Por Caio Fagundes; Por TechTudo

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Street Fighter 5 chegou ao PS4 e PC para dar novos ares à famosa franquia de games de luta da Capcom. Após a tentativa bem-sucedida de reviver a série com Street Fighter IV, a empresa japonesa apostou agora em uma jogabilidade mais acessível aos jogadores iniciantes sem deixar de ser desafiadora para os mais experientes.

O resultado é um título com grandes qualidades e que carrega um enorme potencial, mas que falha em entregar uma experiência completa para o usuário em seu lançamento. Confira a nossa análise:

Um dos grandes problemas que Street Fighter enfrentava ao tentar atrair novos jogadores para a franquia era a sua jogabilidade. Alguns comandos usados anteriormente para se executar ataques especiais não eram otimizados para os controles tradicionais. Isso acontece pois Street Fighter foi pensado como um jogo para fliperama, e não para os consoles caseiros.

Até o lançamento de Street Fighter 5, os comandos criados em 1991 sobreviviam quase que inalterados. Agora os controles mantém as combinações mais tradicionais – como o Hadouken, que ainda é meia-lua pra frente com soco –, mas evita os golpes especiais que são complicados de serem executados nos consoles, como os ataques de Vega e Charlie – e, provavelmente, Balrog e Guile no futuro.

Ficou fácil soltar o Sonic Boom em Street Fighter 5 (Foto: Reprodução/Caio Fagundes) — Foto: TechTudo

Além disso, os combos acontecem de forma mais fluida, já que os golpes se conectam mais facilmente do que em Street Fighter 4. Entretanto, essa mudança por si só não é suficiente para tornar o game excessivamente agressivo. Isso ocorre pois a janela de vulnerabilidade ao se executar um golpe também foi aumentada, então os jogadores defensivos podem punir os agressores se jogarem de forma inteligente.

Outro ponto alto do jogo é a diversidade de seus personagens. Se nas edições anteriores alguns lutadores eram semelhantes demais entre si, o mesmo não pode ser dito de Street Fighter 5.

A diferença aqui pode ser sentida até mesmo entre Ryu e Ken, e grande parte disso se deve aos V-Triggers, golpes exclusivos de cada personagem que variam desde teletransportes até modificadores que deixam seus ataques mais rápidos.

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V-Trigger de Ken em Street Fighter 5 (Foto: Reprodução/Felipe Vinha) (Foto: V-Trigger de Ken em Street Fighter 5 (Foto: Reprodução/Felipe Vinha)) — Foto: TechTudo

Além disso, as novas adições ao elenco são extremamente carismáticas e coerentes com o universo de Street Fighter. Mais do que isso, elas apresentam novas mecânicas e formas de se jogar.

A brasileira Laura, por exemplo, se movimenta de forma única pelo mapa e conecta socos com quedas que remetem ao jiu-jitsu brasileiro. Fang, por outro lado, traz golpes venenosos e que causam dano por tempo, algo inédito na franquia.

Os 16 personagens iniciais de Street Fighter 5 são bastante diversificados (Foto: Reprodução/Caio Fagundes) — Foto: TechTudo

Embora o gameplay e os personagens sejam boas qualidades, o que mais impressiona em Street Fighter 5 são os gráficos. Com uma estética própria entre o real e o fantástico, é seguro dizer que essa é uma das experiências visuais mais ricas da nova geração.

Personagens bem desenhados, movimentos de câmera intensos durante as cutscenes, animações fluidas, cenários riquíssimos, tudo evidencia o capricho da equipe gráfica, que entrega um resultado impecável. Além disso, o modo história conta mais uma vez com as belíssimas ilustrações do artista japonês Bengus, que também rouba a cena.

Desenhos de Bengus roubam a cena no modo história de Street Fighter 5 (Foto: Reprodução/Caio Fagundes) — Foto: TechTudo

Isso tudo fica ainda mais interessante quando se coloca o som na equação. A boa trilha e os ótimos efeitos sonoros contribuem para a imersão, e a dublagem no modo história é bem feita, embora não conte com áudio em português. Entretanto, as legendas dão conta do recado para quem não é tão familiar com o inglês.

É uma pena que, com tanto potencial, a experiência seja quase arruinada pela falta de conteúdo na data de lançamento. O jogo conta com os modos versus, partida casual, partida rank, treinamento, sobrevivência e um modo história incompleto.

O modo sobrevivência é uma das novidades de Street Fighter 5 (Foto: Reprodução/Caio Fagundes) — Foto: TechTudo

Para a experiência online Street Fighter cumpre muito bem a sua função. Durante a nossa avaliação não enfrentamos nenhum problema de latência, embora seja esperado que os servidores sofram um pouco nos primeiros dias do lançamento. Além disso, a cruzamento entre plataformas em partidas online é uma novidade revolucionária que deve ser tendência no futuro.

Se você busca por uma boa experiência individual, Street Fighter 5 pode ser uma grande decepção. O modo história liberado é extremamente curto e dura uma média de quatro combates de um round para cada personagem. O enredo serve apenas de contextualização para o verdadeiro modo história que será liberado para download grátis em junho. Essa contextualização, embora necessária, é desinteressante e soa forçada em muitos momentos.

Modo história disponível no lançamento de Street Fighter 5 é extremamente decepcionante (Foto: Reprodução/Caio Fagundes) — Foto: TechTudo

Além disso, não há um ajuste de dificuldades para as partidas do modo, que falham miseravelmente em oferecer qualquer tipo de desafio. Durante a avaliação, por exemplo, foi possível zerar a história de Chun-li apenas apertando botões aleatórios sem olhar para a tela.

Já o modo sobrevivência é uma adição bem-vinda e que oferece desafios interessantes e introduz uma boa mecânica de gerenciamento de pontos. Infelizmente o modo se torna repetitivo rapidamente, e é preciso uma paciência de ferro para encarar os 100 combates consecutivos da dificuldade inferno.

Street Fighter 5 é um ótimo jogo, mas ainda está incompleto (Foto: Reprodução/Caio Fagundes) — Foto: TechTudo

Street Fighter 5 é tecnicamente impecável, mas a falta de conteúdo single-player passa a impressão de que o título está em fase de acesso antecipado. Os jogadores que quiserem focar na experiência online terão um ótimo game em mãos e não devem se arrepender. Se você busca uma experiência completa para jogar sozinho, com um modo história rico e desafios divertidos, talvez seja melhor aguardar as atualizações para evitar a frustração com um jogo que seria perfeito se estivesse completo.

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8.5

Gráficos
10
Jogabilidade
9
Diversão
5
Som
10

Prós

  • Jogabilidade simples e responsiva
  • Fácil de aprender, difícil de dominar
  • Gráficos excelentes
  • Som imersivo
  • Elenco diversificado
  • Multiplayer entre PS4 e PC

Contras

  • Modo história incompleto, curto, superficial e pouco desafiador
  • Modo sobrevivência se torna repetitivo rapidamente

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