Por Felipe Vinha; Por TechTudo

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Yakuza 0 chegou ao ocidente, após uma espera de quase um ano, apenas no PS4 – no Japão ele foi lançado também no PS3. Agora, podemos conferir as origens de Kazuma Kiryu, herói da série, e como ele entrou, saiu e voltou à organização criminosa japonesa. O game da Sega tem seus altos e baixos, mas é uma produção caprichada. Confira a análise completa:

Ninguém escapa da Yakuza

Yakuza 0 se passa em 1988, nas ruas de Kamurocho, cidade japonesa fictícia, que serve de palco para a história e suas reviravoltas. Começamos a saga no controle de Kazuma, personagem que vimos em outros jogos da série, mas agora em “início de carreira”, ainda como homem de negócios da máfia japonesa, a Yakuza.

Assista ao gameplay de Yakuza 0:

Não demora muito e Kazuma se envolve em uma confusão que não tem como controlar: acusado de um assassinato que não cometeu, ele precisa prestar contas aos chefões de sua “família”. Por mais estranho que isso possa parecer, no jogo os Yakuza são apresentados como pessoas de honra, que não matam apenas por matar, sem uma ordem de cima ou um motivo muito bom. É preciso seguir certas diretrizes.

Quem jogou os outros games da série está acostumado a esta dinâmica, mas essa introdução do game deixa claro como funciona a organização. Os Yakuza são organizados, honrados e possuem “castas”, como uma família, onde deve se respeitar quem está acima de você, principalmente se for um dos “cabeças”.

Yakuza 0 (Foto: Reprodução/Felipe Vinha) — Foto: TechTudo

O problema é que Kazuma desenvolve ainda mais dores de cabeça com um dos líderes de sua Yakuza local. Assim, ele é retirado do clã, enquanto se envolve com outra possível organização criminosa e parte para buscar o verdadeiro culpado pelo crime o que o colocou na mira de possíveis traidores.

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Como em todos os outros capítulos, a história de Yakuza 0 é muito bem contada e com bastante conversa. O game não é exatamente um RPG, mas quem não tem paciência de ler muito texto – e ainda por cima apenas em inglês, já que o jogo não foi localizado para o Brasil – pode acabar ficando irritado. Principalmente pelo início da aventura, que é um pouco lento.

Yakuza 0 (Foto: Reprodução/Felipe Vinha) — Foto: TechTudo

Mas quando Yakuza 0 engrena, não há como parar. Kamurocho ganha mais vida conforme o jogador evolui Kazuma e avança na história. O jogo se “auto desenvolve”, com tudo que deve ser feito apresentado de forma didática, mas ainda assim com alguma liberdade para trilhar seu próprio caminho.

Yakuza NÃO é GTA

É preciso entender, porém, que Yakuza não é GTA. Este é um erro muito comum e cometido por muitos jogadores, que esperam encontrar um jogo de mundo aberto, com bastante liberdade de exploração e narrativa. O game da Sega, tem muito mais de “Shenmue”, uma série clássica da própria empresa.

Yakuza 0 (Foto: Reprodução/Felipe Vinha) — Foto: TechTudo

Assim como os anteriores, Yakuza 0 carrega alguns elementos de RPG em sua jogabilidade, mas é principalmente um game de pancadaria. São muitas as lutas e combates que você vai encontrar pelo caminho e os controles desenhados para tal tarefa são quase perfeitos. Kazuma Kiryu possui mais de um estilo de luta e pode alternar entre eles durante o combate. O resultado satisfaz, e muito.

O combate é rápido e feroz. Dependendo de qual estilo o jogador escolher, ele pode ficar ainda mais rápido, e mais feroz. De longe, Yakuza 0 lembra aqueles filmes de pancadaria asiáticos que passavam em sessões da madrugada de algumas emissoras de TV. A ideia aqui é justamente essa, principalmente pelo fato de o jogo se passar na década de 80.

Yakuza 0 (Foto: Reprodução/Felipe Vinha) — Foto: TechTudo

Porém, mesmo se distanciando de GTA, Yakuza 0 mantém elementos de mundo aberto, ainda que de forma bem contida. Não é possível explorar a cidade inteira, apenas alguns pontos dos bairros, e ainda assim de forma limitada – isto é, temos paredes invisíveis que prendem o avanço do jogador por uma área, o que pode ser frustrante, em alguns casos. A exploração não é o forte, mas sim a evolução.

Em determinada rua de Kamurocho, por exemplo, pode existir uma locadora de vídeos adultos, para que Kazuma entre e confira o material. Mas ela só será liberada, e expandida para uso, se o personagem encontrar garotas pela rua, que oferecem o serviço ao personagem – assim ele passa a conhecê-las e pode querer ver mais delas nas lojas.

Yakuza 0 (Foto: Reprodução/Felipe Vinha) — Foto: TechTudo

A mesma coisa ocorre com outros estabelecimentos comerciais, como fliperamas, lojas de artigos diversos, casas noturnas, bares com karaokês e mais elementos que o personagem pode interagir, entrar e passar algum tempo extra de jogo, que vai além de avançar história e da pancadaria completa.

Vamos à luta!

Voltando aos combates, saiba que você pode esperar algumas das cenas mais épicas de pancadaria vistas em um game de ação. Como o foco em Yakuza é justamente nas lutas, a Sega sempre costuma caprichar neste ponto. Socos, chutes, combos, agarrões e até golpes especiais, com um visual exuberante.

Yakuza 0 (Foto: Reprodução/Felipe Vinha) — Foto: TechTudo

O sistema de “Heat” é acumulado de acordo com os sucessos do personagem nos golpes e pode desencadear ataques ainda mais devastadores. É possível usar esquiva, defesa, lidar com objetos ao seu redor para oferecer mais dano nos ataques e realizar um belo estrago no rosto do seu oponente, seja ele quem for – a Yakuza não tem pena de ninguém, lembre-se disso.

O que fazer além da história?

Mas, como já citamos, Yakuza 0 oferece diversões pelo mapa para quem não curte ficar apenas enfrentando pessoas pela rua – boa sorte evitando estes – ou no avanço da história. As casas de fliperama se destacam, com versões completas de clássicos da Sega, totalmente jogáveis. Entre eles Space Harrier, Super Hang On e OutRun.

Yakuza 0 (Foto: Reprodução/Felipe Vinha) — Foto: TechTudo

Fica até difícil não ter nada para fazer em Kamurocho. Quando a história não está sendo contada em uma cena, e ela é contada com frequência, o jogador sempre pode se envolver com missões paralelas, que pedestres oferecem com variedade ao longo de seu caminho. É possível até mesmo desenvolver relações de amizade com alguns deles, de acordo com as missões que você realizar.

Gráficos

Assim como Yakuza 0 não é GTA, seus gráficos também não são. Os personagens apresentam um detalhe incrível no rosto, que usam técnica de scanner quase perfeito na hora de reproduzir atores do mundo real, mas o restante do game não chega a ser tão bonito. Mesmo assim, ele não faz feio e não incomoda em nenhum momento.

Yakuza 0 (Foto: Reprodução/Felipe Vinha) — Foto: TechTudo

Trilha sonora

A trilha sonora é uma das melhores de todos os Yakuza já lançados, com riffs de guitarra para os momentos de ação ou músicas melancólicas para as partes tensas. Espere entrar em uma casa de karaokê para também ouvir alguma das canções mais exageradamente japonesas, no bom sentido, e se divertir com elas.

Conclusão

Yakuza 0 é uma obra como poucas. O jogo é bem completo para seu formato, com capricho no sistema de pancadaria, controles divertidos e momentos muito bem trabalhados de história. É um ponto de partida excelente para quem quer começar agora na série e ainda conta com bons extras para prolongar a jogatina.

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9

Gráficos
9
Jogabilidade
9
Diversão
9
Som
9

Prós

  • Muitos extras
  • Sistema de luta excelente
  • Personagens carismáticos
  • Gráficos dos personagens
  • História envolvente

Contras

  • Limitações banais no mapa

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