Jogos de ação

NOTA tt
9.0

Review Superbrothers: Sword & Sworcery EP

Seu iPad vibra com o som de um arbusto ao simples toque de dedo. As duas colinas milenares, intrincamente compostas em pixels, exibem duas gárgolas de pedra cujo olhar brilha em contraste ao ambiente esverdeado da tela. A luz do luar frio cria um facho horizontal entre cada decoração.

Leonardo Avila
por
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Nome: Superbrothers: Sword & Sworcery EP
Gênero: Aventura
Distribuidora: Capybara Games
Plataformas: iPad, iPhone e iPod Touch

Superbrothers: Sword & Sworcery EP (Foto: Divulgação)Superbrothers: Sword & Sworcery EP (Divulgação)

Seu iPad vibra com o som de um arbusto ao simples toque de dedo. As duas colinas milenares, intrincamente compostas em pixels, exibem duas gárgolas de pedra cujo olhar brilha em contraste ao ambiente esverdeado da tela. A luz do luar frio cria um facho horizontal entre cada decoração. Com um movimento de pinça seus dedos juntam no touchscreen os dois titãs de rocha, em um gesto que simplesmente rasga a existência do pequeno mundo virtual ao seu toque em dois. 

Este é apenas um dos grandes momentos encontrados em Superbrothers: Sword &Sworcery EP. E mesmo com seu tom de conto de cavalaria e sua busca por resgatar o velho estilo adventure, a história por trás deste genioso título não é sobre salvar o mundo: é sobre o incandescente prazer de mudá-lo. 

E é justamente este verbo que dirige toda a experiência. O jogador controla Scythian, uma guerreira responsável por roubar um mágico artefato e colocar o mundo sob uma tenebrosa maldição. Longe de ser heróico, o primeiro ato da aventura dá o tom de toda a lenda: é a curiosidade pelo novo que move personagem e jogador através de tempestades épicas, templos atemporais e ao próprio mundo dos sonhos em busca de três pedaços de uma relíquia sagrada que passa uma impressão mais do que passageira da Triforce de Zelda

Superbrothers: Sword & Sworcery EP (Foto: Divulgação)Superbrothers: Sword & Sworcery EP (Foto: Divulgação)

Simples e grandioso

Já dissemos que a trama toda se passa em pouco mais de vinte telas diferentes, envolvendo cinco personagens (entre eles um cachorro) e três curtos capítulos de 30 minutos? Pois é. Superbrothers é um verdadeiro culto ao minimalismo, mas ao mesmo tempo está longe de ser uma experiência efêmera. A história, mesmo curta, progride de forma provocativa, apresentando um narrador auto-consciente cujos diálogos não estariam perdidos dentro da obra de um Carl Yung, fantasmas trapaceiros e até animais falantes. 

A narrativa, então, traz toques de Shigeru Miyamoto, Franz Kafka, Camões e Tim Schafer, e é melhor quando todos seus elementos se reúnem de forma a passar um quê de mistério e nonsense para o então simples mundo do jogo. Aqui também está seu calcanhar de Aquiles: talvez em uma tentativa de não mergulhar seu título em frivolidade artística, a equipe colocou um teor humorístico que contrasta com o resto do tom do jogo. 

A diferença é tão notável que, quando a trama atinge seu derradeiro (e tocante fim), a impressão é que a conclusão chegou abrupta demais. Dica para os desenvolvedores: se você vai discutir e criticar a agência de seu jogador em aniquilar monstros e roubar artefatos, não gaste tempo com firulas engraçadinhas. 

Superbrothers: Sword & Sworcery EP (Foto: Divulgação)Superbrothers: Sword & Sworcery EP (Foto: Divulgação)

Em busca do toque perfeito 

Por outro lado, a jogabilidade de Superbrothers funciona como um sonho – e estamos sendo literais! Toda a progressão do jogo envolve interagir com o ambiente de forma orgânica e dinâmica, sem puzzles complicados e linhas de raciocínio escabrosas.

As soluções geralmente estão a uma pequena inspiração e intuição de distância e, apesar de não serem as coisas mais desafiadoras, apresentam resultados incríveis. No decorrer da aventura você irá unir montanhas, tocar finos filetes de água como se fossem as cordas de um violão e selecionar arbustos em uma espécie de jogo dos sete erros. É essa variedade de testes, soluções e resultados que evita tornar o jogo uma experiência sem sal. 

Superbrothers: Sword & Sworcery EP (Foto: Divulgação)Superbrothers: Sword & Sworcery EP (Foto: Divulgação)

O combate gira em torno de uma premissa igualmente simples, apostando em ritmo ao invés de engenhosidade marcial. Saber quando defender ou atacar é crucial, e é uma mecânica que cria encontros admiravelmente tensos – mesmo que os checkpoints numerosos e vidas infinitas garantam um certo nível de facilidade. 

O terceiro sistema de jogo é de longe o mais nebuloso: o jogo traz uma integração com o Twitter, pela qual é possível postar descobertas no cenário e todos os diálogos dos personagens em sua conta de microblog. O que você ganha por alienar sua timeline com frases sem nexo? É uma boa pergunta, a qual o jogo jamais é capaz de responder decentemente. 

Não seria uma análise de Superbrothers se não falássemos do incrível trabalho visual. O game remete ao clássico Out of This World, aproveitando um maior número de bits para criar cenários e personagens cheios de carisma. Aplausos também para as animações: coisas como ver um cervo correndo para dentro da mata assustado com a presença da heroína, trazem uma magia extra à já poderosa direção de arte do game. 

Superbrothers: Sword & Sworcery EP (Foto: Divulgação)Superbrothers: Sword & Sworcery EP (Foto: Divulgação)

O som que dá ritmo a aventura

Mas é a trilha do compositor canadense Jim Guthrie quem rouba a cena. Guthrie aposta em acordes amenos, em cativantes composições de violão e em energéticos chiptunes, que ganham corpo e nova forma cada vez que o jogador é obrigado a revisitar uma porção do pequeno mundo do game. Backtracking é o nome de jogo em Sword & Sworcery EP, mas há suficientes estímulos sonoros para fazer a experiência parecer nova. 

E não é só a canção: quase todo local que você toca com o dedo emite um som próprio, e muitos vão passar um bom tempo descobrindo o que cada arbusto e animal solta de nova na trilha já "embasbacante" do game. 

Conclusão 

Com um mundo minimalista e uma narrativa não-linear, Superbrothers é o equivalente digital de um haikai. Assim como os breves tercetos japoneses, o charme do game está em desvendar os códigos inseridos dentro de seu minúsculo e belo universo. E como um haikai, há uma qualidade invisível a ser admirada por aqueles pacientes o bastante para se deixarem levar. 

O jogo consegue trazer a tona uma jogabilidade baseada no instinto e intuição, aproveitando-se de delicadas dicas audiovisuais. Som e imagem aqui cumprem um papel, e não machuca saber que são lindos exemplos de arte. Apesar da curta duração, da confusão temática e da pobre implementação de Twitter é justo dizer: Sword & Sworcery EP é uma recomendadíssima experiência se você tiver um aparelho iOS dando sopa. 

Nota TechTudo

NOTA tt
9.0
Gráficos
9
Jogabilidade
10
Diversão
7
Som
10

Prós

  • - Visual arrebatador
  • - Trilha sonora de qualidade
  • - Jogabilidade intuitiva

Contras

  • - O tom da saga pode ser confuso
  • - Integração com Twitter insossa
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