jogos de luta

NOTA tt
8.0

Review Skullgirls

Skullgirls é sexy. Muito sexy. É preciso esclarecer. Mas não é apenas pelo visual pin up, pelas curvas acentuadas do design do cartunista Alex Ahad, nem pelos decotes amplos, microsaias ou fantasias que se apoiam como trapezistas na linha entre estiloso e sexualmente apelativo.

Leonardo Avila
por
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Nome: Skullgirls
Gênero: Luta
Distribuidora: Konami / Autumn Games
Plataformas: PS3 e Xbox360

Skullgirls (Foto: Divulgação)Skullgirls (Foto: Divulgação)

Skullgirls é sexy. Muito sexy. É preciso esclarecer. Mas não é apenas pelo visual pin up, pelas curvas acentuadas do design do cartunista Alex Ahad, nem pelos decotes amplos, microsaias ou fantasias que se apoiam como trapezistas na linha entre estiloso e sexualmente apelativo. Ok, é boa parte por isso. Mas é também porque a equipe criou um jogo claramente apaixonado. Skullgirls é uma carta de amor, um buquê de flores e uma caixa de chocolates com cianureto a todo o gênero de luta.

Sim, Skullgirls é uma homenagem tanto aos velhos jogos de luta 2D da época das placas JAMMA quanto aos excelentes trabalhos modernos da Arc Systems (Guilty Gear XX e Blaz Blue são claras influências), mas é um jogo com claras tendências de killer app. Em muitos sentidos, Skullgirs tenta abarcar tudo aquilo que tornou o gênero famoso em um só pacote, como uma espécie de parada obrigatória definitiva para entusiastas. O resultado é um game admiravelmente encorpado sem deixar de ser coeso. Mas é também um bocado cabeça dura.

skullgirlsana1 (Foto: skullgirlsana1)Skullgirls (Foto: Divulgação)

O tutorial de Skullgirls, por exemplo, não é só um ponto de partida para jogadores não acostumados com o gênero. Também é um verdadeiro documentário sobre todos os subsitemas que jogos de luta têm colecionado com o passar dos anos – mix-ups, combos, counters, cancels – assim como toda essa mania besta de nunca chamar os botões do controller pelo nome. Mas não espere muita praticidade: com exemplos vagos e sem profundidade (o tutorial de golpes básicos chega a incluir a nada amigável instrução “aperte qualquer botão. Qualquer botão mesmo!”) é garantido que jogadores só terão um mero up no vocabulário gamer. Gamers experientes, então, não vão ter nada aqui para servir de aquecimento de fato.

Críticas a parte, o tom documental do tutorial não é a toa: há muita coisa acontecendo em cada partida de Skullgirls. Apesar de herdar até o rol de lutadores limitado de Guilty Gear (oito lutadoras e uma destravável), cada uma das garotas esbanja singularidades:

- Parasoul: é a mais próxima do estilo da Arc Systems, podendo armar ótimas estratégias a média distância e arruinar o dia de seus adversários posicionando armadilhas no cenário.

- Cerebella: parece ter saído de Street Fighter IV, com um golpe que lembra o Focus Attack e alguns ataques carregáveis.

- Double: traz uma releitura de lutadores coringa como Charade e Sword Master, da série Soul Calibur, com um gostinho próprio: a massa disforme e macabra age como um best of, compilando golpes de curta e longa distância de todas as outras lutadoras em um super versátil e resumido pacote.

- Ms. Fortune, entretanto, é nossa favorita: uma clara brincadeira com Vega, de Street Fighter, a lutadora literalmente perde a cabeça depois de tomar alguns golpes. O crânio da personagem, entretanto, ainda é capaz de realizar ataques e receber dano, criando efetivamente duas combatentes na arena lutando a seu lado.

skullgirlsana3Skullgirls (Foto: Divulgação)

Isto nos leva a outro ponto surpreendente: Skullgirls pode ser tanto um game de partidas 1 vs. 1 quanto um festival de pancadaria 3 vs. 3 nos moldes de Marvel vs. Capcom 2. Mais maluco até: é possível misturar número de lutadores ao bel prazer do jogador (1 vs.1, 1 vs. 2, 2 vs. 2, 2 vs. 3, 3 vs. 3 e 1 vs.3) e usar qualquer golpe do repertório das garotas como assist.

Para comportar tantas opções, a equipe por trás do game optou por algumas engenhosas ferramentas de balanceamento, incluindo maneiras de cancelar combos infinitos e pontos de vida menores para jogadores que decidirem por mais de uma lutadora no campo. É um esforço realmente sincero em nivelar a ação sem sacrificar as decisões dos jogadores, mas considere nosso conselho: se você é um jogador mais técnico, recomendamos a opção tradicional de um contra um. As mecânicas de jogo se provam mais afiadas e as estratégias mais aptas ao padrão mais básico e não há contra-ataques realmente efetivos contra táticas de tagging.

Ainda que repleto de decisões de design bem intencionadas, Skullgirls não é a melhor porta de entrada para quem quer começar a aprender os vai-e-vens do gênero. Além do já citado tutorial, o modo para um jogador é o mais desafiante que já vimos em um jogo de luta desde Samurai Showdown e Garou: Mark of The Wolves. É bem possível que, na dificuldade padrão, o primeiro adversário vença um round de Perfect! Partidas ainda contam com um sistema que detecta inputs e evita que golpes saiam a esmo. É excelente para profissionais sedentos por precisão, mas impossibilita golpes de sorte de quem ainda não dominou as meia-luas do game. Some isso a um multiplayer online bem básico, e você terá um pacote mais dedicado a entreter veteranos do que atrair novatos.

skullgirlsana4Skullgirl (Foto: Divulgação)

A parte audiovisual de Skullgirls é sem dúvida seu grande chamariz. Seja em trailers, imagens ou artes, é difícil tirar os olhos do game. É tudo muito colorido, as animações dos personagens são fluídas e, não raro, completamente absurdas, e a arte de Ahad fala por si só. É um jogo muito bonito. e é alicerçado por alguns toques de mestre: as personagens (desenhadas em uma resolução bem maior do que o da tela) não apresentam quaisquer traços serrilhados e são até afetadas pela luminosidade do ambiente. Há alguns bugs pequenos aqui e ali e uns poucos problemas com framerate em partidas online, nada grave. O problema mesmo fica a cargo da trilha: apesar de casar com a temática vintage do jogo, não tem nada a ver com um bando de gente chutando a cara uns dos outros. Algo mais energizante viria bem a calhar.

Conclusão

No fim do dia, Filia, Cerebella e cia. fazem mais do que é preciso para mostrar aos Ryus e Terry Bogarts da vida que Skullgirls não deixa nada a desejar quando o assunto é jogo de luta 2D de qualidade. Que o jogo custe meros R$ 30 via PSN e XBLA também não atrapalha. Quem quiser levar as garotas para um quebra-quebra, entretanto, precisa considerar: o jogo não vai inovar o gênero e, apesar do visual super-chamativo e do enfoque em decisão do jogador, não há muito no jogo que seja dedicado aos gamers principiantes. Quanto mais experiência você tiver com o gênero, melhor será sua relação com estas exigentes femme fatales.

Nota TechTudo

NOTA tt
8.0
Gráficos
9
Jogabilidade
9
Diversão
7
Som
6

Prós

  • - Visual e estilo únicos
  • - Variedade de sistemas e golpes
  • - Mecânicas inteligentes de balanço

Contras

  • - Inacessibilidade
  • - Modo online limitado
  • - Poucas lutadoras
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