Jogos de RPG

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8.0

Review The Witcher 2: Assassins of Kings

Desde seu lançamento em outubro de 2007, The Witcher, como a série Gothic, jamais obteve a chance de brilhar para além do rótulo dos RPGs de segunda categoria. Elder Scrolls era o que Witcher jamais seria, mais ainda assim o título não tinha nada de tímido: o jogo apresentava uma trama arrojada com requintes de contos de cavalaria, um mundo aberto belíssimo, quests laterais muito bem amarradas e um verdadeiro peso moral para suas decisões.

Leonardo Avila
por
em

Nome: The Witcher 2 Assassins of Kings 
Gênero: RPG
Distribuidora: CD Projekt RED 
Plataformas: PC / Xbox 360 (em desenvolvimento)

The Witcher 2 (Foto: Divulgação)The Witcher 2 (Foto: Divulgação)

Desde seu lançamento em outubro de 2007, The Witcher, como a série Gothic, jamais obteve a chance de brilhar para além do rótulo dos RPGs de segunda categoria. Elder Scrolls era o que Witcher jamais seria, mais ainda assim o título não tinha nada de tímido: o jogo apresentava uma trama arrojada com requintes de contos de cavalaria, um mundo aberto belíssimo, quests laterais muito bem amarradas e um verdadeiro peso moral para suas decisões.

Uma pena que com menus quilométricos, minúcias desnecessárias na jogabilidade (uma espada mata monstros, outra mata humanos – sério?!) e uma campanha que, depois de um poderosíssimo primeiro ato, se diluía num vai e vem nauseante, não é de se surpreender que as aventuras de Geralt de Rivia – ainda que charmosas – nunca alcançassem as cinco estrelas. 

Ver o velho guerreiro de cabelos brancos ser o braço esquerdo da nobreza local nos primeiro minutos de The Witcher 2: Assassins of Kings não é nada menos que irônico. A sequência é a chance da desenvolvedora polonesa CD Projekt RED provar que sua receita é material para um jogo a par de RPGs ocidentais como Mass Effect e Fallout, e a equipe sem dúvida não economizou em publicidade e boa vontade para fortalecer seu argumento. Com o jogo finalmente em mãos, vale ressaltar: assim como seu antecessor, Assassins of Kings é um jogo bem mais peculiar que qualquer rei e rainha dos RPGs. 

The Witcher 2: Assassins of Kings (Foto: Divulgação)The Witcher 2: Assassins of Kings (Foto: Divulgação)

Coração paciente 

The Witcher 2: Assassins of Kings é um jogo de nicho, e por um motivo essencial: ele exige do jogador um certo estado de espírito. Veja bem: seu roteiro, repleto de humor negro, cinismo e sensualidade, é tão dirigido por seu protagonista que é praticamente como jogar um RPG que tem apenas uma classe.  

Geralt é um Witcher, uma espécie de caçador de monstros que casa suas habilidades de espadachim e caçador com poderes genéticos (é, genéticos). O resultado é um personagem de possibilidades variadas, mas ainda assim limitados pelos desenvolvedores. 

 

The Witcher 2 (Foto: Divulgação)The Witcher 2 (Foto: Divulgação)

 

O que irá frustrar muitos jogadores é que Geralt começa o jogo sendo incapaz de coordenar um ataque minimamente descente. O fato de que habilidades básicas como bloquear grupos de inimigos ou ataques pelas costas devem ser primeiro destravadas através de pontos de experiência não só parecem indicar uma tendência em atrair gamers para o lado corpo-a-corpo da skill tree do jogo, mas também vão de encontro à natureza do combate do game.

The Witcher 2: Assassins of Kings (Foto: Divulgação)The Witcher 2 (Foto: Divulgação)

Os inimigos em The Witcher 2 atacam em bandos, e sempre procuram ferir as costas do protagonista, aproveitando-se de um sistema de mira errático que muitas vezes faz Geralt tirar o foco das ameaças mais diretas. 

Geralt vai recebendo habilidades (principalmente magias e armadilhas que atuam como granadas) que possibilitam de certa maneira contornar a IA agressiva e os problemas de câmera. Mas, como tudo no jogo, esse sistema tem seus contras: por uma série de fatores como menus inconsistentes e a incapacidade de consumir poções durante batalhas, habilidades passivas e a seleção de magias devem ser planejadas com antecedência. 

Por mais que os desenvolvedores tenham salientado sua inspiração no casca-grossa Demon’s Souls, aqui o jogo remete à série Monster Hunter: preparação é tudo. O problema é que, diferente do clássico da Capcom, The Witcher 2 nunca te conta o que vem pela frente. Muito do jogo implora pela sua dedução sem se dar ao trabalho de lançar pistas. 

The Witcher 2 (Foto: Divulgação)The Witcher 2 (Foto: Divulgação)

Na natureza virtual 

Como dito antes, é um jogo que exige um certo estado de espírito. A recompensa para tanto é garantida. Se você suportar as cinco horas iniciais do jogo (que se estendem entre proteger o rei de uma emboscada e enfrentar um gigantesco monstro marinho) e atingir um bom balanço de habilidades com o Geralt, o que o jogo tem para dar em troca é um dos mais belos e abrangentes mundos que qualquer RPG pode oferecer. 

The Witcher 2 (Foto: Divulgação)The Witcher 2 (Foto: Divulgação)

Como em The Witcher, o jogo transita entre gigantescas áreas separadas, onde é possível se divertir com quests laterais (cujo impacto narrativo é consideravelmente menor se comparado ao original), jogar dados nas diversas tavernas, ir atrás de conquistas amorosas ou mesmo se meter em brigas mano-a-mano.

Além de claro, evoluir na história. Tudo é realizado em um ambiente altamente dinâmico: cada um dos cidadãos do jogo tem uma rotina mundana. Você encontra o açogueiro cortando carne, a tecelã preparando a lã e quando a chuva vem, todo mundo faz o melhor pra buscar abrigo. À noite, todos os trabalhadores se recolhem em suas casas ou procuram diversão nos bares, que ficam naturalmente mais lotados ao surgir a lua. É embasbacante. 

Entre o fogo e a espada 

A qualidade gráfica é excelente no geral, e, embora exija um bocado de seu computador, flui sem quedas de framerate, screen tearing ou loadings excessivos. Efeitos de luz dinâmicos fazem o ar da graça, mas todos os personagens humanos deixam a desejar: até as cenas mais calientes são assombradas por algumas animações robóticas e um trabalho de textura esquisito. Geralt pode pelo menos equipar mais itens e acessórios do que no primeiro jogo, e cada um influencia na aparência do personagem. 

 

The Witcher 2 (Foto: Divulgação)The Witcher 2 (Foto: Divulgação)

 

 

Mas o mais legal disso tudo? Suas decisões regem tudo no mundo. Destas coisas mais comuns como rumos de conversas e missões até mesmo onde você vai ou não. Os desenvolvedores se orgulharam de criar um mundo tão vasto que, indo do início ao fim da trama – e dependendo de suas escolhas no caminho – o jogador deixará cidades inteiras fora de seu itinerário.

E eles não estavam mentindo! E já que estamos falando nisso, lá vai mais uma para o nosso tal estado de espírito: se você gosta de completar 100% de seus jogos de primeira, talvez The Witcher 2 não seja a sua praia. 

Conclusão 

Moral da história: se você é paciente e não é do tipo que gosta de debulhar games em questão de horas, The Witcher 2 te guarda boas surpresas. Com um gerenciamento calculado das habilidades do protagonista, aflora-se uma das mais viscerais mecânicas de combates que já vimos em um RPG. Se as primeiras horas de tutoriais impráticos e enredo mal amarrado não lhe desanimarem, você tem mais algumas dezenas de horas para explorar um belo e vasto mundo que responde a suas escolhas de uma maneira ainda mais profunda que os jogos da BioWare

Fato é que não dá para não criticar um jogo que exige tanta boa vontade e cuja dificuldade muitas vezes surge de deficiências de design e não do uso inteligente de seus truques. The Witcher 2, aqui, serve para reforçar as manias da série, e se há algo que faz com que Geralt e cia. não figurem na realeza do RPG ocidental, este algo é simples: eles francamente não sabem como tratar seus convidados. 

Nota TechTudo

NOTA tt
8.0
Gráficos
9
Jogabilidade
7
Diversão
7
Som
8

Prós

  • - Ambientação belíssima.
  • - As escolhas do gamer afetam profundamente o jogo.
  • - Trama ácida e fora do padrão.

Contras

  • - Roteiro inconsistente.
  • - Combates não condizem com as habilidades do herói.
  • - Menus desnecessariamente complexos.
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  • Leandro Paiva
    2012-05-02T18:26:26  

    O jogo é sensacional, estou jogando no Xbox que graficamente é bem inferior ao PC, mas a diversão é garantida.

    recentes

    populares

    • Leandro Paiva
      2012-05-02T18:26:26  

      jogo no pc e jogaria em console, muito bom o jogo!